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terça-feira, 1 de agosto de 2017

O mágico de Oz de L. Frank Baum

O último ano foi muito curioso. Me peguei lendo alguns dos clássicos da literatura infantil. Crônicas de Nárnia, Hobbit, A fantástica fábrica de chocolate, O mágico de Oz... Me surpreendi. Positivamente.

Peço licença para compartilhar minhas impressões. Preparem os sapatos de prata para não perder seu caminho.  Hoje é o dia de O mágico de Oz.

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Escrito pelo L. Frank Baum em 1900, este é um livro que marcou gerações e marcou profundamente memórias. O mágico de Oz é o primeiro de uma série de 14 livros,  uma obra icônica. Mais do que um clássico, ou um conto de fadas, esta história é um símbolo consolidado da cultura pop. Desde seu lançamento, foi adaptado diversas vezes para o cinema. Além disso, encontram-se com facilidade diversas referências ao universo e aos personagens de Oz em diversas outras obras.

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É difícil encontrar alguém que não conhece a história de Dorothy, ou do ciclone que levou sua casa, ela e Totó para uma terra misteriosa. "Não estamos mais em Kansas!". Muitos já sabem que, para voltar para casa, ela procura por um poderoso mágico que mora em uma cidade misteriosa. Segue assim por um caminho de tijolos amarelos na companhia de um leão que deseja ter coragem, um homem de lata que deseja ter um coração e um espantalho que quer ter um cérebro, ao invés de palha seca.

Muitos já conhecem essa história e podem estar se perguntando se vale a pena ler o livro e qual a graça que você poderia encontrar na leitura do deste livro.  E parafraseando Lisbela - e uma pá de outras pessoas por aí - a graça não está em saber o que acontece... mas como acontece e quando acontece.

O que mais me encanta na escrita de Baum é jeito de criar imagens. Muitas vezes, o estado afetivo de um personagem se confunde ou se propaga para o que está ao seu redor. Assim, o humor de tia Em é acinzentado assim como suas roupas, sua casa, sua pele e seus olhos. "[...] ela também foi modificada pelo sol e pelo vento, que apagaram a centelha que existiam em seus olhos [...] Desbotaram o rubor das suas faces e dos seus lábios, que também ficaram cinzas. Era magra e seca, e não sorria mais". Em Oz, o acinzentado da vida dura e infértil que Dorothy conhecia no Kansas se colore. A terra de Oz brilha em cores vivas. o caminho de tijolos amarelos leva à cidade de Esmeralda, onde as cores das flores são intensas e hipnóticas, os frutos grandes e suculentos.

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A narrativa é composta por paradoxos e contrastes que geram uma tensão entre as realidades subjetivas de cada personagem e a realidade objetiva que é compar-tilhada por eles. Por que um leão que se arrisca para salvar os outros, ruge alto, se coloca na linha de frente e se voluntaria para lutar, mas se diz covarde e deseja ter coragem? Por que um homem de lata que se preocupa, e chora tanto pelas injustiças e maus atos, diz que não sente nada e deseja ter um coração? Ou por que o mais criativo e engenhoso dos personagens se diz burro e deseja um cérebro?  Por que Dorothy quer voltar tanto para sua casa cinza e dura? O autor é perspicaz e nos mostra que, às vezes, o que mais desejamos está embaixo de nosso nariz - ou nos nossos pés.

Os desafios que Dorothy e seus amigos enfrentam vêm sob medida para testar sua persistência, sua coragem, sua empatia e sua inteligência. O que nos faz pensar que, às vezes, são os desafios da vida que nos permitem nos confrontarmos com nossas maiores qualidades.

É interessante ver como a relação entre os personagens vai se desenvolvendo e se intensificando - alguns podem se chocar com a facilidade de alguns dos companheiros de viagem deixar para trás alguém que se atrapalha para remar ou que dorme no jardim de papoulas (capítulo O campo das papoulas da morte). Mas se despedir de alguém vai se tornando mais difícil conforme vamos conhecendo melhor os personagens.  Ao longo de suas aventuras, eles vão descobrindo que há uma diferença entre fazer uma jornada com outras pessoas e fazer uma jornada juntos.

Nossa convite de hoje é:  leiam este conto moderno e compartilhem conosco o que vocês acharam de mais bonito nessa obra ;D

Ficha técnica
O mágico de Oz
Escritor: L. Frank Baum
Ilustrador: W. W. Denslow
Tradutor: Sergio Flaksman
Editora: Zahar
Ano de edição: 2013

domingo, 4 de junho de 2017

Diário do Contador - A viagem de Francesca Sanna

Esta semana, eu levei um livro que estava desde janeiro na minha estante esperando ser contado. Eu lembro da primeira vez que o li, entre as estantes de uma grande livraria. Lágrimas discretas escorreram pelo meu rosto, e quando fui ao caixa, meu nariz estava vermelho e inchado.

O caixa perguntou: “está tudo bem, moça?”. E com um suspiro eu respondi, sem chorar, que eu achara um dos livros mais bonitos do mundo.

Eu não sei que fim deu, e se o caixa foi atrás de minha indicação, mas sei que esse é um livro que não merece ficar escondido em estantes. Sabia também que eu precisava de um tempo sozinha com ele, conhecendo, lendo e relendo e me preparando para uma contação.  

Estou falando de A viagem, ilustrado e escrito por Francesca Sanna. Sinceramente, só de ver a capa meu pulso se acelera! Premiado pela Sociedade dos Ilustradores de Nova York e acalentador de corações, o livro chegou ao Brasil em uma belíssima edição. Trata-se de um livro sensível, atual e intenso. Francesca, inspirada na história de algumas garotas que conheceu, narrou a história de uma família que foge de seu país por causa de uma guerra e embarca em uma grande aventura, a procura de um novo lar.

A imigração, mais do que questão de vestibular, é um tema que toca questões profundas, como convivência entre pessoas, respeito à diversidade, globalização. Podemos nos enganar pensando que é um tema distante da realidade brasileira, mas não podemos perder de vista as ações do governo atual com a chamada Lei da Migração, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional. Isso sem falar do histórico do Brasil (um país de imigrantes) e dos próprios movimentos populacionais e migratórios do nosso país.

Após esse adendo, voltemos ao livro. Suas ilustrações parecem ser feitas não apenas para o imaginário infantil, mas parece que nasceu das narrativas e olhar de uma criança. A guerra é retratada como uma grande sombra, os agentes da fronteira são enormes e assustadores – uma das crianças até os identificou como aliados das sombras! Além disso, há forças e pessoas que auxiliam nessa aventura, também são retratados como criaturas enormes e elementais, como se fossem misteriosos e poderosos demais para serrem compreendidos pelo nossa pequena criança protagonista. 

Mas nem tudo, é sombrio e incerto nesse livro. Ao longo das páginas, vemos laços de amor e esperança que se aperta e se fortalece entre mãe e filhos.


Muito do que fica implícito no livro é compreendido pelas crianças, como a atmosfera de perseguição e medo, o preconceito aos imigrantes, a dureza daqueles agentes de guerra que não se compadecem com o destino de civis e crianças.

As crianças para quem contei tem 7 e 8 anos, e elas já intuem a intricada e complexa rede de poder e de segredos por trás de uma guerra. “Tia, numa guerra, tem um monte de bombas e armas, muita gente morre e muita gente é machucada. A cidade é destruída... e depois da guerra, [eles] falam que não foi nada, que foi só um terremoto e mandam que tudo volte ao normal”. Algum dos meninos falou sobre o perigo de fugir de uma guerra, e logo estávamos falando sobre a segunda guerra mundial. E, sim, eles falaram sobre Hiroshima e o absurdo de atacar uma cidade inocente. “Eu não entendo tia, porque eles construíram uma bomba que pode destruir o mundo?!”. Fui sincera com as crianças “eu também não entendo”.

Afinal, se estourasse uma guerra aqui no Brasil, o que vocês fariam? Para onde iriam?

“Eu iria para Itália [...] porque lá tem os carros mais rápidos”.
“Eu iria para a Itália também porque lá poderia andar de snowboard”.
“Eu não tia, eu iria para os Estados Unidos [...] porque tenho um tio que mora lá, e Estados Unidos tem muita bomba para se proteger”. “Iria para Hollywood virar atriz!”.
“Eu iria para a China que é bem longe daqui”.

Nesta contação com as crianças, vivi grandes paradoxos. Por mais que para as crianças fosse consenso que a família do livro pudesse vir para o Brasil, que é um lugar seguro e sem guerras. Aos poucos tornou-se impossível ignorar as pequenas guerras que temos no Brasil, e a falta de segurança que temos aqui.
“Não posso sair à noite, porque é perigoso, tia”
“É mesmo, muito perigoso lá”, outra criança concordou.
“Tem gente má que fazem coisas ruins com crianças”.
“Já vi uma mulher na rua sendo perseguida”
“Já ouvi som de tiro, tia”.


No momento que eu peguei esse livro, já sabia que as crianças viajariam com ele e veriam cenas da própria história. Não perca essa oportunidade de conversar mais sobre os refugiados do mundo e também os momentos que sua criança deseja refúgio.

Meus votos para que sempre possamos encontrar um lugar seguro para sermos nós mesmos e fazermos nossa própria história, ainda que para isso tenhamos que nos aventurar por novos ares.


Ficou curioso? Quer saber mais sobre esta obra? Confira nossas dicas de mediação em nossa revista digital.
https://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2017/06/01/A-viagem-Francesca-Sanna
Confira partes da história em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=81&v=ZRHlyIcFH3k

Escrito por: Júlia Gisler
Ficha técnica
Título: A viagem
Autora e ilustradora: Francesca Sanna
Tradutor: Fabrício Valério
Editora: Vergara & Riba Editoras

Ano de edição: 2016

quarta-feira, 29 de março de 2017

O Acervo Indica: Os Novos Clássicos II

Chegamos a última postagem de nosso especial e queremos saber dos leitores... Quais de nossas indicações vocês gostariam de ver mais profundamente no blog ou quais deles vocês gostariam de ver em nossa revista digital!

Escreva nos comentários!
As obras mais votadas vão ganhar novos especiais! =)

Mas, sem mais demora, vamos as últimas indicações dos Novos Clássicos, aqui você vai encontrar obras impressionantes para fechar com chave de ouro nosso especial!


5) Eloísa e os Bichos de Jairo Buitrago e Rafael Yockteng

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Semelhante a um dos livros que já passou pelo nosso especial - Extraordinário - este livro magnífico pode ser uma porta que nos convida para pensar sobre adaptações, mudanças e transformações.

Eloísa se muda com seu pai e o lugar é muito esquisito! Ela se sente tão estranha e inadequada e esse estranhamento todo chega até a gente por meio de ilustrações sensíveis - e ao mesmo tempo poderosas.

Sem dúvida é um excelente livro para se mediar, mas antes disso um excelente livro para se desfrutar, ao seu tempo, do seu jeito, lembrando-se daquelas vezes que você já se sentiu como Eloísa durante sua vida.


Confira algumas dicas de mediação  dessa obra incrível! >>> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2014/10/sobre-se-sentir-um-bicho-estranho.html?m=1

Ficha Técnica
Eloísa e os bichos
Texto: Jairo Buitrago
Ilustrações: Rafael Yockteng
Tradução: Márcia Leite

Editora: Pulo do Gato



6) A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón

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O mistério que este livro contém nos invade por todos os sentidos. Nossa cognição já se perde em pensamentos mirabolantes a partir do título - como pode o vento ter sombra? A ilustração da capa nos causa um arrepio, para onde vão o homem e a criança no meio de tanta neblina?

O cenário desse romance é envolvente, ora nos vemos nas ruas de Barcelona, ora estamos entre estantes de livros. A descoberta do amor, a relação entre pais e filhos, a amizade são temas que perpassam uma história que nos provoca para pensarmos a relação entre criação e criador.

A narrativa de Carlos Zafón é marcante, misteriosa e marcou leitores de diferentes idades. Encontramos aqui um clássico que marcará a geração de muitos jovens.

Ficha técnica
Título: A sombra do vento 
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma Letras
Ano: 2007

7) A invenção de Hugo Cabret de Brian Selznick

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Este é mais um dos livros de nossa lista que já foi adaptado as telonas de cinema. E nos vemos diante de uma ironia, pois o livro que fala sobre a história de um cineastra francês... mas nós só descobrimos isso no desfecho desse grande mistério.

Órfão, abandonado por seu cuidador, Hugo Cabret vive a duras penas na estação de trem. Sabe que eventualmente será descoberto pelo inspetor da estação e que será mandado para o orfanato. Mas antes disso acontecer Hugo tem que fazer funcionar o autômato que seu pai deixou para trás.

Ele não sabe que com isso ele desvelará segredos de família e descobrirá um mágico cineastra onde só via um azedo vendedor de brinquedos. As ilustrações dessa obra são tão importantes e intensas quanto ao texto escrito, não perca a oportunidade de embarcar nesse mistério.

Ficha técnica
Título: A invenção de Hugo Cabret
Autor: Brian Selznick
Editora: Edições SM
Ano: 2007


8) Coração de Tinta de Cornelia Funke

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Havia muito tempo que eu não lia por prazer. Minhas leituras estavam resumidas a textos técnicos. E mesmo a literatura do projeto, ainda que aconchegante, se tornou obrigatória. Diante dessa situação, procurei por um livro que em transportasse para outro mundo. Algum que me fizesse viajar em sua história e me apaixonar por seus personagens.

Escolhi Coração de Tinta. Um livro onde o que eu procurava realmente acontece! E assim como Elinor, tenho certeza que todo bom leitor muitas vezes desejou (ou ainda deseja) “entrar dentro de um dos seus livros favoritos”. Mas, será que já desejaram que ao ler as palavras tomassem formas e se transformassem em realidade?!

Pois isso é possível para Mortimer Folchart (Mo, para os íntimos). Mo, através de sua língua encantada, “preenchia o silêncio com palavras. Ele as atraia para fora das páginas, como se elas estivessem esperando apenas por sua voz – palavras longas e breves, altivas e ternas, ronronantes, rumorejantes. Elas dançavam pelo quarto, pintavam imagens de vidro colorido e faziam cócegas na pele”.

Coração de tinta é só o começo. Cornelia Funke, autora e ilustradora desse magnífico conto, nos presenteou com a trilogia Mundo de Tinta; repleta de aventuras, coragem, reviravoltas, afetos e vida! (literalmente).

Como se toda essa magia não fosse suficiente, o livro, bem como suas lindas epígrafes, faz referência a outras obras muito conhecidas e a personagens famosos da literatura; como: Pippi Meialonga, Alice no País das Maravilhas, Os contos das mil e uma noites, Peter Pan, ursinho Pooh e muitos outros.

Desfrute dessa história e permita que ela te guie para um lugar inusitado e tenha encantamentos à flor da pele! E lembre-se: “o bom dos livros é justamente isto: podemos fechá-los quando quisermos” (embora, eu espere que você, caro leitor desse blog, tenha sede por abrir cada vez mais livros!).

Ficha técnica
Título: Coração de tinta 
Autor: Cornelia Funke
Editora: Seguinte
Ano: 2006


Nossas indicações terminam por aqui!
Agradecemos por todos que nos acompanharam neste caminho.
Acompanhem nossas postagens, há muita novidade chegando por aqui.
Escrito com carinho por Rafaella, Eileen e Júlia

segunda-feira, 20 de março de 2017

Você precisa conhecer Pippi Meialonga

Pippi Meialonga (nome completo Pippilotta Comilança Veneziana Bala-de-Goma Filhefraim Meialonga) tem nove anos e é a menina mais forte do mundo. Tem duas tranças cor de cenoura e o rosto todo salpicado de sardas. Seu vestido é feito por ela mesma e todo cheio de retalhos coloridos. Pippi mora na Vila Vilekula, uma casinha situada numa cidadezinha muito, muito pequenina,  com o Sr. Nilson (um macaquinho) e um cavalo que fica no terraço. Ninguém mais. Muito melhor assim, pois "ninguém vinha dizer a ela que estava na hora de ir para a cama no exato instante em que ela estava se divertindo mais, e ninguém a mandava tomar óleo de fígado de bacalhau quando ela estava com vontade de chupar uma bala".

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Seu pai, Efraim Meialonga, é um capitão que navega os sete mares. Sua mãe está no céu. Seus vizinhos Aninha e Tom são duas crianças muito certinhas, penteadas e limpinhas para quem, depois que fazem amizade com Pippi, a vida nunca mais será igual. Pippi tem uma árvore que serve limonada geladinha (que os pequenos leitores rapidamente desconfiam ser colocada no oco da árvore pela própria Pippi), uma gaveta cheia de maravilhas trazidas de suas viagens com o pai que prontamente compartilha e mil aventuras malucas na manga. Divertida e nunca igual, não leva desaforo para casa, enfrentando valentões de todo tipo (inclusive dois policiais muito agressivos e cínicos terminam sendo lançados ao telhado da casa após testar continuamente a paciência de nossa heroína). Pippi dorme com os pés no travesseiro, organiza aventuras sensacionais, faz faxina patinando com dois escovões no pé e aproveita cada momento da vida com um entusiasmo contagiante. Faz as coisas do jeito dela, sempre causando o maior estranhamento, ao que responde, invariavelmente, com uma história fantástica sobre um lugar distante que ela teria conhecido em que as pessoas fazem as coisas exatamente assim, deixando Tom e Aninha (e os pequenos leitores) com a pulga atrás da orelha e pensando que, sim, as coisas podem ser diferentes em outros lugares e tempos e as convenções não são eternas nem imutáveis.  

Assim como para Tom e Aninha, minha vida mudou quando Pippi fez sua entrada triunfal em meu coração. É tão difícil escolher um trecho, dentre tantos maravilhosos, para mostrar o quanto essa menininha nos arrebata com sua espontaneidade e perspicácia. O trecho que escolhi expressa o amor-próprio da menina, relacionado a uma característica que, na época em que se passa a história, era considerada um grande defeito estético, que exigia tratamentos cosméticos prolongados. As três crianças estão passeando e Pippi vê algo na vitrine de uma perfumaria:


"A vitrine mostrava um grande pote de creme anti-sardas e, ao lado do pote, uma tabuleta com a pergunta: "VOCÊ SOFRE DE SARDAS?".
- O que está escrito ali - quis saber Pippi. Ela quase não sabia ler, pois não queria ir à escola como as outras crianças.
- Está escrito: "Você sofre de sardas?"- disse Aninha.
- Ah, é? Interessante… - disse Pippi, pensativa. - Bem, uma pergunta educada exige uma resposta educada. Vamos entrar!
A menina empurrou a porta e entrou, seguida de perto por Tom e Aninha. Atrás do balcão estava uma senhora de certa idade. Pippi foi direto para ela.
- Não! - disse, em tom decidido.
- O que você quer? - perguntou a senhora.
- Não! - repetiu Pippi.
- Não entendo o que você está tentando me dizer - disse a senhora.
- Não, eu não sofro de sardas - disse Pippi.
Agora sim, a senhora entendeu. Mas, depois de dar uma olhada para Pippi, ela comentou:
- Mas minha querida menina, seu rosto é completamente coberto de sardas!
- É mesmo! - respondeu Pippi. - Mas eu não sofro com elas. Eu gosto delas! Até logo!
Quando chegou à porta, Pippi olhou para trás e gritou:
- Mas se aparecer algum creme que aumente as sardas, por favor, mande entregar sete ou oito potes lá em casa!".


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Quem me apresentou Pippi foi minha mãe (O livro foi publicado no ano em que ela nasceu: 1945). Lá em casa, toda a criançada já riu, se encantou e empoderou com as peripécias dessa grande menininha criada pela genial Astrid Lindgren (não é à toa que o maior prêmio mundial de literatura infanto-juvenil leva seu nome).

Quando eu ia dormir, pensava em Pippi, no silêncio da Vila Vilekula, com os pés no travesseiro, cantando melodias de ninar para si mesma. Eu, do outro lado desse sonho literário, com meus pais por perto, sentia um pouco de tristeza ao pensar em Pippi tão sozinha. Ao mesmo tempo, entendia, de alguma maneira, que há uma solidão que sempre irá nos acompanhar. Ainda bem que Pippi me ensinou que isso não precisa ser ruim e que, dentro de nós, podemos encontrar generosidade, alegria de viver e uma força descomunal que nem imaginávamos ser possível.


Escrito por: Eileen Pfeiffer
Ficha Técnica:
Título: Pippi Meialonga
Autora: Astrid Lindgren
Ilustrações: Lauren Child
Tradução do sueco: Maria de Macedo
Editora: Astrid Lindgren
Ano: 2008 (publicado pela primeira vez na Suécia em 1945).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O Acervo Indica: 8a Edição

Olá Pessoal!
Mais um “Acervo Indica” na área para mandar umas indicações super iradas pra animar a sua, a minha, a nossa TV...não, nossa semana!
Cadê - Graça Lima

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Um menino e sua mamãe brincando de pique esconde, mas como encontrar uma criança tão criativa que se esconde atrás de um urso polar (que na verdade é a geladeira) e de um rinoceronte que é o sofá e outros bichos que a imaginação do menino permite. A criatividade infantil é trabalhada, além da visibilidade da criança negra em um personagem literário.

Ficha:
Cadê?
Autora: Graça Lima
Editora Nova Fronteira

Feita de Pano - Valéria Belém

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Uma menina vai costurando uma colcha de retalho, junto vai se costurando, a cada novo acontecimento. Com uma leitura ritmada, sonoramente gostosa, a gente pode trabalhar palavras novas, a arte e a importância da costura ao longo dos séculos, o uso da colcha e como a vida e seus acontecimentos tendem a uma grande colcha de retalhos. Com uma ilustração seguindo o estilo de cordel, é um resgate da cultura nordestina.

Ficha:
Feita de pano
Autora: Valeria Belém
Editora Companhia Nacional


Não existe dor gostosa - Ricardo Azevedo

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Pequenos poemas sobre doenças que as pessoas tem ao longo da vida. Falando sobre como o doente fica pra baixo e desanimado, explicando o porque as pessoas ficam doentes. As doenças são sumarizadas e é possível trabalhar uma doença ou mais por contação.

“Frieira, alergia, dor  cabeça, asma, bronquite e outras ites, catapora, resfriado, galo, dor de garganta, dor de barriga e até pum - quem nunca teve uma dessas chateações? Não existe dor gostosa, diz Ricardo Azevedo, mas existe um jeito de encarar as doenças, dores e fricotes do corpo com alto-astral e bom humor. Nestes poemas, o autor busca mostrar o lado divertido dos males que de vez em quando atacam a gente. E mostra que, no final das contas, a poesia é um santo remédio, sem contra indicações nem efeitos colaterais”.

Ficha:
Não existe dor gostosa
Autor: Ricardo Azevedo
Ilustradora: Mariana Massarani
Editora Companhia das letrinhas.

E por hoje é só, pessoal.
Espero que tenham gostado das indicações de hoje.
Até a semana que vem!
Beijos mediadores,

Nagy.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Nossa revista digital: Viagem Literária

Este ano teremos um especial de férias.
Em nossa revista continaremos com nossa postagem semanal com um tema muito especial! Viagem Literária!

Nossa programação já está montada!
Confira nosso itinerário:



















Prepare sua mala e venha com a gente <3



Confira nossa primeira parada é hoje! Às 19h
http://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2016/12/01/Intensiva-Viagem-Liter%C3%A1ria

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Acervo Indica: 5a Edição

Olá galera!
Mais um “Acervo Indica” na área com uma pegada bem brasileira nesta segunda. Quando você fica responsável por um acervo com dezenas de livros, percebe que cada livro, mesmo sem a intenção, acaba falando um pouco do lugar onde foi feito. Isso também acontece com o Brasil em seus diversos livros produzidos aqui. E um país tão grande e tão rico em regiões e diversidade não deixaria por menos na qualidade de livros que falam dele.

Seguem 4 dicas de livros que falam sobre o Brasil, ora contemplam suas lendas, ora sua fauna ou flora.

Yaguarãboia, a mulher-onça - Yaguarê Yamã e Maurício Negro

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Como surgem as lendas sobre animais incríveis? Eles simplesmente nascem espetaculares ou levam dias, meses ou anos para se constituírem assim? Yaguarãboia mostra que nem sempre os animais nascem como são e podem ser construídos e desenvolvidos através das escolhas pessoais do primeiro ser. É possível trabalhar com o leitor lendas de animais mitológicos famosos, conhecendo cada vez mais a história do Brasíl e sua formação cultural.

Ficha
Yaguarãboia, a mulher-onça
Autor: Yaguarê Yamã
Ilustrador: Maurício Negro
Editoria Leya

Lendas e mitos do Brasil - Theobaldo Miranda Santos

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Com nada menos que 55 contos, Lendas e Mitos do Brasil convida o leitor a conhecer os cinco cantos do país. Uma curiosidade sobre este livro é que a primeira edição dele é de 1955. Quantos contadores aqui tem 61 anos e acompanhou desde o lançamento? É um daqueles momentos de muita honra!

Ficha
Lendas e mitos do Brasil
Autor: Theobaldo Miranda Santos
Editora Companhia Editora Nacional

Um som...animal! Animais do nosso entorno - Lô Carvalho

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A galinha cacareja, o gato mia, o cachorro late. E a ovelha, o porco e o pato, qual é o som que eles fazem? Tem gente que não sabe que o sapo coaxa, o grilo cricrila, a coruja pia e que o pernilongo canta! A maioria nunca imaginou que o crocodilo ruge, o camelo blatera, a arara grita, tucano berra e onça urra... No meio de tanta gritaria, ainda bem que o papagaio fala e a ema suspira. O tatu? Coitadinho, ele choraminga! QUE, QUE, QUE... é a cotia gargalhando!”

Com ilustrações fofas, “Um som...animal!” faz pensar sobre o som que cada animal faz. As vezes, é difícil lembrar o que cada bicho emite de som e pensar por alguns instantes traz boas surpresas. Caso você tenha dificuldade com os sons, tem um vídeo no youtube que pode ajudar na contação e é muito divertido! Link: https://www.youtube.com/watch?v=RO_yqzE607o

Ficha
Um som...animal! Animais do nosso entorno
Autora: Lô Carvalho
Ilustradora: Ana Alzueta Sigaud
Editora Bamboozinho

Histórias da onça e do macaco - Vera do Val

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http://www.wmfmartinsfontes.com.br/iss.php?iss=foto.produto.zoom&cod=630

Desde que o mundo é mundo, a onça quer pegar o macaco. Para o que, não sabemos, mas Vera do Val decidiu recontar, com belas ilustrações de Geraldo Valério, histórias do folclore brasileiro dessa busca incessante da onça pelo esperto macaco, que sempre consegue um jeito de se esconder ou fugir.

Ficha
Histórias da onça e do macaco
Autora: Vera do Val
Ilustrador: Geraldo Valério
Editora WMF Martins Fontes

Deu para sentir o gostinho dessas riquezas do Brasil?
Abraços Mediadores,
Nagy

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Revista Digital

Convidamos nossos leitores a conhecerem nossa Revista Digital!
Depois de nossa Intensiva Poética em setembro, nossa Intensiva Medos e Monstros em outubro, traremos para nossos leitores em novembro obras com o tema de parentalidade.



Não percam! =)
Todas as quintas uma nova postagem para você!
http://www.revistalivrosabertos.org/

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O Acervo Indica: 4a Edição

Olá Pessoal!
Quem aqui está ansioso por mais um acervo indica?
Hoje faremos indicações assustadoramente interessantes com o tema “Dia das Bruxas” e que você sobreviva até o final deste post...
Muahahahaha!

Contos de terror do Tio Montague - Chris Prestley

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Este é um daqueles livros que você lê e quer que todo mundo leia depois. Com 11 contos de terror de deixar qualquer um de cabelo em pé, Chris Prestley nos apresenta Tio Montague e sua casa onde, cada objeto conta uma história diferente. Alguns contos possuem desfechos perturbadores e não é indicado para crianças e sim para os adolescentes. Sente-se na cadeira mais próxima e ouça Tio Montague e veja se consegue levantar depois…

Ficha:
Contos de Terror de Tio Montague
Autor: Chris Prestley
Ilustrador: David Roberts
Editora: Pavio

Sete histórias para sacudir o esqueleto - Angela Lago

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É possível contar histórias de assombração de maneira engraçada? Cemitérios, fantasmas e esqueletos em sete contos brasileiros que começam assustadores, mas terminam com uma pitadinha de humor (ou não).
Tia Maria, quando criança, se atrasou na saída da escola, e na hora em que foi voltar para casa já começava a escurecer. Viu uma outra menina passando pelo cemitério e resolveu cortar, fazendo o mesmo trajeto que ela.
Tratou de apressar o passo até alcançá-la e se explicou:
– Andar sozinha no cemitério me dá um frio na barriga! Será que você se importa se nós formos juntas?
– Claro que não. Eu entendo você – respondeu a outra. – Quando eu estava viva, sentia exatamente a mesma coisa.”

Ficha:
Sete histórias para sacudir o esqueleto
Autor: Angela Lago
Editora Companhia das Letrinhas

Bruxa Bruxa, venha à minha festa - Arden Druce

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Uma menina convida a bruxa para sua festa, mas ela não quer ir sozinha e a cada novo convidado, outro convite surge. A história em si não é assustadora, mas esse papel é muito bem cumprido pelas ilustrações.
Vire a página se conseguir!

Autor: Arden Druc
Ilustradora: Pat Ludlow
Editora Brinque Book



Hey… Oi?
vocês ainda estão aí ou fecharam a página por medo?
Espero que tenham gostado das indicações de hoje e segunda que vem tem mais.

Beijos Mediadores,
Nagy.

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