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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

As histórias em quadrinho e o desafio das diferenças culturais na literatura infantil

“Então você pretende abordar história em quadrinhos? Acho uma excelente ideia!”

Foi o apoio que minha coordenadora deu enquanto discutíamos o que eu idealizava para o projeto.

Como estudante de Letras Japonês, minha paixão por HQ queima desde criança. Acredito que minha iniciação para a leitura se deve aos quadrinhos, inclusive, foi a obra do Maurício de Sousa “Turma da Mônica” que me incentivou à alfabetização; eu realmente tinha inveja da minha irmã mais velha ao vê-la se aventurar nos quadros com belas figuras enquanto eu tentava acompanhar a história apenas visualizando as cenas. Defendo que entre tantas obras literárias, existam riquíssimos trabalhos que provavelmente as crianças não terão acesso na escola, talvez nem na vida cotidiana já que infelizmente existe um preconceito com esta literatura em particular. Uns acreditam que é infantil demais – apesar de existirem quadrinhos adultos aos quilos na banca de jornal -, outros que frases curtas – mesmo que com um contexto dependente de ligações entre todas as frases e imagens – não ajudam a treinar leitura, chegam a comparar com filmes legendado e conversas em chats. Baseando-me nisso, senti a obrigação de apresentar a riqueza deste trabalho no projeto em que me inscrevi.

Apesar de a Turma da Mônica ter iniciado a minha vida como leitora, o HQ que mais me marcou foi o mangá japonês Naruto.



Com um protagonista atrapalhado, socialmente marginalizado; longe de ter as qualidades clichês de um herói, Naruto Uzumaki é um ninja da aldeia da folha que carrega um sonho: quer ser reconhecido e respeitado por todos. Ele se esforça como pessoa, trabalha duro a cada dia, tem coragem e nunca volta atrás da sua palavra; esses são seus pontos fortes. Em contrapartida, não tem nenhum talento como ninja e possui um segredo considerado tabu social que todos sabem, menos ele.

Seu grande rival, mas não um antagonista, seria como protagonista secundário, e melhor amigo Sasuke Uchiha tem muito talento, nasceu em um clã poderoso que ajudou na construção da vila e carrega a herança genética do Sharingan (um jutsu* ocular antigo que permite um poder superior em campo de batalha), logo é idolatrado por todos os cidadãos apenas por seu um Uchiha. Todavia, Sasuke possui uma ambição por causa da sua trágica história no passado, está disposto a fazer de tudo por vingança, isso também inclui passar por cima das pessoas que Naruto deseja proteger.

Através das aventuras desses dois ninjas super contrastantes dentro da Equipe 7(formada por mais dois personagens Sakura Haruno e o líder Kakashi Hatake e tardiamente Sai – na saída de Sasuke), a cada capítulo uma nova lição de superação é formulada, reflexões puramente humanas do que é a vida ainda que em um contexto fantástico no mundo Ninja criado por Musashi Kishimoto. Aqui no Brasil, a primeira saga de Naruto(conhecida como Naruto clássico por abordar apenas a infância do jovem) é classificada para 10 anos(na tv aberta), idade adequada para trabalhar no projeto. Entretanto, essa valiosíssima história é uma opção descartada por muitos educadores, e não é bem por sem quadrinho. Mas afinal, qual é o problema de trabalhar com essa obra?

O segredo de Naruto.



Não muito tarde nos é revelado, ainda no primeiro capítulo do primeiro mangá tudo se esclarece. Uzumaki Naruto carrega em si uma besta, um demônio mitológico japonês chamado “Kyuubi” ou “Raposa de nove caudas” que só lhe foi selado no interior para que ele proteja a vila.

Diferente da nossa cultura ocidental cristã, demônios e anjos possuem uma conceituação diferente no Japão. Para nós ocidentais (culturalmente falando) o mundo está dividido entre “o bem e o mal”, sendo o mal desprezível e o bem única coisa que devemos alcançar; logo demônios são ruins e anjos são bons.

No oriente, essa dualidade também existe, mas em visões diferentes. Para a subcultura taoísta – a utilizada como base da cultura no universo fictício de Kishimoto – o Yin e Yang não são exatamente “bem e mal”, mas todos os opostos como “luz e trevas”, “feminino masculino”, “princípio e fim”, e ambos são puramente necessários para manter o equilíbrio universal.

Neste mundo fantástico, o universo é constituído por uma energia vital que se dividiu em nove Bijus(monstros com caldas), ou seja, são seres que mantém o equilíbrio universal, só receberam o nome “demônio” ou “besta” por serem usadas como armas que ninjas forasteiros inventaram em busca de poder. Em outras palavras, o demônio de Naruto não é o espiritual cristão que conhecemos, não são anjos que desobedeceram a Deus e trabalham para o Diabo, recebe esse título por motivos diferentes; apesar de ambos serem mal nomeados, estão totalmente desvinculados conceitualmente.

O desafio da abordagem é: como apresentar a história sem causar alvoroço entre os pequenos ou maus olhos dos pais? Explicar seria uma boa opção? Por um lado, praticamente ninguém vai ouvir porque explicações em decorrer de histórias quebram o sentimento de aventura, e tirar a atenção ou desinteressar alguém é a ultima coisa que quero fazer. Também tem o fato de talvez não entenderem a explicação, já que até mesmo alguns adultos que acreditam na doutrina não sabem conceituar o que seria um demônio, mas sabem que é ruim porque ouviram na igreja.

Explicar antes de começar a história além de causar uma impressão ruim – como já citado – também contribui com spoil, pois eu estaria quebrando um segredo (ainda que revelado no 1° capítulo do mangá). Apesar dos desafios, mostrar culturas diferentes das nossas no universo infantil contribui no combate a intolerância e espanta a ignorância com o conhecimento. Sem contar que Naruto é uma obra linda e revolucionária no universo infantil ocidental puramente Disney, já que raras são as vezes que o herói nos concedido não é o talentoso da história, mas o fracassado.

Texto por Amanda Barros
Revisão por Eileen Flores

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Diário do Contador por Ana Beatriz Novelli

Olá leitores!

        Durante um mês contei a história "Os Pequenos Guardiões" de David Petersen. Quando me falavam que a gente tinha que gostar muito de um livro pra contar bem eu não acreditava, mas, depois desse livro, não tenho como negar! 
        O enredo é a clássica aventura - os heróis descobrem que alguém malvado quer destruir o reino e vão atrás do bandido para impedi-lo. O engraçado é que os heróis não são humanos, são ratinhos (e muito corajosos por sinal!). Eles vivem em um lugar protegido, como se existissem "fronteiras" onde doninhas e cobras (os predadores dos ratos) não pudessem passar. As "fronteiras" eram protegidas por um acordo entre os ratos e seus predadores e também garantida pela presença dos Guardiões, que cuidavam dos ratos. Eram uma espécie de guardas misturando com policiais. São também cheios de virtude e honra.
        Esse é um livro muito interessante, em história em quadrinhos, e por isso tive que me virar nos 30 para poder atrair a atenção de todos. Fiz várias vozes diferentes e sempre contava com emoção (por ser um livro cheio de aventuras e perigos). Uma coisa que eu observei também é que as crianças gostavam muito de escolher um personagem para si e ler em voz alta na hora em que seu personagem escolhido falasse. Às vezes eu me sentia em um ensaio para uma peça de teatro, com várias pessoas lendo seus personagens em voz alta. Isso atraiu bastante a atenção deles, mas mesmo assim sempre existem os "desertores" que prestam atenção em um segundo e no outro já estão pulando e fazendo bagunça. Com esse livro, no entanto, percebi que a porcentagem de crianças que desertava era menor. Suponho que seja por causa dos quadrinhos, cheio de imagens e de muita ação.
       Adorei a experiência de contar uma história em quadrinhos, principalmente essa que é dividida em vários capítulos, o que permite que a hora de acabar uma sessão de contação tenha menos "ahhh tia, só vamos ler mais uma página" e etc. Fica tudo bem menos traumático! 
Boas férias, pessoal!!

            Os três personagens principais - Lieam, Kenzie e Saxon

       Os três fazendo uma busca pra desvendar um desaparecimento. 

       Uma parte muito emocionante de luta conta caranguejos.