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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

4º edição da Oficina Conte Comigo do Livros Abertos: Aqui todos contam!



A 4º edição da Oficina Conte Comigo do "Livros Abertos: Aqui todos contam" fez parte da programação oferecida pela Semana Universitária 2015 da Universidade de Brasília (UnB), que ocorreu do dia 27 a 31 de outubro. Participaram da oficina estudantes da UnB e Educadores, que puderam conhecer a leitura dialógica e discutir diversas temáticas a partir das rodas de contação dialógicas desenvolvidas na oficina.

Aspectos essenciais da leitura dialógica foram comentados, tais como ler a história antes de contar às crianças, saber lidar com as perguntas, compreender se a criança está gostando e entendendo a história contada.
Houve também um embate entre a leitura dialógica e leitura convencional, em que se discutiu qual era mais cansativa ou em qual se gasta mais energia.
Segundo os participantes na leitura dialógica a criança gasta mais energia devido a proposta de participação do que na leitura convencional.


Uma participante comentou que “para a criança [a Leitura dialógica] é mais interessante, pois ela participa, ela tem espaço para falar, para se colocar e ser ouvida.”

Assim, chegou-se a conclusão que na Leitura dialógica há mais liberdade para imaginar, refletir para além da história e relacioná-la com acontecimentos do dia-a-dia. O grupo salientou que para além da conclusão que a história do livro chegou, o grupo de crianças pode criar a sua própria conclusão como o mediador Manuel pontuou: “Quando a participação foge do livro, eu fecho o livro e nós criamos a nossa própria história".
Outro aspecto discutido foi “deixar ou não a criança ler a história no lugar do mediador?”. Segundo os participantes, por mais que o grupo disperse, para crianças que estão iniciando o processo de aprendizagem da leitura, esse incentivo é importante.  
Outro tema bastante comentado foi a relação entre leitor e livro. Destacaram que o livro é uma forma de se autoconhecer, de dar forças para vencer os medos e anseios. Os livros não geram só prazer, mas também inquietações. A criança em sua relação com o livro e a leitura dialógica faz com que ela expresse os acontecimentos que ela projeta no livro, seus sentimentos, entre outras coisas. A Leitura dialógica é um espaço das crianças e por isso a escuta atenciosa e respeitosa também se faz necessária.


Enfim, muitas coisas foram compartilhadas, tantas que esse texto poderia ser mais longo.




Assim para finalizar a dinâmica foi perguntado a cada um da roda “em uma palavra, o que é necessário para ser um bom mediador de leitura?”


"Ser criativa(o), leitor(a), engraçada(o)"                  "estar aberta(o), ser ouvinte, colhedor(a)
                                                                                      paciente, entender as crianças, ser 
"amiga(o), entrar no mundo da criança                       (e também mostrar o seu mundo a ela"
despertar, ser um captador de memórias, sensível,      
brincalhão (lhona), deixar de ser a sabichona(ão)",

                                                                      "ser observador, perseverante, alguém que faz a diferença pela relação da criança com a leitura, ser cativador e cativante, ser amoroso(a)".




Ao final foi possível que os participantes fizessem uma breve avaliação, contribuindo com sugestões para oficinas posteriores. Segue-se um exemplo de avaliação feito na oficina:


  • Que Bom: “Muito bom a parte do debate, pois você acaba aprendendo com as experiências de outras pessoas e também a parte da dinâmica de contar historias, pois tem uma vivência real de um mediador de leitura e a visão dos desafios que ele poderá enfrentar”
  • Que pena: “Que pena! Poderia ter em mais escolas.”
  • Que tal: “Que tal a oficina ser dois dias? Em um dia seria passado a experiência do projeto. E no segundo dia teriam alunos para que pudéssemos contar historias”.

Agradecemos a todos que contribuíram com a avaliação e que participaram da 4º Edição da Oficina Conte Comigo!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Eu e a minha menina maluquinha

            Meu contato com os livros vem desde pequenininha. Meu pai é professor e tanto ele quanto a minha mãe sempre valorizaram muito a leitura. Antes de eu aprender a ler, todas as noites, um dos dois vinha até a minha cama com um livro e me contava uma história antes de eu dormir. Meus pais contam que eu implorava para que eles me ensinassem a ler logo. Quando eu finalmente aprendi, isso se tornou até um tipo de problema.  Eu reclamava que não conseguia deixar de ler mais nada e quando estava no carro, ficava lendo TODOS os anúncios que passavam. Era incontrolável.

            O primeiro livro que eu mesma li (sozinha, mas com a ajuda dos meus pais) foi “O menino maluquinho”, clássico do Ziraldo. Lembro-me de me reunir na cama com meus pais, deitada no meio deles, e com dificuldade eu lia algumas poucas páginas, juntando as sílabas devagar. Na minha lembrança o livro era muito grosso e eu demorei muito para terminar a leitura. Mais do que as palavras, o que marcou a minha memória foram as ilustrações divertidas do menino que tinha as pernas tão grandes que eram capazes de abraçar o mundo.
www.ziraldo.com/menino
            Minha jornada começou neste livro e desde então eu já li os mais variados estilos. Já ri alto sozinha, já molhei páginas com lágrimas, já virei noite para saber o que iria acontecer, já fechei os olhos por não querer saber o que iria acontecer. Já xinguei, já amei, já viajei para todos os lugares que a minha imaginação conseguiu alcançar.
            Então um dia desses eu estava no acervo de livros do projeto e comecei a passar pelas estantes olhando alguns títulos. Vários me faziam sorrir e traziam lembranças daquela infância que me faz tanta falta. Até que... Lá estava ele: O menino maluquinho! Eu não pensei duas vezes, abri o livro e comecei a ler, saboreando e apreciando cada palavra e cada figura que vinham recheadas com o sabor da saudade. Em pouquíssimo tempo eu estava no final daquele livro “enorme” que uma vez eu havia demorado uma eternidade para ler. Dessa vez, a leitura foi bem mais rápida do que eu gostaria, e por mais que eu lesse devagar, não consegui prolongar aquele momento. Voltei a ser criança, mesmo agora lendo o livro com outros olhos, e no final chorei.
www.ziraldo.com/menino
            Ali estava eu estampada no livro: o menino maluquinho e feliz que teve que crescer. Não conseguimos escapar do tempo. Aproveitamos a nossa infância ao máximo e por isso mesmo é tão difícil crescer. Vi-me no livro e aquilo me emocionou encantadoramente.
            Tenho certeza que o menino maluquinho ainda está ali, dentro do cara de terno que aparece na última página. Eu tenho essa certeza porque sei que a minha menina maluquinha ainda está dentro de mim. Ela se acende em cada leitura que faço com as crianças e tempo nenhum poderá tira-la daqui.
www.ziraldo.com/menino

Amanda Luma 


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Leitura: não é paixão, é enamoramento.


Escolhi esse título, por três motivos. E acho justo começar o texto apresentando esses motivos:
1°) O termo português de Portugal nos passa uma ideia de relacionamento, exatamente a ideia que quero abordar no texto.

2°) Acho um título provocativo, pois nos remete diretamente a nossa relação afetiva e sentimental com a leitura.

3°) E por último, adoro a sonoridade da palavra enamoramento. 

Um lembrete a todos os educadores e mediadores de leitura: raros são os casos em que temos um apaixonamento pela leitura. São poucas as pessoas que o gosto da leitura foi despertado por uma paixão à primeira vista e que se manteve com a energia desse frisson nos anos que se seguiram. A literatura é um ser intenso, desejoso e cobra muito de nós, por isso a namoramos. E como um namoro entre pessoas, nosso relacionamento com a leitura é cheio de altos e baixos. Assim a proposta do texto de hoje é tirar uns minutos para nos dedicarmos a relembrar a nossa história de construção e formação do papel de leitores.
      Como mediadores, temos que compreender que o prazer da leitura é um processo, sempre em movimento e em construção. É cheio de encontros e desencontros. Cheio de casos, paixões, desilusões e traições. Há livros bons, livros ruins, há a leitura por prazer e a leitura obrigatória.
     As crianças e jovens para quem lemos estão vivendo o início desse processo intenso, e, como no primeiro amor infantil, vivem sua relação com a leitura à flor da pele. Como mediadores nesse mundo de descobertas, prazeres e desprazeres, temos que ser acolhedores e pacientes.
      E como ser pacientes? Nos coloquemos no lugar de nossas crianças, não com os olhos de adultos, mas com olhos e ouvidos de crianças. Tentemos nos lembrar do nosso primeiro livro, da nossa professora de alfabetização, da nossa cartilha e do caderno de caligrafia, tentemos nos lembrar de nossos sentimentos, medos e expectativas. Voltemos para aquele momento em que entrávamos no mundo letrado das pessoas grandes, voltemos para o mistério e a surpresa, a pasmação constante diante do que era novo.
     Nos lembremos dos nossos professores e dos nossos cuidadores naqueles anos da infância e juventude. Eles ajudavam ou atrapalhavam nossa relação com a leitura? Eles nos pressionavam de forma boa ou de forma ruim? Eles se importavam ou não estavam nem aí? Eles nos comparavam com nossos irmãos e colegas que liam mais? Ganhávamos um doce por livro lido? Lembremo-nos dos desenhos sem noção, resumos intermináveis e provas chatas que erámos obrigados a fazer depois de uma leitura compulsória. 
        É terrível a fase do Deus me livre e guarde.

        
       E então nos lembremos das revistas e livros que líamos escondidos, porque nossos pais e professores achavam que aquilo era coisa de gente grande, nos lembremos dos livros que pegamos emprestados dos colegas e que nunca devolvemos, dos livros que levávamos conosco para todos os lados, não importa se estávamos indo a uma festa, ao banheiro, a um encontro, a farmácia ou ao shopping. Ah, é a doce fase do “não vivo sem você”.
        Nós que usamos a método da leitura dialógica, às vezes, temos o desejo cego que todas as crianças participem, falem, construam e deem suas opiniões. É importante dar espaço também para o silêncio soar. Respeitar a criança em seus diferentes momentos de enamoramento. Há momentos de flerte silencioso com o livro e momentos de cantada ousada e ruidosa e, como mediadores, cabe sermos sensíveis para identificá-los.
Uma colega leu um trecho escrito por Luiz Carlos Cagliari que me marcou "Às vezes uma simples leitura basta. Nem tudo o que se lê precisa ser discutido, comentado, interpretado. [...] A leitura às vezes é como uma música que se quer ouvir e não dançar”. Vamos apreciar e dançar à nossa maneira, respeitando sempre o ritmo dos demais.

Escrito por: Júlia Gisler

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Criança 10 x Livros Abertos 11

“Criança bagunceira”

“Criança mal educada”

“Criança comportada”

“Criança Criança”

Creio eu que, depois da adolescência, a infância deve ser a fase mais estigmatizada do crescimento. Frases como essas são frequentes nas bocas adultas e elas estão certas, não verdade?!

Primeiro que elas nunca ficam quietas. Até mesmo as quietas são bagunceiras. Mexem onde não devem, estão sempre colocando a mão em tudo quanto é lugar, na tomada, no vaso, na boca, no nariz e na boca de novo. Desobedientes, só querem fazer as coisas na hora e do jeito delas, e, quando não é assim, já abrem um berreiro. Perturbam a professora para ir ao banheiro mesmo tendo acabado de voltar do recreio, e, nos casos mais comuns, gritam, chutam, puxam cabelo, xingam e falam as coisas mais grosseiras, com a desculpa que os adultos dão de que “crianças são tão sinceras”.

Isso bem poderia ser o depoimento de professoras cansadas, mães estressadas, primos distantes, amigos chateados, irmãos dedo-duro, mas o que resta disso tudo são camadas e mais camadas de afirmações negativas e condenações e lá no centro, lá dentro, uma criança.

Quem ganha? Crianças ou Livros Abertos? Agora, deixe eu, Mediador do 4º ano do período da manhã, contar um pouco da minha experiência.

Primeiro, que bom que criança nunca fica quieta. A gente corre com elas, aproveita a energia pra falar de historia de aventura e, quando elas querem voar, eu deixo. Bagunça? Com certeza tem bagunça, ainda mais quando eu levo uma barraca de acampamento pra eles montarem e a gente conta as historias de quando eu acampei no deserto, na floresta, no meio do rio. Tem sempre uma desobediência, elas não são perfeitas, de vez em quando eu brigo e chamo atenção, mando parar de xingar e bater por que não quero ficar escutando e vendo essa falta de respeito, e, no final, tudo, eu digo tudo, esta perdoado quando eu digo tchau e, com protestos da professora, alguns deles se levantam, me abraçam e dizem que me esperam na próxima quinta.
Eu não tenho crianças, e nem fico seis horas trancado em uma sala com elas. Eu tenho duas horas de cada quinta feira da semana pra encontrar com elas, entender o seu mundo e fazer parte dele.

“...Sê tu uma benção: abençoarei os que te abençoarem[...] por meio de ti serão benditas todas as famílias da Terra.” Genesis 12: 3,4

Mediadores, não percam tempo gritando e confirmando as supostas coisas negativas nessas crianças, mas sejam bênçãos para elas, se arrisquem a gostar delas e entendê-las, e elas, bagunceiras ou comportadas, vão lhe retribuir em dobro. Quando você ganha, elas ganham.



BoscoJoao =D

sábado, 19 de julho de 2014

Nossos dragões cotidianos


Há quem argumente que ler contos de fadas e mitos para crianças é perda de tempo, sem propósito e até mesmo perigoso. “Qual é a vantagem de falar sobre dragões e fadas madrinhas? Nada disso existe de verdade! Você só ilude a criança assim”, diriam alguns.
E eu replico: “Você não acredita em dragões?”, e para mim fica claro que o medo que os adultos têm da imaginação, da fantasia e da criatividade são prova viva de seu pânico por dragões.
O dragão é representado na literatura de duas formas, em dois polos acentuados: ou ele representa o poder da sabedoria, sendo assim é a criatura imortal, sábia e misteriosa que conduzirá o herói em sua jornada, ou ele é a mais cruel e temível das bestas, que destrói a vida e mostra seus dentes vorazes para quem ousar se aproximar. Independentemente do polo em que eles se encontram, os dragões sempre são implacáveis e capazes de grandes feitos.
Isto não nos é familiar em nosso cotidiano? Não lembra as pequenas partes de nós com que não sabemos lidar? Não é muito semelhante às ideias circulares torturantes que nós invadem de madrugada antes de uma grande apresentação? E àquelas emoções que cegam nosso discernimento e atropelam nossas amizades?
E aquelas características nossas que parecem ser de outro mundo e ter vontade própria? Como nossa preguiça, nossa desatenção, nossa timidez, nossa teimosia, nossa impulsividade... Parece que nossos dragões do cotidiano nos congelam, pioram nossos problemas, destroem nossos planos e machucam nossos amigos.
As crianças são mais honestas com seus dragões. Ao contrário dos adultos, que, quando presenciam um bater de asas reptilianas de seu educando ou filho, logo dão um jeito de repreendê-lo e ordenam que a criança crie uma prisão para conter o monstrinho. Para os adultos, parece que a única solução é encarcerar aquela parte de si mesmo, para que ela fique longe dos olhares alheios, sem saber que, quanto mais punição e repressão um dragão recebe, mais feroz ele fica.
Por que não ensinamos as crianças a reconhecerem seus dragões? Por que não as iniciamos na jornada de autoconhecimento e autocuidado? Por que não procuramos junto com elas estratégias para que o dragão fera se torne o dragão sábio? Por que a impulsividade não pode se tornar pró-atividade? Por que a teimosia não pode ser tenacidade?
Por causa de uma razão: pânico de dragões (e, talvez, nossa falta de habilidade para lidar com nossos próprios dragões).
Mas as crianças são mais honestas, e tentam conviver a trancos e barrancos com seus dragões. E já que os adultos não as ajudam como prometido, onde encontrar os heróis e guerreiras para ajudá-las, senão nas histórias?
Quem me ajudou nessa jornada foi Soluço Spantosicus Strondus III, filho de Stoico, O Imenso, cujo nome faz tremer. Ele me ensinou a ser heroína da maneira mais difícil, guerreira do cotidiano. Aqui seguem algumas dicas:

Um exemplo talvez ajude: imagine o Dragão Terrividous Timididus. A criança sente sua presença congelante quando alguém lhe pede para falar algo na frente de muitas pessoas (temos aqui seu habitat), sente que o dragão se fortalece quando ela pensa que todos vão rir dela se ela errar a resposta (voilá! Seu prato favorito!). Essas informações dão a oportunidade para a criança experimentar: e se ela tentasse pensar outra coisa, o dragão continuaria muito forte? Uma alimentação mais saudável talvez torne o dragão mais dócil. Em que situações ela consegue falar com muitas pessoas e não se sentir nervosa? A migração de território pode modificar o comportamento do dragão também.
A maior contribuição do Soluço está no item dois: conquiste seu dragão, integre-se a ele, aceite-o como parte de si e se responsabilize por suas ações. Não o abandone, mas reconheça-o, treine-o, ensine-lhe, pois só assim seremos capazes de voar alto e conquistar os desafios que nos propomos.
Encerro este texto com a esperança de que todos que têm que encarar todos os dias seus dragões – vampiros, trolls, bruxos das trevas, lobisomens... – sejam tocados por um conto, e recorram ao seu guerreiro interior para levantar a espada da coragem e da vontade para domá-los.

Texto de Júlia Gisler

Notas:
1.      Para saber mais sobre as memórias de Soluço Strondus III, resgatadas por Cressida Cowell, acesse o site oficial da série: 
2.       Informações completas sobre cada um dos livros da série, incluindo autora e ilustradora, tradutoras, editora e ano de edição do original e da tradução, clique aqui.



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Livros Abertos no Bibliocamp!



Tivemos a grata surpresa de sermos convidados para o Bibliocamp 2014 , evento organizado pelo Bibliotecários Sem Fronteiras
Aceitamos o convite com muito prazer e orgulho! Será uma oportunidade preciosa de conhecer mais de perto outros projetos e de trocar idéias e experiências. 

 Abaixo, reproduzimos informações sobre o evento:
O Bibliocamp é um evento novo, mas que em sua 3ª edição já alcançou grande repercussão nacional. Surgiu por iniciativa do bibliotecário Moreno Barros, servidor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos editores do blog Bibliotecários Sem Fronteiras (http://bsf.org.br/), um dos principais veículos  de comunicação da Biblioteconomia brasileira atual e conta com mais de 11.000 seguidores em sua FanPage no Facebook. A partir da inquietação despertada pelos temas discutidos no Bibliotecários Sem Fronteiras, veio o interesse em promover um encontro de profissionais de forma despojada e intimista,  a fim de fomentar a troca de ideias, projetos, experiências e a paixão pelo nosso trabalho.
As cidades que já receberam o evento anual foram, respectivamente: Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo. A 4ª edição ocorrerá em Brasília, em setembro de 2014. Informações adicionais sobre o evento e edições anteriores podem ser encontradas no site http://bibliocamp.com/.

Nesta 4ª edição, o evento acontecerá durante um dia inteiro na Biblioteca Nacional de Brasília, para 50 participantes. A inscrição é gratuita e, portanto, não há entrega de certificado, e as despesas de transporte e alimentação são a cargo do próprio participante.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Felicidade Clandestina

Hoje, não sei bem o porquê, acordei com um conto na cabeça. A doce Clarice, que sempre me alegra com seus contos intrigantes e nada convencionais, fez esse para mim. Felicidade Clandestina é o meu conto-encanto de hoje.

Sou ratinha de livrarias e isso não é nenhum segredo, compro todos que posso assim como todo bom amante de livros, e nesse momento sou a pessoa mais feliz do mundo e todo mundo pode ver, mas quando chego em casa... Saboreio bem devagar a minha felicidade clandestina.

“Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.”



E no dia seguinte tenho a difícil escolha: qual deles ler primeiro? (Não sou do tipo que lê três livros ao mesmo tempo, gosto de saborear cada página, dou a cada um o seu tempo, gosto de viver cada emoção e ficar extasiada com cada reviravolta). Nessa doce e complexa escolha, lá se foi mais um dia inteiro, mas não faz mal, aquele sentimento secreto ainda está presente.

Depois de escolhido, levo um tempo para começar a ler, porque eu sei que se eu começar ele vai acabar... Mas começo e depois disso eu nunca consigo me controlar, quero ler o livro inteiro em um só dia, devorar cada página e me contorcer a cada novo golpe empregado.

Ah, que doce sensação...

Mas, quando o livro começa a acabar, me sinto derrotada, pois saber que o fim está próximo me causa sofrimento. Deve ser por isso que gosto de livros em série, por ter a certeza que haverá um próximo encontro, mas até séries chegam ao fim, e talvez por isso eu nunca tenha comprado o último livro das séries que tenho.

A última vez, comprei todos os volumes de uma vez, com o pensamento: “Agora eu termino pelo menos uma série”. Pobre de mim, mal sabia que, por tê-los todos, não teria a coragem de começar...  

Gosto também de “livros únicos”, embora o fim seja mais rápido eu fico adiando esse momento, leio uma pagina e saio, (mesmo morrendo de vontade de terminar), volto, releio algumas páginas e depois sigo até o fim, e fico com uma sensação de fim de relacionamento: “não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”.


E me dou o prazer de sofrer com o fim, como uma namorada abandonada.


Kayla Maihery.

sábado, 28 de junho de 2014

O fio do linho, fio da narrativa. Passado o tempo, o que fica?

Em seu livro País das Neves, Yasunari Kawabata conta sobre a produção do Chijimi, tecido branco feito nos meses de inverno por jovens moças, alvejado ainda sobre a neve. Por ser feito no frio, diz-se, é capaz de manter o frescor da pele até nos dias quentes do verão. Na primavera, o tecido é vendido em feiras, motivo de grande furor entre os admiradores da arte. No entanto, a tessitura do Chijimi não é de forma alguma uma atividade rentável, dada a relação entre a quantidade de trabalho dispendida em cada peça e o seu lucro, que inviabiliza a contratação de tecelãs de fora da família. No entanto, o Chijimi continua a ser fabricado. Não seria mais fácil produzi-lo em escala industrial?
Talvez sim. Mas, entre os fios do Chijimi, escondem-se o vermelho do sol poente, a alvura da neve, o primor dispensado pelas tecelãs, nada disso reproduzível por máquinas. Deve estar aí a razão de todo a agitação primaveril em torno do tecido. Trata-se, fundamentalmente, da preservação de um tipo especial de memória, que o comprador do Chijimi pode chamar de sua. Existe, aliás, muito em comum entre os têxteis e os textos, como já disse Ana Maria Machado. Os fios da narrativa e os fios do linho ora se confundem, ora se misturam deliberadamente. Só o que se pode afirmar com certeza é que a dissociação completa dos dois resultaria em um tecido que jamais vestiria adequadamente um poeta.
 Imagem retirada de
http://www.dw.de/indian-storytellers-struggle-to-keep-tradition-alive/a-16765198
Ao lermos com as crianças, precisamos imprimir na nossa narrativa os aspectos afetivos da contação de histórias. Não se trata apenas de criar compaixão pelas personagens ou coisas do tipo. O que digo aqui é sobre a criação do amor pela leitura em si, que é, afinal de contas, o que quase sempre nos faz abrir um livro literário. Pois, qual é, afinal, a rentabilidade do texto literário, senão a do amor? Poderíamos ler dicionários e gramáticas para aprimorarmos nosso conhecimento da língua – mas, novamente, isso resultaria em um vocabulário impassível de ser utilizado por uma vovó com seu netinho.
O personagem Shimamura reflete, em certo momento, sobre o Chijimi:
“Assim, as mãos anônimas de antigamente, tendo morrido após completar seu diligente trabalho, restava somente o Chijimi, delícia de alguns conhecedores requintados como Shimamura, suave frescor sobre a pele nos meses de verão.
“Aparentemente Insignificante, o pensamento o comoveu, como se cheio de densidade. Onde o trabalho no qual um coração reverteu todo o seu amor está destinado a despertar emoção? Onde e quando?”
Das histórias que nos foram contadas, muitas vezes, resta apenas o amor. E ele se aviva a cada instante em que abrimos um livro sem pretensões egoístas. O ato de contar, assim como o de ler, deve estar amarrado a um amor intrínseco à relação com o livro, e isso é passado adiante pelas tecelãs das narrativas. O Chijimi, assim como o amor, não é eterno, sendo necessária a sua renovação periódica, possível apenas através da transmissão do ato de tecer. Transmitamos às crianças, em nossa posição de mediadores, portanto, o amor pelo livro, e elas se tornarão depois leitoras e contadoras. Como Adélia Prado foi capaz de captar brilhantemente, o que fica é o amor:

“Minha mãe cozinhava exatamente: arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. Mas cantava.”

Por Gilberto Gauche

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Best Seller.


Hoje, em uma aula na universidade perguntaram quem havia lido pelo menos um livro desde o começo do ano, algumas pessoas levantaram a mão e quando indagados sobre o titulo revelaram que se tratava de livros best seller.

Foram repreendidos pelo autor da pergunta e ouvimos comentários como, essa linguagem não condiz com a academia, livros assim não podem ser considerados leitura, ou até mesmo, esses livros empobrecem nossos adolescentes.

Sinceramente, não entendo o problema em ser um livro da indústria cultura, afinal, esses livros são acessíveis e por seus temas bastante fantasiosos acabam por seduzir pessoas da educação básica e universitários, que cada vez menos tem o hábito de leitura.

EU ADORO LIVROS BEST SELLER, poder viajar em mundos mágicos com linguagem acessível para todas as idades e ainda me colocar naquelas situações em que, pelo menos 2/3 de seu público alvo queria viver, seja em forma de vampiros, lobisomens, anjos, demônios ou qualquer outra criatura fantasiosa que possa existir... Mas, se trata de fantasia?? Sinceramente, duvido cada vez mais sobre isso...



Kayla Maihery.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Contadores e Educadores

     A cada dia percebo que a educação se torna mais importante e mais valorizada no âmbito social, pois representa a conquista da liberdade para se conectar com o mundo livre da ignorância.
      É muito interessante ouvir o que as crianças têm a dizer, tanto pra quem ouve quanto pra elas que tem a oportunidade de falarem e serem ouvidas durante a contação, o que é algo raro de encontrarem em outras atividades da escola. Elas, as crianças, estão sempre procurando por algo, e cabe a nós, educadores e contadores direcioná-las para o melhor caminho, porque acredito que ser um contador é também ser um educador.
     Muitas vezes durante uma contação as crianças se dispersam e acabam por conversar informalmente com seus colegas,  às vezes brigando com os colegas,  e, cabe a nós fazer algo a respeito. É aí que somos educadores. Ou quando fazemos nossas intervenções dialógicas ensinando um novo vocabulário ou discutindo sobre alguma passagem do texto ou sobre uma imagem e direcionando a discussão, é aí, também, que somos educadores. Ou quando nos pedem conselhos ou opiniões, e quando nós os orientamos é aí que somos educadores.
     Algo de errado está acontecendo com o nosso sistema de ensino, estamos novamente em fase de teste. As crianças de hoje não são as mesmas de 50, 20 ou 10 anos atrás, nem mesmo há 3, porque tudo avança muito rápido e, portanto, o sistema de ensino também não pode ser o mesmo. Acredito que o que fazemos é trazer um pouco de atualidade pra esse sistema, fazer algo diferente, ensinar contando e brincando! 
      A educação é o passaporte para um mundo cheio de oportunidades e poder fazer parte de uma janela que cria oportunidades como o Projeto Livros Abertos é muito gratificante! Nós, contadores, temos a responsabilidade de divulgar a leitura principalmente para aquelas crianças que dizem não gostar de ler ou que desistem frente à primeira dificuldade, mas nós não desistimos delas! :)



Avante contadores! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O livro secreto das princesas...




Levei o livro “até as princesas soltam pum”, de Ilan Brenman para as crianças na última quinta feira e foi divertidíssimo. Uma menina havia pedido pra que eu levasse um livro de princesa porque na semana anterior eu levei um de monstros, e eu atendi.
Eu já conhecia o livro, já tinha pegado uma vez no acervo e não tinha lido para as crianças, devolvi, e peguei novamente, pois estava tentando descobrir uma boa forma de ler com as crianças, já que tem bastante história e eu costumava levar livros mais curtos. Como as histórias são “separadas”, percebi que ficaria tranquilo passar para o desfecho, caso eles não quisessem ouvir mais nada.
            As crianças que conto adoram esses assuntos, elas se divertem pra caramba. Foi bom levar pra elas porque viram que eu também podia falar sobre isso e rir com elas.
            “Gente, deixa eu perguntar uma coisa pra vocês...” e fui diminuindo o tom de voz como se fosse segredo, “As princesas soltam pum?” A primeira reação era de susto, creio que pela pergunta ter vindo de mim (elas sempre brincam entre elas sobre isso, mas me deixam de fora) e depois muitas gargalhadas. Ouvi de algumas crianças “não tia, claro que não”, e de outras: “claro que sim tia, elas não são humanas? Todos os humanos soltam pum”.
            Em determinada parte do livro, o pai de Laura conta pra ela como aconteceu no baile da cinderela, conta que a princesa soltou um pum no exato momento em que o relógio marcou meia noite e o príncipe não percebeu. Questionei alguns meninos sobre o que eles fariam se isso acontecesse com eles e eles percebessem. Ouvi de um deles: “eu ia empurrar ela e falar: ‘vai fazer isso no banheiro!’”
            Particularmente eu adoro as ilustrações desse livro! São lindas! Feitas pelo Ionit Zilberman. Adorei ver a capa do “livro secreto das princesas” e creio que passei isso para eles, parece realmente que estamos com outro livro em mãos, e a partir dessa página, estamos em contato não com o livro “até as princesas soltam pum”, mas sim com o “livro secreto das princesas”, aquele que aparenta ter mais de 200 anos e estava na estante da biblioteca do pai de Laura...
            As histórias que tem lá não foram colocadas nos filmes, nem nos livros oficiais da cinderela, branca de neve ou pequena sereia... Ficou tudo guardado somente nesse livro secreto.
Xiiiiii, eu e as crianças estamos guardando esse segredo, vê se não vai sair espalhando, hein?!


            Por Priscila Santos

domingo, 11 de agosto de 2013

Um novo elemento

   Dar continuidade a um projeto com certeza tem seus méritos, mas não é disso que pretendo falar. Vou falar da forma boa como eu fui recepcionado no projeto. Tudo foi tão fácil que até parece estranho, principalmente a aceitação das crianças. Sem entender direito como elas conseguiam se interessar de forma tão sincera pelas leituras e gostar também tão facilmente de mim a minha resposta foi que aquela seria a retribuição da dedicação que elas sentem da gente e das nossas sinceras intenções de cultivar aquele momento de leitura, afinal a turma que estou agora já vivencia esta experiência há mais de um ano. Lembro que em uma das reuniões já falamos da importância disso, essa continuidade. Eu não tinha problemas com isso, mas na minha segunda contação tive uma surpresa que mudou esse meu modo de pensar e me fez surgir uma outra possível resposta. Explico. No começo ainda, chegou na turma um aluno novo, eu quando criança troquei de escola e sei como as vezes é difícil ser um aluno novo principalmente em uma escola em que todos já se conhecem e estudavam juntos, como é o caso dessa. Assim que cheguei na turma todo mundo já começou a falar que tinha um novo aluno, que eu devia chamar ele primeiro, pois bem, chamei ele juntamente com alguns outros alunos da turma, queria que ele se sentisse a vontade. Me apresentei, perguntei quem era ele e apresentei um pouco o projeto Livros Abertos e qual é a nossa proposta, falei do livro de Sherlock Holmes e retomei brevemente o que já tinha sido contado daí continuei a leitura. Acabou o tempo do grupo e enquanto ia acompanhando eles de volta para a sala perguntei o que ele tinha achado, disse que gostou. 

   O quanto ele tinha gostado e entendido qual era a proposta eu realmente não saberia dizer com certeza, afinal provavelmente essa tenha sido a primeira vez em que ele foi tirado da sala de aula para ouvir, e se quisesse, discutir sobre uma estória de um livro. Eu mesmo saí com a sensação de que podia ter sido mais legal, sei lá que talvez o trecho contado nem tenha sido bom mas enfim até a próxima semana ele assim como todos os outros deveriam esperar o prosseguir da trama.
   Aí nessa experiência é que estava a novidade! Pensei eu. Pois se para todos os outros eu estava dando continuidade nas mediações com ele eu começava do zero. O que aconteceu nas semanas seguintes foi que ele sempre se demonstrou empolgado e é um dos mais participativos. Daí que pensei que não teve muita diferença do envolvimento dele que não conhecia o projeto com o dos demais e isso é uma das coisas boas de uma criança. Eles tem essa capacidade de mergulhar de cabeça  nas coisas. Sem aquele receio ou desconfiança que os adultos vão construindo para se protegerem e as vezes nos impedem de vivenciar coisas novas ou conhecer outras pessoas. Pelo menos com as crianças que tenho contado posso ver nos olhos delas aquela confiança súbita mesmo por aquilo que lhes é estranho o que muitas vezes preocupa os pais. Obviamente tudo deve ser ponderado mas a cada vez que falo e ouço elas me sinto revigorado para buscar em mim aquele lugar onde a esperança é viva, e, dalí, sair dos livros, ir para a vida real e tentar olhar o mundo com a empolgação que vejo nelas. Vi em uma propaganda de um banco que dizia: ler um livro para uma criança... #issomudaomundo!

   Muda mesmo, mas não do jeito que se espera é uma mudança recíproca.

   Gabriel

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O que que elas devem estar pensando?

                                       http://eveferretti.blogspot.com.br/

"Quando guri, eu tinha de me calar, à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem." Mário Quintana

Olá! Quero dividir aqui minha experiência de contação do dia 8 de julho, que foi a último desse semestre. Eu nem sempre consegui envolvê-los nas histórias que eu contava, queria entender como seria uma bem envolvente para eles. Resolvi levar uma folha em branco, pois a história seria feita pelos próprios alunos e eu iria conduzindo-os: perguntando qual tipo seria (terror, aventura, comédia), o lugar, quando, quem estaria nela, fazendo o quê, como acabaria, etc. O gênero terror foi a resposta unânime da turma; o lugar variou de escola onde estudavam, casa mal assombrada, cemitério e a rua. Eles eram os personagens principais que deviam derrotar os vilões, só em um caso uma das crianças foi uma pipa mal-assombrada. Achei-os bem entusiasmados com essa atividade, e saiu muito coisa interessante, só que eles me pediram a folha e aí não quis recusar, mas lembro de algumas que vou tentar reproduzir aqui. Teve uma que achei bem engraçada:

Era uma sexta-feira 13 e já era meia-noite, os alunos estavam numa festa de Halloween na escola. A Marina foi no banheiro e deu um enorme grito, pois tinha visto um fantasmas, os meninos entraram no banheiro correndo para ajudá-la, porém, não viram nada. Depois olharam bem e viram fantasmas, zumbis, bruxas, lobisomem e ficaram assustados. Mas logo esfregaram os olhos e tudo desapareceu. Fim!

Tivemos menos tempo nessa, mas em outras, quando eles falavam que derrotaram o monstro, eu ia perguntando como, qual era o ponto fraco dele, e eles iam refletindo sobre a situação. Outra coisa que aconteceu, foi que um menino não queria que o motoqueiro fantasma fosse do mal, ele dizia que ele era bom, mas todas as outras crianças discordaram dele. Perguntei por que ele achava isso, e ele só disse que era claro que ele era bom, aí eu disse que a maioria votou para ele ser mau e que isso é que iria valer. Uma amiga, depois, me deu um toque, que poderia ter sido uma oportunidade para saber o que elas entendiam por bom e por mal, mas nem pensei nisso na hora, fiquei sem saber como agir. Em geral, gostei muito dessa atividade, diz muito sobre a criança e me ajuda a saber o que se passa nas suas cabeças. Eu confesso que resisto em levar histórias de terror para elas, parece que estou incentivando algo ruim ou naturalizando algo que não é certo. Levei uma que parecia de terror, mas no final o personagem mostrava-se bonzinho. Vou tentar ouvir mais o que elas querem da próxima vez, mas essa resistência com história de terror é bem forte, acho que levo-as muito a sério. Vou procurar um texto que me explique o porquê de as crianças gostarem tanto de histórias de terror, talvez clareie mais minhas ideias para uma história que tenha alguns pontos parecidos, mas que não seja tão macabra. Ou será que é da parte macabra que elas gostam mais O.o?

Natália Honorato

terça-feira, 16 de julho de 2013

Um tempinho pequeno de felicidade.


Cá estou eu pensando como queria ter tempo de ler meus livros... 
Foi numa terça-feira dia de cuidar do acervo do projeto que peguei um livro pra ler, fininho, porque detesto ler um livro pela metade:

“Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Colo. Este menino é mesmo um caso de poesia.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Adorei, queria muito ter um caso doentio de poesia, ver as coisas como Manoel de Barros e andar “Na estrada, meu corpo a ventos. Aves me reconhecem pelo andar.” Que graça seria me sentir uma garça!  Mas será que não o fiz isso? Como disse o grande Mário:
"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

E meu medo era deixar de ler um livro pela metade...

Por Isadora Salviano.