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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Distribuir palavras e felicidades

Todos querem fazer uma diferença no mundo. E muitos querem fazer uma diferença que fique marcada para sempre.

Venho pensando sobre uma das muitas formas lindas de fazer isso: deixar palavras registradas por aí – sobre pedras, sobre papel, sobre telas de computador.

Antônio Araújo Jr.

Em vez de ler o que outros já deixaram por aí e ficar marcados por isso, podemos ler o que outros já deixaram e fazer novos registros de vida – sim, eu também estou vivo! Espalhar nossos floquinhos de felicidade pelo mundo (muitas vezes, nem sabemos até onde eles podem voar!).

Vi um passarinho neném muito pequenino e muito precioso. Me contou sobre todas as viagens que planejava fazer e sobre todos os mundos que estava indo conhecer.
Era a possibilidade em asas.

Às vezes ficamos acanhados de mostrar nossos floquinhos de felicidade aos outros – talvez sejam floquinhos meio feios, daqueles sobre os quais nem detemos nossos olhos por mais de um segundo. Mas talvez sejam floquinhos tão singulares e tão especiais para outra pessoa, que se chega a falar “Oh!, eu não tinha reparado nesse daí”.

Tento distribuir os meus por aí.

Vou juntando todos os pedacinhos de coragem que for encontrando por aí – debaixo de pedras, de amores e de nuvens – e guardando-os nos meus bolsos.
(Aí pego uns punhados dessa essência de coração de leão e tento deixá-los pelo mundo com minhas asas de passarinho.)


Thomaz Offrede

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Carta aos amigos

Brasília, 01 de maio de 2014


Caros Mediadores:



Um ano se completa desde o meu primeiro post nesse blog, um ano e meio se passaram desde que eu me reuni pela primeira vez com a professora Eileen e os mediadores, contando com a Jéssica que levou a Andressa e consequentemente me levou, que logo depois saiu do projeto deixando a gente “sem amigos” sem conhecer ninguém e sem ter ideia do que fazer ou aonde enfiar a cara.

Conquistei a amizade dos meus amigos mediadores, nutri uma admiração profunda pela professora coordenadora do projeto, Sim é você mesmo Eileen =*, e tenho me esforçado para ser um bom mediador e um bom colega.
Parte dos mediadores deixou o projeto, deixando uma saudadezinha no coração, com seu comportamento implicante, outros mais sensíveis e alguns outros mais críticos e engraçados. Esse “espaço” foi preenchido com novos mediadores, novas cabeças, novas ideias, e tem sido muito bom.

Antes, eu só tinha a visão do lado de cá, do novato, do aprendiz, de que eu não sabia o que estava fazendo e tinha que improvisar tudo do meu jeito, e o medo de não estar seguindo a proposta do projeto era constante e se um dia a Eileen soubesse disso eu ia ser excomungado do projeto por ser um farsante. Imagina a humilhação...
Agora parece que sou eu quem é o experiente da turma, que esta a mais tempo do que a maioria, que já conhece os paranauê da contação e por isso não passa por problemas como falta de atenção dos meninos, agitação deles, falta de interessa no livro, etc.

Só queria dizer que isso ai é maior fantasia. Mesmo hoje eu fico ansioso de ir pra contação e de qual vai ser o humor que as crianças vão estar, que existem dias bons e ruins em toda a vida do mediador e que a gente sempre acaba cometendo um errinho aqui e ali seja por falta de experiência ou porque a criança falou que você era um viadão com voz anasalada de travesti.

Novos mediadores do projeto, não se preocupem, o que vocês passam eu já passei e continuo na labuta, é assim mesmo. A gente só tem que continuar trabalhando e crer que haverá frutos desse trabalho maiores do que a gente imagina, frutos que a gente vai ver e resultados que e a gente não vai, no final o que vale é se divertir e ter certeza de que na próxima vez você pode fazer melhor.



“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim...” Filipenses 3:13



Atenciosamente

BoscoJoao :D

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Seja um Mediador!


Hoje é um dia diferente! 
Por quê?
Porque você não será um leitor passivo de nosso blog, ou somente um observador. A partir de hoje você pode fazer parte da nossa equipe de mediadores de leitura!

Se tiver interesse, ou quiser mais informações, mande um e-mail para: 

 livrosabertos01@gmail.com


Oportunidade única de conhecer, aprender e ampliar o olhar sob os livros que lê, compartilhe esse prazer!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Diário do Contador: Barbara Araujo


                                                    "Tia, ela é mágica!"

Com as festas finais nós começamos a dar adeus ao ano que está acabando e estendemos os braços para outro período de 365 dias. O mês de dezembro é o mês não só das festividades, mas também das reflexões pessoais sobre o ano que está se esvaindo, e dentre uma divagação e outra consequentemente nos perguntamos: será que fiz a diferença esse ano?
Fiz essa pergunta hoje de manhã, entre um pão com manteiga e café quente, me preparando para meu último encontro com as crianças da escola em que sou mediadora de leitura pelo Projeto.
Pensei nisso em todo o caminho até meu destino e encontrei várias respostas, positivas e negativas, mas só quando me deparei de frente para o portão da escola eu percebi uma coisa e em seguida auto questionei-me: Será que fiz a diferença para essas crianças nesse ano?
O barulho e a empolgação das crianças para a festinha de encerramento da contação em minha turma abafou os meus pensamentos e os esqueci. Enquanto todos estavam em suas mesas já servidos com seus bolos e copinhos com pipoca e fui conversar com duas alunas que estavam pintadas com maquiagem rosa. “ Nossa que bonitas estão com essa maquiagem! – eu disse” , uma das alunas voltou seus olhos para mim e disse “ a maquiagem é minha tia! – e de repente com olhos arregalados e dando um sinal com a mão para que eu chegasse mais perto ela falou – Ela é mágica tia! Shhhhhhhhh é segredo, não pode contar pra ninguém ! ”
Naquele momento minhas reflexões vieram à tona como um grande clarão em minha mente e percebi que aquelas palavras eram a minha resposta. Aquela aluna me mostrou com a sua sinceridade, inocência e fé, que ela acredita no irreal, acredita que aquela maquiagem fará coisas que esse mundo não fará por ela. Ela me mostrou um dos maiores dons do ser humano, o dom da imaginação. E qual mediador de leitura não quer que a criança acredite no fantástico?
Depois dessas palavras uma crise de riso brotou em mim seguidamente de uma sensação de orgulho  por pensar que eu contribui por meio das histórias que eu contei durante o ano para que aquela criança continuasse a ser criança. Pode ter sido muito pouco mas a diferença é exatamente criada quando há mudanças, mesmo não sendo perceptíveis.
 E agora eu te pergunto leitor, será que você fez, mesmo que pouco, a diferença nesse ano? Se sim, parabéns e continue crescendo ainda mais. Se não.... Bom, o ano ainda não acabou! Pegue um pouco de determinação e vontade, junte os dois e você se surpreenderá com os resultados!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dia Nacional do Livro Infantil: Reflexões sobre a escola e a leitura



Por Maria Freire[1] e Eileen Pfeiffer Flores

Olá, caros leitores! A leitura está, realmente, na pauta do dia. Hoje estamos festejando o Dia de Monteiro Lobato e o Dia Nacional do Livro Infantil. Ao mesmo tempo, em comemoração aos 52 anos de Brasília, a cidade está sediando, desde 14 de abril, a 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, com o compromisso de transformar Brasília na capital do livro e da leitura. Vale a pena conferir a programação, que tem muita coisa interessante, entre seminários, palestras, lançamentos, bate-papos com escritores, música, poesia e performances. Um dos focos da Bienal é a questão das políticas para ampliação do acesso aos livros e a formação de novos leitores.
 Como sabemos, em nosso país, para muitas crianças, o ato de ler só se inicia na escola, a qual teria a função de estimular o prazer de ler e a busca pelo saber, oferecendo meios que viessem a seduzir o aluno e despertar seu desejo pela busca dos livros e da leitura. No entanto, os últimos resultados da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro[2], foram muito desanimadores, indicando que 55% dos entrevistados não leram nenhum livro nos últimos meses (nem inteiro, nem em partes, e incluindo a Bíblia e os livros didáticos!!). Essas pessoas incluem tanto estudantes quanto pessoas formadas. Como isso é possível? O que está fazendo com que a escola, muitas vezes, afaste as pessoas da leitura, em vez de aproximá-las?
No sábado, dia 14, tivemos a oportunidade de assistir "A mediação da leitura" com representantes do PROLER, MEC e Programa Arca das Letras/MDA. A grande questão que surgiu durante o debate foi a questão do mediador de leitura. Para muitas crianças, os professores seriam os principais mediadores de leitura e a escola, o primeiro contato com livros. Mas o que se percebe é que no processo de leitura, a literatura, bem como toda a cultura criadora e questionadora, não está sendo explorada como deve nas escolas. A formação acadêmica, infelizmente não dá ênfase à leitura. É verdade que, para o leitor em formação, a aprendizagem da leitura não cabe apenas a escola, mas também a família. Mas, insistimos, a escola pode ser a primeira oportunidade de contato com o mundo da leitura para a maioria das crianças no Brasil. Se a escola não der início ao processo e não incluir a família e a comunidade, como poderá ocorrer a mudança? E, conversando sobre o seminário depois, surgiu a questão: como os professores podem ser mediadores que façam diferença se não forem, eles mesmos, leitores? Continuarão a considerar a leitura como mero entretenimento ou como pretexto para tarefas escolares.

 Finalizamos com uma citação do homenageado de hoje que expressa com perfeição o que está a nos inquietar:

A inteligência só entra a funcionar com prazer, eficientemente, quando a imaginação lhe serve de guia. A bagagem de Julio Verne, amontoada na memória, faz nascer o desejo do estudo. Suportamos e compreendemos o abstrato só quando já existe material concreto na memória. Mas pegar de uma pobre criança e pô-la a decorar nomes de rios, cidades, golfos, mares, como se faz hoje, sem intermédio da imaginação, chega a ser criminoso. É no entanto o que se faz!... A arte abrindo caminho à ciência: quando compreenderão os professores que o segredo de tudo está aqui? (Monteiro Lobato, 1923).[3]




[1] Estudante de Letras na UnB e mediadora de leitura do Projeto Livros Abertos.
[3] Citado em Bignotto, C.C. (s.d.) Monteiro Lobato e a infância na república velha. Disponível em: http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/RepublicaVelha.htm