quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dica de Mediação - "Os dez amigos" (Ziraldo)



Em uma das minhas mediações com crianças do 1º período (4 anos), utilizei o livro escrito por Ziraldo que se chama: Os dez amigos. A historinha consiste em uma conversa entre os dez dedos das mãos, em que cada dedo se apresenta aos outros (mínimo, mindinho, indicador, fura-bolos, anular, médio...) e brincam juntos.  
Como o livro foi utilizado com crianças em idade de alfabetização, podemos explorar tanto aspectos da história em si quanto em relação a letras, cores, números... Seguem algumas dicas:
  1.  Perguntar se as crianças já tiveram contato com alguma outra obra do autor, como por exemplo "O menino maluquinho", que é bastante conhecido;
  2. Pedir para que as crianças contem os dedinhos;
  3. Explorar as cores de cada página;
  4. Podemos perguntar quais as possíveis explicações para os "apelidos" de cada um dos dedos. Essa parte foi a que mais explorei na minha experiência.
    Ex:
    "- Por que o dedo médio também é chamado de "pai-de-todos"? "
    "- Porque ele é o maior de todos." - (Uma das respostas das crianças).
    Em relação aos dedos chamados "mata-piolhos" e "fura-bolos", também foi possível questionar sobre as experiências das crianças.
    Ex:
    "- Quem já teve piolho?"- Algumas crianças respondiam que já haviam tido e assim eu perguntava:
    "- Como a mamãe matou o piolho?" - E as crianças faziam o gesto com as mãos utilizando o polegar. A partir da experiência relatada, era possível atribuir significado aos apelidos dados aos dedinhos;
  5. Pedir as crianças que mostrassem nas suas mãozinhas os dedos que estavam sendo apresentados em cada página;
  6. Questionar as crianças sobre as emoções e sentimentos esboçados pelos personagens a partir da expressão do rosto de cada um.
    Ex.
     "- O vocês acham que o polegar está sentindo?"
      "- Raiva tia!"
      "- Por que?"
      "- Ele tá com a cara brava!" "- Está com cara de monstro!"
    A partir desse tópico é possível explorar em que situações as crianças também expressaram esses sentimentos, promovendo o diálogo e a interação entre as crianças.
    Ex.
    "- Alguém já se sentiu muito bravo e fez uma cara assim? Como foi?"
  7.  É possível, do mesmo modo, investigar os significados de algumas palavras que podem a princípio não ser tão conhecidas pelas crianças, como "vilão", "anular", "guerreiro", por exemplo. 
  8. Indagar a respeito das experiências das crianças, se já brincaram de teatrinho, massinha de modelar (citados na história)...
  9. Além das dicas acima é divertido desenhar as carinhas nos dedos da própria mão e fazer a leitura utilizando os próprios dedos como personagens!
    Caso essas dicas tenham sido úteis e se tiverem outras, compartilhem com a gente e boa leitura!!!

    :) Isabella Brandão

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Bem-vindos!


Ontem foi dia de apresentarmos o projeto oficialmente neste primeiro semestre de 2013 na Universidade de Brasília, e dar boas-vindas as novas integrantes que a partir de agora serão mediadoras de leitura dialógica na Escola Classe 415 Norte, nossa parceira desde 2011 nessa trajetória de prazer e aprendizagem.
Agradecemos a presença de todos e desejamos um ótimo semestre de histórias e sonhos. Divirtam-se com as crianças e depois nos contem como foi. 


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Hora de Ler - Isadora Salviano

Depois de ler a última postagem do Gabriel e, seguindo a mesma dinâmica, me lembrei de uma vez quando uma professora se arriscou a ler pra gente um texto na sala de aula, até então eu nunca tinha ouvido uma história contada por alguém. Era uma crônica, depois disso achei o livro, li ele e todo o resto da coleção, são 10 volumes com seleções de crônicas, contos e poesias de vários autores brasileiros famosos como Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Cecília Meirelles, entre outros...  Muito interessante, são narrativas a maioria curtas e interessantes, pois retratam o cotidiano e para quem ainda não tem o hábito da leitura creio que seja boa opção. Quanto a crônica, achei muito divertida vale a pena postar:

 
 
HORA DE DORMIR
Fernando Sabino

 
- Por que não posso ficar vendo televisão?
- Porque você tem de dormir.
- Por quê?
- Porque está na hora, ora essa.
- Hora essa?
- Além do mais, isso não é programa para menino.
- Por quê?
- Porque é assunto de gente grande, que você não entende.
- Estou entendendo tudo.
- Mas não serve para você. É impróprio.
- Vai ter mulher pelada?
- Que bobagem é essa? Ande, vá dormir que você tem colégio amanhã cedo.
- Todo dia eu tenho.
- Está bem, todo dia você tem. Agora desligue isso e vá dormir.
- Espera um pouquinho.
- Não espero não.
- Você vai ficar aí vendo e eu não vou.
- Fico vendo não, pode desligar. Tenho horror de televisão. Vamos obedeça a seu pai.
- Os outros meninos todos dormem tarde, só eu que durmo cedo.
- Não tenho nada que ver com os outros meninos; tenho que ver com o meu filho. Já para a cama.
- Também eu vou para a cama e não durmo, pronto. Fico acordado a noite toda.
- Não comece com coisa não, que eu perco a paciência.
- Pode perder.
- Deixe de ser malcriado.
- Você mesmo que me criou.
- O quê? Isso é maneira de falar com seu pai?
- Falo como quiser, pronto.
- Não fique respondendo não: cale essa boca.
- Não calo. A boca é minha.
- Olha que eu ponho de castigo.
- Pode pôr.
- Venha cá! Se der mais um pio, vai levar umas palmadas.
- ...
- Quem é que anda lhe ensinando esses modos? Você está ficando é muito insolente.
- Ficando o quê?
- Atrevido, malcriado. Eu com sua idade já sabia obedecer. Quando é que eu teria coragem de responder a meu pai como você faz. Ele me descia o braço, não tinha conversa. Eu porque sou muito mole, você fica abusando.... Quando ele falava está na hora de dormir, estava na hora de dormir.
- Naquele tempo não tinha televisão.
- Mas tinha outras coisas.
- Que outras coisas?
- Ora, deixe de conversa. Vamos desligar esse negócio. Pronto, acabou-se. Agora é tratar de dormir.
- Chato.
- Como? Repete, para você ver o que acontece.
- Chato.
- Tome para você aprender. E amanhã fica de castigo, está ouvindo? Para aprender a ter respeito a seu pai.
- ...
- E não adianta ficar aí chorando feito bobo. Venha cá.
- Amanhã eu não vou ao colégio.
- Vai sim senhor. E não adianta ficar fazendo essa carinha, não pense que me comove. Anda, venha cá.
- Você me bateu ...
- Bati porque você mereceu. Já acabou, pare de chorar. Foi de leve, não doeu nem nada. Peça perdão a seu pai e vá dormir.
- ...
- Por que você é assim, meu filho? Só para me aborrecer. Sou tão bom para você, você não reconhece. Faço tudo que você me pede, os maiores sacrifícios. Todo dia trago para você uma coisa da rua. Trabalho o dia todo por sua causa mesmo, e quando chego em casa para descansar um pouco, você vem com essas coisas. Então é assim que se faz?
- ...
- Então você não tem pena de seu pai? Vamos! Tome a benção e vá dormir.
- Papai.
- Que é?
- Me desculpe.
- Está desculpado. Deus o abençoe. Agora vai.
- Por que não posso ficar vendo televisão?
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013




Na paz galera!

Gostaria de compartilhar com vocês uma experiência de como a leitura foi importante para mim de uma forma inusitada.
       Eu sou de São Paulo e na época vivia lá, estava no cursinho preparatório para o vestibular, estudava bastante e embora gostasse de me dedicar aos estudos, tendo em vista conquistar uma vaga na universidade, o estresse era inevitável.
       Começou então nos metrôs de São Paulo um projeto que levava poesia para as estações do metrô, em cada estação um trecho diferente de alguma obra da literatura lusófona.
       Eis que um dia enquanto descia pelos degraus vi o seguinte poema na parede:
       
“O Mistério das cousas

O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: –
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas”
Fernando Pessoa
O Guardador De Rebanhos
Alberto Caeiro

Praticamente todos os dias enquanto retornava para casa e via aquela multidão de gente se acotovelando para entrar no vagão, eu parava, ali na escada, lia esse trecho, que me fazia estar num outro mundo, um menos complicado, e eu que sempre tive uma queda por coisas simples me sentia tão bem, essas palavras ficavam ecoando pela minha mente, eu também “ria como um regato” pois via que tantas peocupações não tinham sentido, que nada devia ser tão complicado, que as “cousas” eram simplesmente aquilo que eram e não havia nada além daquilo que os meus sentidos sentiam, isso me ajudou a ser uma pessoa mais simples e nessa simplicidade eu encontro a paz.

Gabriel Januário de Mare

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Superdica de Leitura por Isadora Salviano


“Não julgue um livro pela capa” é o que diz a contracapa do livro que acabo de ler. Ao se debruçar nas páginas logo percebemos que o que realmente o que ele quer nos mostrar é que temos um universo dentro de nós e que é pouco explorado, muitas vezes por causa das aparências.  O livro de que falo é “Extraordinário”, de R. J Palacio.

Augustus é um menino comum, é assim que ele se vê; é assim que ele quer ser. Mas as pessoas se assustam quando olham pra ele por conta de uma síndrome genética que lhe causou uma deformidade facial, nunca foi a uma escola até o momento, antes ele só passava por cirurgias e mais cirurgias... Coisa pouca, comparado a ir para o Ensino Fundamental II.

O livro é extremamente encantador, me lembrou de A culpa é das Estrelas, de John Green. Ele mostra o cotidiano e extrai deles coisas que poucas vezes paramos pra pensar. Como por exemplo, quando você vê alguém diferente na rua, qual é a sua reação? Como seria encontrar Augustus na rua? Durante a narrativa, se revezam as personagens e podemos ver as diferentes visões delas de maneira contínua e, de forma metalinguística vai mostrando como podemos ser enganados pela superficialidade e impulsividade de nossas ações. O interessante é que a narrativa não gira somente ao redor da personagem principal, afinal todos temos problemas, certo? Achei um ponto forte do livro.

 
Na vida real vamos encontrar pessoas como Julian, ou Jack, ou Olivia, ou Miranda... As pessoas não são más, nem boas e, todos nós temos preconceitos, por menor que seja (reflita), a diferença está na maneira que lidamos com ele: ou negamos o outro, ou o aceitamos. Ou vamos mais além e mergulhamos num mundo desconhecido que pode nos encantar como me encantei por Augustus (Auggie). Uma passagem do livro que apreciei muito foi:

 
“- As pessoas continuam iguais quando vão pro céu?
- Não sei. Acho que não.
- Então como elas se reconhecem?
- Não sei, querido. - Simplesmente sentem. Não precisamos dos olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós. É assim no céu. É só amor. E ninguém se esquece de quem ama.”

 
Se pensarmos bem, também como mediadores podemos nos deparar como situações parecidas e penso que é muito importante passarmos essa percepção, principalmente às crianças... Enfim, espero que eu tenha atentado vocês para ler, leiam!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Leituras dos mediadores por Suelem Jobim

Ler é muito bom e ler o que a gente bem entende é melhor ainda! Nós universitários e estudantes, em geral, temos muitas leituras obrigatórias que nem sempre são  agradáveis e fluidas. Por isso, desde que comecei a minha graduação aguardo ansiosa as férias (e quem não aguarda!!!) para descansar e ficar de pernas para o ar com um bom livro nas mãos. 
Tivemos uma greve na UnB ano passado, e nossas férias estão sendo agora em março. Então, faça de conta que estamos em pleno verão (e não no início do outono) que o ano está apenas começando, e cruze os dedos para que a chuva não atrapalhe os dias na praia! 
Estou lendo um romance incrível nessas férias! Tão incrível que pensei em deixá-lo em casa enquanto estou viajando para não me incomodar. Explico logo: um dos personagens é tão, mas tão irritante que tive receio de não conseguir descansar minha cabeça! É tão detestável que tenho vontade de jogar o livro na parede! Fora o medo que esse canalha se dê bem no final (ainda não acabei o livro, ele tem 333 páginas, e eu estou na de número 259). 
Mas é sempre assim quando leio algo desse autor. Ele revira os ânimos da gente, e quando percebemos estamos lendo a todo vapor, loucos para chegar no final. 
- Opa! Que nome estranho desse personagem...como é que se fala mesmo, é...Ah!!! Dane-se! O importante é avançar, é saber o que vai acontecer com esse miserável logo de uma vez! 
Estou falando do livro A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes de Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, romance publicado em 1859, depois que o autor regressou de um exílio de dez anos na Sibéria. 
Antes do exílio ele chegou a ser condenado a morte, mas teve sua pena comutada no último momento (já pensou?! Hoje não teríamos Memórias do subsolo, O idiota, Os demônios, Crime e castigo, Os irmãos Karamazov, obras célebres da literatura mundial!). 


E qual foi seu crime? Participar do círculo literário de Petrachévski onde ele e mais um grupo de liberais liam e discutiam obras proibidas pela censura de Nikolai I. Segundo Joseph Frank, o maior estudioso de Dostoiévski, falecido no início desse mês, o real motivo é a participação do escritor na sociedade secreta de Spechniev, um grupo clandestino dentro do círculo maior de Petrachévski, cujo objetivo era incitar uma revolução dos camponeses contra a servidão. Quem quiser saber mais sobre a vida e obra do autor a editora EDUSP lançou recentemente os cinco tomos da biografia de Dostoiévski escritas por Frank ao longo de 30 anos. 
Mas voltando ao romance, A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes a princípio seria uma peça de teatro, segundo a correspondência da primeira esposa do autor com o grande teatrólogo russo Konstantin Stanislávski. Tempos depois, Dostoiévski escreve para seu editor dizendo que mudara de ideia, e que havia largado a forma da comédia e passado a escrever um romance cômico. 
Embora o livro faça parte do que a crítica chama de primeiro momento do escritor, e uma obra de transição, Dostoiévski em correspondência com seu irmão dizia ser esta sua melhor obra, onde havia colocado “sua alma, sua carne e seu sangue”. 
O personagem detestável que falei acima é Fomá Fomitch, uma espécie de Tartufo, o anti-herói de Molière, um grande hipócrita e parasita. 
Ele chega na propriedade do coronel Iegor Ilitch Rostániev como um mero vassalo e bufão, que a todo momento é humilhado e ofendido. Mas logo há uma reviravolta e Fomá torna-se um tirano que tortura todos os habitantes da casa, seus benfeitores, e até mesmo os mujiques da aldeia. 
Paro meu relato por aqui porque não quero tirar a graça da leitura com uma sinopse prolongada e nem descobrir, sem querer, outros detalhes da trama, pois afinal eu ainda não terminei o livro. 
Mas fica a dica de leitura deste livro genial! Tão genial que dá vontade de arremessá-lo na parede! 
Quem quiser mais dicas, ou se aprofundar na literatura russa eu gosto muito desse site http://www.literaturarussa.com.br/ 


A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes (das memórias de um desconhecido) de Fiódor Dostoiévski
Tradução de Lucas Simone
Desenhos de Darel
Editora 34, São Paulo - SP

segunda-feira, 4 de março de 2013

Refletindo sobre o futuro



Com certeza vocês já ouviram falar que no Brasil o índice de leitura é muito baixo. Eu de fato considerava isso uma realidade já que sabemos que a educação no nosso país é uma questão delicada. Fui procurar a constatação disso e encontrei muita dificuldade em encontrar dados que relacionassem os números dos leitores dos vários países. Na verdade encontrei muitos estudos sobre o assunto no Brasil, mas é difícil relacionar com dados de outros países. Por isso em um primeiro momento perdi o foco. Mas levando em consideração que de fato sejamos um povo pouco dado a leitura, vejo que incentivar a leitura é algo importante e comecei a perceber no projeto a possibilidade de criar leitores. Por que isso seria importante?Comecei a pensar que se houver um número maior de leitores haverá mais demanda por livros, jornais, meios de comunicação escrita em geral. Se tivermos essa demanda dos leitores cada vez maior, e, aos poucos cada vez mais exigente, haveria mais espaço para o desenvolvimento da comunicação escrita. Com isso, haveria um espaço maior para a multiplicidade infinita da criatividade humana. As informações que fossem apenas ralas ideias do que de fato acontece, não nos satisfaria mais. O jornalismo se desenvolveria cada vez mais, acompanharíamos de perto discussões de alto nível, sim, estaríamos no caminho de consolidar a nossa democracia, uma democracia que não permitiria tantos abusos. Num gesto não tão grande para mim, dedicar meu tempo a ler dialogicamente com o futuro do nosso país, numa tentativa de despertar e manter vivo o interesse pela leitura, não só nas crianças mas em mim mesmo, eis que reflito e vejo imensas possibilidades de transformar o mundo, um livro de cada vez.

Gabriel Januário - Mediador do Livros Abertos

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Gato e o Diabo, de James Joyce: Sugestões para a leitura dialógica.



James Joyce para crianças? Sim, isso mesmo! Numa nova edição da Cosac Naify, com caprichada tradução da premiada Lygia Bojunga e com ilustrações maravilhosas, em aquarela, do quadrinista, também premiado, Marcelo Lelis, somos brindados com a curiosa história de como uma ponte foi construída sobre o rio mais largo da França em uma única noite. Onde entram o diabo e o gato nessa história? Só lendo para descobrir! 

Nas ilustrações de Lelis, o diabo é inofensivo e lembra... quem?... deixo para vocês descobrirem.
Gente, o mais bacana dessa história deliciosa é que ela foi, originalmente, uma carta que James Joyce escreveu para seu neto Stephen. Isso se nota na linguagem, que é simples e fala ao coração de uma criança de oito anos. Li com pessoas de várias idades e todos adoraram! Uma ótima opção para a leitura dialógica, para a qual oferecemos algumas sugestões a seguir: 
Sugestões:
1) Detenha-se na capa, explorando-a. Acolha as reações das crianças e discuta-as. Pergunte o que elas acham que vai acontecer.
2) Explore bastante as imagens, dá para se deliciar um tempão em cada página. Pergunte onde eles acham que acontece a história. Pode levar um globo ou mapa e mostrar, perguntar o que eles já ouviram falar sobre a França, etc. 
3) Por motivos religiosos e culturais, é possível que algumas crianças fiquem assustadas ou chocadas com a presença do diabo, mas logo irão se tranquilizar e se divertir bastante com o desenrolar da história, pois este é um diabo nada assustador e que acaba tendo que aceitar que os habitantes da cidade foram mais espertos que ele. O diabo é presença comum também no folclore brasileiro, onde, assim como na história contada por Joyce, é frequente que seja vencido pela esperteza do homem do povo e, derrotado, retorne furioso ao lugar de onde veio.
4) Explore o tema da correspondência por cartas. Pergunte, no início da história, quem eles acham que está falando ou escrevendo, e quem eles acham que é o destinatário. 
5) Aproveite sempre para ampliar o vocabulário das crianças a partir das imagens , usando perguntas abertas, como
a. O que vocês acham que está acontecendo aqui?
b. Me contem o que estão vendo nesta ilustração.

6) Se houver uma palavra, expressão, etc. que você acha que as crianças provavelmente não conhecem, pergunte a elas o que elas acham que é, mas nunca de forma descontextualizada. Não interrompa a leitura para perguntar o significado de uma palavra. Termine o trecho e depois pergunte o que eles entenderam. Use o contexto para ajudar, quando cabível, ou o mesmo explique o significado de forma natural, dentro do fluxo da conversa.
7) Incentive as crianças a imaginarem o que vai acontecer em seguida na história e a colocar-se no lugar dos personagens (“O que você acha que vai acontecer agora?”; “O que você faria se fosse o prefeito?”
8) Converse com eles sobre o autor. Pergunte, ao fim da história, se eles acham que a carta foi uma carta verdadeira ou não. Leia para eles o que o neto, destinatário desta encantadora história, escreveu sobre seu avô James Joyce (veja em http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?tag=o-gato-e-o-diabo).


9) Após a leitura, pode-se brincar de inventar novos desenlaces para a história, desenhar e pintar novas ilustrações, encenar a história, organizar uma correspondência por carta com outras crianças para discutir o livro, enfim, a imaginação é que vai mandar.


Importante: Não basta fazer perguntas. É fundamental ouvir de verdade as crianças e reagir às suas falas, confirmando-as, comentando-as, ampliando-as, problematizando-as , levando as crianças a leituras cada vez mais ricas. Isto, com certeza, é a essência de uma leitura realmente dialógica.
Boa leitura e, se desejar, conte para nós depois como foi! 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Celebre o Dia Internacional da Doação de Livros!


Hoje é o Dia Internacional de Doação de Livros (International Book Giving Day). A idéia é fazer chegar o máximo de livros nas mãos de crianças. Inspire-se e espalhe amor!

Três sugestões para hoje, dadas pelo site http://bookgivingday.com/

1) Doe um livro a um@ amig@ ou parente: comemore presenteando uma criança com um bom livro, usado ou novo.
2) Deixe um livro em uma sala de espera. Um lugar onde crianças precisam esperar e geralmente não há bons livros ou brinquedos para distraí-los. Escolha um livro divertido. Lembre-se, a idéia é levar o amor à leitura para as crianças.


3) Doe bons livros para organizações que trabalham com crianças e para entidades de voluntários leitores de histórias. 


4) Conte sua história sobre como participou do dia !! Envie fotos e, se quiser, textos, poemas e depoimentos para nosso e-mail: livrosabertos01@gmail.com ou envie o link para a publicação de seu blog ou site que o publicaremos aqui!!



Feliz Dia a tod@s!!


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Agradecimento!

Estudantes de graduação e pós-graduação dos mais diversos cursos, servidores da Universidade de Brasília, professores de todos os níveis de ensino e membros de toda a comunidade estiveram presentes e compartilharam experiências de mediação de leitura na Oficina "Conte Comigo", que aconteceu na quinta passada. Agradecemos a tod@s pela participação! Esperamos permanecer em contato com vocês e continuar trocando idéias. Em breve enviaremos notícias àqueles que não puderam participar desta vez sobre prováveis datas de novas oficinas! Abraços carinhosos da Equipe Livros Abertos.