quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Não se intimide com a primeira reação das criaças

Cheguei com um livro diferente embaixo do braço, levei um livro de contos, com poucas ilustrações, a capa era da cor rosa e o título era, aparentemente, impossível de agradar a gregos e troianos. Princesas e damas encantadas é uma coletânea de contos celtas da Editora Martin Claret, é um livro de uma extensa coleção que nos traz contos orientais (China e Índia) e ocidentais (Europa).


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 Ao verem a capa, espalhafatosa, linda de se ver (e para decorar estantes), as crianças prontamente reagiram - infelizmente, devido as conservas culturais de gênero - as reações foram óbvias.
"QUE LINDO, TIA!", disseram algumas das meninas.
''E ECA!", disseram alguns dos meninos - um nem quis tocar na capa, aquela crença que o rosa tem poder de transformar meninos em meninas -  em fadas -  ainda persiste nesta geração. =,( '
'Você não gosta de contos de fadas?'', lembro de ter perguntado e lembro sua resposta: '''Não! Nenhum!''.

Em outras ocasiões, principalmente se fosse uma das minhas primeiras contações, eu, com certeza, teria me sentido insegura. E logo teria me metido entre as estantes da biblioteca, para achar um outro livro para contar. Seria difícil localizar um livro que já conhecesse, então muito provavelmente julgaria um livro pela capa e improvisaria uma contação.

Mas ao longo das contações, conforme vamos acumulando experiências e vamos conhecendo o grupo, essas inseguranças vão minguando. Não me deixei abalar ou me intimidar com a reação de recusa dos meninos - principalmente daquele que se afastou do grupo e sentou no outro canto da sala. 

Eu já conhecia as crianças, havia me preparado e escolhido um conto chamado Árvore de Ouro e Árvore de Prata, um conto cheio de intrigas e idas e voltas, trata-se de uma mãe (Árvore de Prata) que descobre que não é a mais bela do mundo, e sim sua filha (Árvore de Ouro), ela tenta matá-la várias vezes. Em uma das vezes Árvore de Ouro é salva pela segunda esposa de seu marido - sim isso mesmo, uma história de novela. 
Uma das coisas mais interessantes dessa história é que o rei o o príncipe sempre estão ausentes, por isso cabe a ela - Árvore de Ouro se virar sozinha, ou com ajuda de seus criados e outras mulheres. 

Eu sabia que se elas dessem uma chance, iriam adorar esta história.

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E, de fato, todas elas ficaram encantadas com a história, envolvidas e participaram do início ao fim, com direito a dramatizações de desmaio. Uma das coisas interessantes desse conto é sua proximidade com outros contos de fadas que eles conheciam, como Branca de Neve, Rapunzel e A Bela Adormecida. 

Quando digo que todos participaram isso inclui aquele menino que disse que odiava contos de fadas - o mesmo que se sentou afastado do grupo. Na verdade, assim que a intriga começou ele chegou para perto da gente. Curiosamente, ele foi o que mais participou, o que mais entrou na história e o que mais compreendeu as motivações de cada personagem. 

Ao final da história, eu perguntei:
"Vocês gostaram da história?".
Todos disseram sim, e pediram para eu trazer histórias assim de príncipes e princesas, com exceção do mesmo menino que respondeu que não gostara nem um pouco da história. Eu sorri para ele, e me peguei pensando: "imagina se você tivesse gostado então!".
Escrito por: Júlia Gisler

Ficha técnica
Título: Princesas e Damas Encantadas
Autor: Joseph Jacobs
Editora: Martin Claret
Ano de edição: 2013

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O Acervo Indica: 4a Edição

Olá Pessoal!
Quem aqui está ansioso por mais um acervo indica?
Hoje faremos indicações assustadoramente interessantes com o tema “Dia das Bruxas” e que você sobreviva até o final deste post...
Muahahahaha!

Contos de terror do Tio Montague - Chris Prestley

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Este é um daqueles livros que você lê e quer que todo mundo leia depois. Com 11 contos de terror de deixar qualquer um de cabelo em pé, Chris Prestley nos apresenta Tio Montague e sua casa onde, cada objeto conta uma história diferente. Alguns contos possuem desfechos perturbadores e não é indicado para crianças e sim para os adolescentes. Sente-se na cadeira mais próxima e ouça Tio Montague e veja se consegue levantar depois…

Ficha:
Contos de Terror de Tio Montague
Autor: Chris Prestley
Ilustrador: David Roberts
Editora: Pavio

Sete histórias para sacudir o esqueleto - Angela Lago

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http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/492/3084492.jpg

É possível contar histórias de assombração de maneira engraçada? Cemitérios, fantasmas e esqueletos em sete contos brasileiros que começam assustadores, mas terminam com uma pitadinha de humor (ou não).
“Tia Maria, quando criança, se atrasou na saída da escola, e na hora em que foi voltar para casa já começava a escurecer. Viu uma outra menina passando pelo cemitério e resolveu cortar, fazendo o mesmo trajeto que ela.
Tratou de apressar o passo até alcançá-la e se explicou:
– Andar sozinha no cemitério me dá um frio na barriga! Será que você se importa se nós formos juntas?
– Claro que não. Eu entendo você – respondeu a outra. – Quando eu estava viva, sentia exatamente a mesma coisa.”

Ficha:
Sete histórias para sacudir o esqueleto
Autor: Angela Lago
Editora Companhia das Letrinhas

Bruxa Bruxa, venha à minha festa - Arden Druce

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http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/238/209238.jpg

Uma menina convida a bruxa para sua festa, mas ela não quer ir sozinha e a cada novo convidado, outro convite surge. A história em si não é assustadora, mas esse papel é muito bem cumprido pelas ilustrações.
Vire a página se conseguir!

Autor: Arden Druc
Ilustradora: Pat Ludlow
Editora Brinque Book



Hey… Oi?
vocês ainda estão aí ou fecharam a página por medo?
Espero que tenham gostado das indicações de hoje e segunda que vem tem mais.

Beijos Mediadores,
Nagy.

Quer mais dicas de livros assustadores?
Acesse agora nossa revista digital e reveja nossa Intensiva Medos e Monstros
http://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2016/09/29/Intensiva-Medos-e-Monstros




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O Acervo Indica: 3a Edição

Oi pessoal!
Preparados para mais um acervo indica? A proposta de hoje é temática e tem um convite para vocês!

Existe uma categoria de livros infantis que costuma meter medo em muito mediador e contador de histórias por aí: o livro de imagens, conhecidos também por picture books. Sem frases que guiem a mediação, o livro de imagens permite uma leitura ampla e singular da história, seguindo a perspectiva da criança e exigindo do mediador jogo de cintura e acolhimento com os conteúdos que o leitor trouxer.
Hoje temos a indicação de três livros assim e um convite especial, vamos lá?

A caixa de lápis de cor - Maurício Veneza

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Este livro é lindo, mas tão lindo que essa foi a primeira coisa que eu achei importante trazer nessa indicação. Um menino engraxate que recebe uma caixa lápis de cor ao invés de dinheiro e cria um mundo todo seu é a história do livro “A caixa de lápis de cor”. Poético e divertido, o livro permite dialogar com a criança a respeito de crianças em situação de vulnerabilidade e a possibilidade de criar novos mundos através da arte.

Autor: Maurício Veneza
Editora: Editora Positivo.
Ano de Edição: 2008

Modelo Vivo, Natureza Morta - Cárcamo

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Modelo Vivo, Natureza Morta é um livro emocionante. Falando da oposição de atos e pensamentos do homem. O que vale mais: o quadro ou o animal retratado nele? A natureza ou a lenha feita da árvore pintada? É um livro que traz muitas reflexões em suas páginas ilustradas lindissimamente por Cárcamo.

Autor: Cárcamo.
Editora: BERLENDIS & VERTECCHIA
Edição: 2ª Edição - 2015


Ladrão de galinhas - Béatrice Rodriguez

O Ladrão de Galinhas
http://www.fnac.pt/O-Ladrao-de-Galinhas-Beatrice-Rodriguez/a363520

“Uma raposa sequestra uma galinha e foge. O urso, o coelho e o galo a perseguem dia e noite, por vales e bosques, atravessando o mar e o deserto. Ate que por fim, exausto, chegam ao seu esconderijo, mas…”

A temática de que toda história tem, no mínimo, duas versões e que precisamos parar para escutá-las é trabalhada neste livro com ilustrações encantadoras e um final surpreendente e fofo.

Autor Beatrice Rodriguez
Editor: Bags of Books
Ano: 2011



Três livros que sem qualquer frase, mas muita história para contar! Que tal tentar?

Se você sente dificuldade em contar histórias de livros sem imagens ou nunca contou e quer muito aprender como extrair o máximo desses tesouros, nós do Livros Abertos gostaríamos de convidar para a 5ª edição do “Conta Comigo!”, uma sequência de atividades voltadas para a arte da mediação de leitura. Das 10h às 16h, no auditório da Psicologia (AT 141).
Venha nos conhecer!

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Nós contamos com você!
E você?! Conta com a gente?


Abraços mediadores,
Nagy.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Acervo Indica: 2² edição

Olá leitores!
Cá estou novamente com indicações de livros do nosso acervo. Quatro livros que estão super empolgados em conhecer novas crianças e com temáticas variadas, para ninguém ficar de fora.



Grande Assim - Mhlobo Jadezweni  e Hannah Morris


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(http://images.shoptime.io/produtos/01/00/item/7434/1/7434141SZ.jpg)

Escrito em português e em isiXhosa ( uma das onze línguas oficiais da África do Sul), Grande Assim conta a história de Tshepo, um menino que queria ser grande e, de tanto desejar, cresce de um modo inusitado, virando uma enorme árvore. Esse livro é rico em propostas de mediação, uma vez que podemos trabalhar desde assuntos ligados à botânica e a relação com o meio ambiente como o desejo das crianças em crescerem logo, além de assuntos como a existência de outras línguas e a nossa compreensão sobre a diversidade de pessoas. As ilustrações de Hannah Morris são um caso de paixão grande assim!  


Ficha:
Grande Assim
Autor: Mhlobo Jadezweni
Ilustradora: Hannah Morris
Editora Peirópolis.


Quando isso vira aquilo - Guto Lins


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(http://www.rocco.com.br/admin/Imagens/Capa/quando-isto-vira-aquilo.jpg)
Guto Lins brinca com a possibilidade das imagens virarem outra coisa nesse livro que não tem começo e nem fim. As imagens se ligam, transformando cobra em onça e banana em cobra e permitindo que a imaginação das crianças corra solta no meio desse caminho. O livro sem texto abre margem para qualquer hipótese que a criança traga, exigindo do contador um gostoso jogo de cintura e mente aberta no acolher suas falas e ideias.


Ficha Técnica:
Quando isso vira aquilo
Autor e Ilustrador - Guto Lins
Editora Rocco, Fio


Livro da 1ª vez - Otávio Frias Filho e Guto Lacaz


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(http://cdn.30porcento.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/capas/9788575033166.jpg)

Todo mundo fica um pouco ansioso com as coisas que pela primeira vez vão acontecer. Seja a primeira injeção, a primeira bronca e o primeiro beijo. Com pequenos contos, o autor conversa com a crianças sobre as mais diversas situações constrangedoras que acontecem na nossa primeira vez, independente de qual seja ela. Para crianças maiores que começam a habitar outros ambientes além da própria casa e para preparar os menores para esse momento.


Ficha Técnica:
Livro da 1ª vez
Autor: Otávio Frias Filho
Ilustrador: Guto Lacaz
Editora: Cosac Naify


Histórias à Brasileira - Ana Maria Machado e Odilon Moraes


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(https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyFbsCsVzLSGxyMiittvpFGFUcvantQDu0yKQnHxJEmjxDgQugxOjnRJI3eQpGKIHGVG17gELjh3wAR9EYsE3iXHrO7QQXqKRRyyECB_VyngEaI3Jvy_eB8s2yOejUCwPhdkv1eDwAN38/s400/Hist%C3%B3rias+%C3%A0+Brasileira+-+Ana+Maria+Machado+vol+1.jpg)

Uma coletânea de histórias tradicionais brasileiras são recontadas após seguir a histórica oralidade que permeia a transmissão de contos antigos, que não se sabe quem contou primeiro, mas sabe-se que foi contada. Refletindo o espírito brasileiro da época, esse livro é um prato cheio para trabalhar histórias com as crianças, além de pequenas lições que são aprendidas durante a contação.


Ficha Técnica:
Histórias à Brasileira
Autora: Ana Maria Machado
Ilustradora: Odilon Moraes
Editora: Claro Enigma.


E com essas quatro indicações encerramos mais esse ‘O Acervo Indica’ torcendo que vocês tenham gostado dos livros e que se aventurem no mundo das indicações conosco nos comentários.
Acompanhem nossas próximas publicações, todas as segundas feiras! =)


Abraços mediadores,
Nagy.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Livros ao mar! Uma rede de cuidado que enlaça

Quando preparamos uma mediação é normal ter o sentimento de insegurança. Mesmo que seja em um território familiar e com pessoas familiares, sempre nos bate aquela onda de questionamentos: Como será? Vai dar tudo certo? Vão compreender a leitura? Haverá participação? Essas sensações são ainda mais intensas [e desafiadoras] diante de um público novo.

O convite do projeto Enlaces para mediar com membros da APAE foi como um tsunami que nos sacudiu. Havia duas opções: fazer nada ou nadar sobre essas ondas desafiadoras. 

O livro Onda, da autora Suzy Lee, foi a bússola escolhida para nos guiar nessa emocionante tarefa! 
Assim como a personagem desbrava essa imensidão azul, nós (Rafaella e Jéssica) desbravamos e nos encantamos com jovens e adultos sedentos por atenção e cheios de histórias para compartilhar. Introduzimos a oficina com uma apresentação do que é o Projeto “Livros Abertos” e seu objetivo. Nesse momento eles se mostraram um pouco indiferente. Não sabíamos se estava sendo efetivo e se estavam entendendo. Porém, foi importante. Logo após, organizamos uma gincana em roda para conhecer o grupo. Utilizamos a cantiga “A canoa virou” e cada pessoa que “não soube remar” entrava na roda e dizia seu nome. Foi excelente! Todos apresentados, chegou a hora da história. 


Eles não tinham lido um picture book ainda (livro só de imagens), mas E conseguiram captar a essência do projeto através de varias intervenções maravilhosas. Todos participaram: compartilharam experiências de vida, questionaram atitudes da personagem, se colocaram no lugar dela, riram, demonstraram receios, entre outras coisas fantásticas. Ao final da contação, colocamos um vídeo com as ondas do mar e passamos um óleo de eucalipto para que sentissem o frescor – remetendo a brisa praiana. 

Por fim, oferecemos uma oficina livre de criação. Eles puderam representar as suas próprias interpretações da Oficina por meio de desenhos, pinturas, gravuras, colagens, confecção de barquinhos de papel e modelagem com argila. O ambiente foi composto por conchas, barquinho de madeira, estrela do mar e uma maré de felicidade que batia com um suave impacto.
Poder conduzir essas atividades foi como o primeiro “mergulho no mar”: no início dá um frio na barriga, mas quando se está lá dentro não dá vontade de sair!



=) Um grade abraço,
Rafaella e Jéssica.

Confira nossas dicas de mediação do livro Onda em nossa revista digital! 
http://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2015/12/01/Onda-Suzy-Lee

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O acervo indica:

Olá, leitores!
Quando eu adquiro um novo livro, penso nos outros que estão na minha estante e que já foram lidos (ou não). Penso neles como pessoas que conhecemos e que gostamos muito, mas que nem sempre conseguimos dar a devida atenção por inúmeras razões que prefiro não pontuar aqui, para não deixar ninguém triste pensando nisso.
Esse pensamento acabou ficando mais forte quando, junto com outras duas mediadoras, assumi a atividade de cuidar do acervo do Livros Abertos. Com aproximadamente mil livros, percebi que alguns se tornavam mais ‘populares’ entre os mediadores e outros eram deixados quietinhos, impossibilitados de realizar a sua grande missão na vida: conhecer novas pessoas. Como o grupo sempre tem novos mediadores, dependendo do período podemos perder os grandes momentos de determinados livros.
Foi pensando nisso que nós do acervo criamos um novo tópico no blog, onde indicaremos livros que não estão recebendo o devido prestígio, sendo mantidos cativos em nossa estante, longe das mãos e dos olhos das crianças e dos mediadores.
Vocês podem dar sugestões de tema, de quais informações seriam interessantes de serem apresentadas e coisas legais que poderiam ser abordadas.


Nesta primeira vez, como apresentação, escolhemos quatro livros:


Pê de Pai - Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho.

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“Para agradar o filho, o pai assume as mais diferentes formas. O pai avião levanta o seu filho nas nuvens. O pai motor dá aquele empurrãozinho quando bate a preguiça…”


Pê de Pai traz as possibilidades que um pai pode assumir para ajudar, agradar ou acarinhar seu filho. Usando rimas e ilustrações simples, o pai pode assumir o papel de ambulância, de cavalinho ou de colchão, dependendo da necessidade de seu filho. O livro permite trabalhar a visão da criança sobre seu pai, suas experiências especiais e de cumplicidade entre eles, além de perceber que nem todo pai é parecido e que algumas crianças podem ter dois ou nenhum pai, tocando na perspectiva de família.


Ficha:
Pê de Pai
Autor: Isabel Minhós Martins
Ilustração: Bernardo Carvalho
Editora: Cosac Naify


A cama da mamãe - Joi Carlin e Morella Fuenmayor, com tradução de Ana Maria Machado

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwn69xedbEO0bKGXXs-UT1KTBLSORn5uE6jVD-KBz1LVg5qWpkIoDV1ixfKGoBkO6FitzYZ-5WzDlw81m0ZCDy2Vl5T8Jtbe8GDbhShwEigMeYfiiYpdO_74IvGED5PUp_J9JHIw23WzI/s320/21312545_4.jpg

Seguindo a temática familiar, A cama da mamãe fala do lugar mais gostoso do mundo: a cama da nossa mãe. Quem nunca foi para o quarto dela depois de um pesadelo, dor ou tristeza para se sentir seguro e acolhido? Na história, os personagens mostram as mil e uma utilidades deste lugar e possibilitam trabalhar a dinâmica familiar. Assim como no livro “Pê de Pai”, a relação entre a criança e sua mãe e a configuração familiar podem ser trabalhadas durante a contação, além de explorar as ilustrações riquíssimas que são apresentadas.


Quem quiser dicas de mediação dessa obra, pode acessar a nossa revista digital aqui.


Ficha:
A Cama da Mamãe
Autor: Joi Carlin
Ilustrador: Morella Fuenmayor
Editora: Salamandra



Eduardo e os elefantes - Celso Sisto e Aline Abreu

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“Se uma história tem duas versões, qual é a que vale?”


A primeira coisa que chama atenção neste livro são as ilustrações coloridas e aparentemente soltas, mas que logo tomam formas de elefantes. Mas o que são os elefantes e porque eles incomodam tanto o pequeno Eduardo? Ou será que é Eduardo que incomoda os elefantes? A história fala dos sentimentos e das atitudes nem sempre "bem vindas" da criança que anda emburrada e brava pelos cantos. Permite mostrar para a criança que alguns atitudes e pensamentos podem ser trabalhados se você estiver disposto a se cuidar e pedir ajuda. A tentativa é tornar a criança um grande domador dos elefantes que são nossos sentimentos mais intenso.


Ficha:
Eduardo e os elefantes
Autor: Celso Sisto
Ilustradora: Aline Abreu
Editora: Melhoramentos


Um menino chamado Negrinho - Hellenice Ferreira e Luís Silva.

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Com uma das mais belas ilustrações que eu já tive a possibilidade de ver até hoje, Um menino chamado Negrinho conta a lendária (e triste) história do Negrinho do Pastoreio. Quando peguei este livro para indicação pensei no resgate da história que é bastante conhecida, mas que com o passar do tempo foi perdendo seu espaço nos livros e histórias atuais. Os temas que podem ser trabalhados vão desde a racismo, escravidão dos negros no Brasil, religiosidade e até a morte são riquissimamente abordados não apenas no texto, como nas imagens que buscam ser leves e gentis aos olhos das crianças.


Ficha:
Um menino chamado Negrinho
Autora: Hellenice Ferreira
Ilustrador: Luís Silva
Editora: Escrita Fina


Essas são nossas  indicações por hoje!  


E você tem bons livros que estão meio esquecidos? Que por um tempo foram sua indicação para todos os amigos e agora você só lembra deles quando mexe na estante? Conta pra gente!


Abraços mediadores,
Nagy.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Diário da contadora: Avaliando as Mediações!

No último dia do semestre decidimos fazer uma avaliação das mediações. Então eu e minha colega Angélica pensamos em deixar as crianças criarem histórias. Uma história sobre a melhor contação do semestre. Uma história sobre a pior contação e uma história sobre a melhor contação possível. Já adianto que a pior contação não teve história, elas apenas falaram os livros que não tinha gostado. Já em relação a melhor contação e a melhor possível contação as crianças soltaram a imaginação. Assim dividimos a turma do 2º ano C em três grupos, um conduzido por mim, outro pela Angélica e o último por nós duas.

Era uma vez uma tia chamada Sara, ela tinha 43 anos, ela contava histórias, mas ela tinha um segredo. Ela era feiticeira. Um dia ela fez uma poção para que o livro fosse bom, o nome do livro era “O Papão”. A feiticeira Sara transformou esse livro no livro “Folha”, pois era bom também. A história era sobre as crianças que criavam histórias. A feiticeira descobriu que o livro do Papão era de sua mãe falecida, quando Sara tinha três anos. O livro contava sobre uma avó que fez pão de mel para as netas, mas o papão comeu os pães e as netas. Esse livro tinha emoção, luta e terror, mas foi a magia da feiticeira Sara que fez essa ser a melhor contação e também a fez rejuvenescer. Ela ria e deixava as crianças brincarem. E assim, Sara a feiticeira ruim virou a melhor contadora do reino de Brasília. Ainda assim, a voz da feiticeira Sara era assustadora, as crianças ficavam com medo, isso não era bom, mas para a contação era bom e fim.
Por Olga, Juliana, Luciana, Ohana e Sara.




A história do menino.
Era uma vez cinco crianças na pizzaria, havia uma menina com um urso, ela estava com a mãe, e havia uma mulher contando histórias. Os meninos saíram e levaram um livro sobre a Minie. Assim que saíram todas as crianças morreram.

A melhor contação seria pulando de paraquedas, a contadora e as crianças, mas o paraquedas furou e no chão havia uma almofada. Foi ai que Moisés tirou sua camiseta e com uma cola que estava em seu bolso colou o buraco do paraquedas e salvou a todos. Assim todos caíram uns em cima dos outros, foi nesse momento que apareceu um gato e dormiu sobre eles.
Por Ian e Moisés.

O Palhaço, uma história de terror.
Havia uma menina escondida no porão do parque com um palhaço. Ela tinha que fugir, mas o palhaço estava atrás da porta. O homem das câmeras fugiu, pois o palhaço o perseguia, foi ele que espalhou bombas por todas as casas, acionou-as e fugiu, pois eram 18 horas e o sol estava a se pôr.


As histórias acima configuram uma tentativa de avaliar as contações, pois mesmo que ao fim da contação sempre perguntamos as crianças o que elas acharam da mediação, muito nos escapa. Eu mesma não sabia que o livro do “O Papão” havia agradado tanto, que algumas crianças até o pegaram emprestado na biblioteca da escola para ler em casa. Daí a importância de sabermos a opinião das crianças sobre o nosso trabalho, pois nós as influenciamos. Assim o que fica dessa experiência é a necessidade de darmos as crianças um espaço para que aja crítica também sobre as nossas mediações. Somente a insistência na prática da avaliação das mediações possibilitará a criação de espaços que podem ser melhorados na Leitura dialógica.

Ficha:

"O Papão"
Autor: Pablo Albo
Editora OQO Editora

"Folha"
Autor: Stephen Michael King
Editora: BrinqueBook

por Sara Meneses.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Revista Digital: Confira nossas novidades!

Olá, leitores!



Vocês tem acompanhando nossas postagens da revista digital? Fica o lembrete para quem está buscando por dicas de leituras e mediações!

Apresentamos a vocês na última quinzena duas obras que podem despertar discussões sobre diversidade, mudanças e imigração!
1) Selvagem de Emily Hughes: http://www.revistalivrosabertos.org/#!Selvagem-Emily-Hughes/cu6k/5741cf9b0cf2d0f13cec4af6
2) Eric de Shaun Tan: http://www.revistalivrosabertos.org/#!Eric-Shaun-Tan/cu6k/5759ae9d0cf2b2ec5182a320

Compartilhem conosco sua experiência de contação e nos deixem sugestões para as próximas postagens!