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quarta-feira, 29 de março de 2017

O Acervo Indica: Os Novos Clássicos II

Chegamos a última postagem de nosso especial e queremos saber dos leitores... Quais de nossas indicações vocês gostariam de ver mais profundamente no blog ou quais deles vocês gostariam de ver em nossa revista digital!

Escreva nos comentários!
As obras mais votadas vão ganhar novos especiais! =)

Mas, sem mais demora, vamos as últimas indicações dos Novos Clássicos, aqui você vai encontrar obras impressionantes para fechar com chave de ouro nosso especial!


5) Eloísa e os Bichos de Jairo Buitrago e Rafael Yockteng

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Semelhante a um dos livros que já passou pelo nosso especial - Extraordinário - este livro magnífico pode ser uma porta que nos convida para pensar sobre adaptações, mudanças e transformações.

Eloísa se muda com seu pai e o lugar é muito esquisito! Ela se sente tão estranha e inadequada e esse estranhamento todo chega até a gente por meio de ilustrações sensíveis - e ao mesmo tempo poderosas.

Sem dúvida é um excelente livro para se mediar, mas antes disso um excelente livro para se desfrutar, ao seu tempo, do seu jeito, lembrando-se daquelas vezes que você já se sentiu como Eloísa durante sua vida.


Confira algumas dicas de mediação  dessa obra incrível! >>> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2014/10/sobre-se-sentir-um-bicho-estranho.html?m=1

Ficha Técnica
Eloísa e os bichos
Texto: Jairo Buitrago
Ilustrações: Rafael Yockteng
Tradução: Márcia Leite

Editora: Pulo do Gato



6) A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón

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O mistério que este livro contém nos invade por todos os sentidos. Nossa cognição já se perde em pensamentos mirabolantes a partir do título - como pode o vento ter sombra? A ilustração da capa nos causa um arrepio, para onde vão o homem e a criança no meio de tanta neblina?

O cenário desse romance é envolvente, ora nos vemos nas ruas de Barcelona, ora estamos entre estantes de livros. A descoberta do amor, a relação entre pais e filhos, a amizade são temas que perpassam uma história que nos provoca para pensarmos a relação entre criação e criador.

A narrativa de Carlos Zafón é marcante, misteriosa e marcou leitores de diferentes idades. Encontramos aqui um clássico que marcará a geração de muitos jovens.

Ficha técnica
Título: A sombra do vento 
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma Letras
Ano: 2007

7) A invenção de Hugo Cabret de Brian Selznick

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Este é mais um dos livros de nossa lista que já foi adaptado as telonas de cinema. E nos vemos diante de uma ironia, pois o livro que fala sobre a história de um cineastra francês... mas nós só descobrimos isso no desfecho desse grande mistério.

Órfão, abandonado por seu cuidador, Hugo Cabret vive a duras penas na estação de trem. Sabe que eventualmente será descoberto pelo inspetor da estação e que será mandado para o orfanato. Mas antes disso acontecer Hugo tem que fazer funcionar o autômato que seu pai deixou para trás.

Ele não sabe que com isso ele desvelará segredos de família e descobrirá um mágico cineastra onde só via um azedo vendedor de brinquedos. As ilustrações dessa obra são tão importantes e intensas quanto ao texto escrito, não perca a oportunidade de embarcar nesse mistério.

Ficha técnica
Título: A invenção de Hugo Cabret
Autor: Brian Selznick
Editora: Edições SM
Ano: 2007


8) Coração de Tinta de Cornelia Funke

http://www.meufazdeconta.com/wp-content/uploads/2016/04/coracaodetinta.jpg

Havia muito tempo que eu não lia por prazer. Minhas leituras estavam resumidas a textos técnicos. E mesmo a literatura do projeto, ainda que aconchegante, se tornou obrigatória. Diante dessa situação, procurei por um livro que em transportasse para outro mundo. Algum que me fizesse viajar em sua história e me apaixonar por seus personagens.

Escolhi Coração de Tinta. Um livro onde o que eu procurava realmente acontece! E assim como Elinor, tenho certeza que todo bom leitor muitas vezes desejou (ou ainda deseja) “entrar dentro de um dos seus livros favoritos”. Mas, será que já desejaram que ao ler as palavras tomassem formas e se transformassem em realidade?!

Pois isso é possível para Mortimer Folchart (Mo, para os íntimos). Mo, através de sua língua encantada, “preenchia o silêncio com palavras. Ele as atraia para fora das páginas, como se elas estivessem esperando apenas por sua voz – palavras longas e breves, altivas e ternas, ronronantes, rumorejantes. Elas dançavam pelo quarto, pintavam imagens de vidro colorido e faziam cócegas na pele”.

Coração de tinta é só o começo. Cornelia Funke, autora e ilustradora desse magnífico conto, nos presenteou com a trilogia Mundo de Tinta; repleta de aventuras, coragem, reviravoltas, afetos e vida! (literalmente).

Como se toda essa magia não fosse suficiente, o livro, bem como suas lindas epígrafes, faz referência a outras obras muito conhecidas e a personagens famosos da literatura; como: Pippi Meialonga, Alice no País das Maravilhas, Os contos das mil e uma noites, Peter Pan, ursinho Pooh e muitos outros.

Desfrute dessa história e permita que ela te guie para um lugar inusitado e tenha encantamentos à flor da pele! E lembre-se: “o bom dos livros é justamente isto: podemos fechá-los quando quisermos” (embora, eu espere que você, caro leitor desse blog, tenha sede por abrir cada vez mais livros!).

Ficha técnica
Título: Coração de tinta 
Autor: Cornelia Funke
Editora: Seguinte
Ano: 2006


Nossas indicações terminam por aqui!
Agradecemos por todos que nos acompanharam neste caminho.
Acompanhem nossas postagens, há muita novidade chegando por aqui.
Escrito com carinho por Rafaella, Eileen e Júlia

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Especial Famílias Malucas: Meu tio Wal é um Lobisomem

Nosso especial de férias já está quase no fim! É a penúltima família que vamos visitar, e Jackie nos leva novamente a um mundo sombrio. Já conhecemos um pouco sobre como os vampiros vivem... mas e os lobisomens?

https://editorafundamento.com.br/index.php/catalog/product/gallery/id/210/image/2993/

Com o misterioso desaparecimento de seus pais - que eram líderes da alcateia - Pancadinha tem que viver com seu tio Wal, que é humano demais para um lobisomem. Novas regras, novas linguagens e novos costumes. Todas essas mudanças foram súbitas e sem sentido para um jovem. Será que é necessário negar a herança e os costumes de seus pais? Será justo abrir mão da liberdade e do isolamento dos lobisomens pela segurança que uma vida humana urbana promete?



Impossível não desconfiar das boas intenções de tio Wal e de seus hábitos tão humanos. Pancadinha contrata uma detetive (Ameixela) para ajudá-lo, pois mesmo farejando bem as ideias não se ajustam. Além disso, nosso protagonista está decidido a achar seus pais, mesmo que isso signifique desafiar seu tio (um nada como um bom e velho Hamlet!).

Jackie nos imerge em um mundo de sensopercepção e consciência corporal, toda vez que Pancadinha Muda para sua forma humana, seu corpo se torce, retorce e o mundo ao seu redor se transforma se transforma. Onde havia cheiros, passa haver cores e onde há instinto e intuição, surge ideias e planos mirabolantes.

Quando o assunto é proteger nossa família e nossos costumes, nós, humanos, não estamos tão distantes dos lobisomens. Por isso, sinta esse soluço pelo avesso com tremedeira no meio, sinta seu traseiro ficar mais peludo e suas orelhas se tornarem pontudas, sinta seus braços encurtarem e sua língua crescer. Descubra o lobinho que há em você e uive com Pancadinha e Ameixela!



Curiosos para saber mais sobre essa família?
Rumo nossa última reportagem!
=)

Ficha:
Meu tio Wal é um lobisomem
Autora: Jackie French
Ilustrador: Stephen Michael King
Editora: Fundamento
Ano de Edição: 2010.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Acervo Indica: 7a Edição

Oi pessoal,
Todo mundo bem? Preparados pra mais um “Acervo indica”? Os livros de hoje falam sobre a amizade, o amor entre amigos e todas as alegrias e dificuldades de uma amizade. <3
Vamos as indicações?

Meu amigo Jim - Kitty Crowther

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Dois pássaros diferentes, uma amizade que começou delicadamente por serem de mundos diferentes. Mas essa amizade causa desconforto em outros pássaros e Jim e Jack buscam encontrar uma solução.

“A sexualidade, a discriminação, o valor da amizade, a resistência em não abandonar aquilo em que se acredita e, de quebra, a importância do hábito da leitura, são apenas alguns dos temas tocados…”

Meu amigo Jim é um livro com lindas ilustrações, mas com uma história mais linda ainda.

Ficha:
Meu amigo Jim
Autora: Kitty Crowther
Editoria Cosac Naify

Vizinho, Vizinha - Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello

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Quantos de nós vivemos em apartamentos hoje? Quantos não tem, com frequência, um diálogo longo com as pessoas da nossa casa? E os vizinhos, nem sabemos o nome direito? Vizinho, Vizinha é um livro sobre as pessoas que moram na casa ao lado. Como elas são? O que elas fazem? Será que são interessantes?

Você já se pegou pensando em como é o seu vizinho? E se ele for uma pessoa legal e você está perdendo uma oportunidade incrível de conhecer alguém? Quem sabe, assim como nesse livro, você não tem uma grata e amorosa surpresa? Muitas perguntas para um livro só, né?!

Ficha:
Vizinho, Vizinha
Autor: Roger Mello
Ilustradoras: Graça Lima, Mariana Massarani
Editora Companhia das Letrinhas

Você e eu - Maggie Maino
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“Você e eu, sempre juntos,
sempre prontos.
Uma amizade que nos transforma
e nos torna… espetaculares”

A amizade entre uma mulher e seu gato, vivendo diversas aventuras e emoções com muito amor e cuidado entre eles. As ilustrações são delicadas, lindas e leves e o livro, curtinho, mas isso não torna ele menos interessante por isso. Muito amor em cada página.

Ficha:
Você e eu
Autora: Maggie Maino
Editora Livros da Matriz

Trudi e Kiki - Eva Furnari

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Duas garotas parecidas fisicamente, mas diferentes na essência: uma é bruxa e a outra, não! Seus caminhos se cruzam durante uma festa de dia das bruxas e são trocadas, sem querer, pelas mães e se veem em uma nova casa e em uma nova vida! Elas precisam enfrentar as dificuldades que surgem com o desconhecido e acabam se divertindo muito em outros momentos. E tamanha confusão desenvolve um relacionamento afetivo lindo, tornando as meninas e suas famílias (grandes) amigas.
O livro permite trabalhar o novo, o desconhecido, mas também a importância da família. Conhecer novas pessoas pode ser bom e uma nova cultura também. As ilustrações são uma graça, toda divertida.

Ficha:
Trudi e Kiki
Autora: Eva Furnari
Editora Moderna

Gostaram das indicações de hoje? Que tal compartilhar com um amigo pra mostrar que se lembrou dele hoje? Semana que vem tem mais indicação, aguardamos vocês!
Beijos Mediadores,
Nagy.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Mundo no Black Power de Tayó - Um livro sobre raízes, cultura e afeto

Na última reunião com nossos mediadores, fomos apresentados ao livro O Mundo no Black Power de Tayó. Escrito por Kiusam de Oliveira, ilustrado por Taisa Borges e vencedor do Prêmio ProAC de Cultura Negra em 2012, o livro é um convite para refletir sobre as raízes culturais, nossa identidade e nossa relação afetiva com nossa própria história.



Tayó é uma menina de 6 anos e em seus cabelos crespos e cheios ela ostenta toda a sua cultura e sua identidade, ela é encantadora e radiante, merecedora de seu nome (Tayó significa alegria). Logo nas primeiras páginas do livro, vemos a mais profunda expressão poética da autora para falar da beleza da protagonista, fazendo que os leitores logo se enterneçam ao conhecer uma menina tão bonita, espontânea e poderosa.  Trata-se de uma história profunda de afeto e empoderamento.

 
Muitas atividades e brincadeiras podem ser feitas com as crianças a partir do livro para aprofundar as reflexões:
1) Pedir para que tentem ser reconhecer, apenas tocando o cabelo uma das outras.
2) Eles podem se observar e criar versos para exaltar a beleza uns dos outros. Exemplo: Marta tem olhos marrons como terra fértil.
3) Pedir para que as crianças pesquisem mais sobre a história do Brasil e do povo brasileiro.
4) Pedir para que as crianças investiguem sua própria história familiar.
5) Contar sua própria história sob a perspectiva de seus cabelos.
6) Quando Tayó se percebe como uma princesa e sua mãe como uma rainha, podemos pedir para que as crianças se desenhem como realezas e propor que reflitam suas diversas características (como lealdade, gentileza, coragem) que as tornam tão nobres e únicas. 
7) Propor que as crianças criem enfeites de cabelo e presenteiem umas as outras. 

A última foi proposta as mediadoras que estavam na reunião, foi um momento de intimidade, troca, entrega e carinho.


Livros Abertos sugere:
O episódio de Livros Animados, programa do Canal Futura, em que há a contação e reflexões sobre esta obra, você pode encontrar no link: https://youtu.be/w2c4KVTowSg.

Confira nossas dicas de mediação na nossa revista:
http://www.revistalivrosabertos.org/#!O-Mundo-no-Black-Power-de-Tayó-Kiusam-de-Oliveira-e-Taisa-Borges/cu6k/572cee670cf2094051e6ecc3


Ficha Técnica:
Título: O Mundo no Black Power de Tayó
Autor: Kiusam de Oliveira
Ilustração: Taisa Borges
Editora: Editora Peirópolis
Edição: 1
Ano: 2013

terça-feira, 24 de abril de 2012

Triste Déjà-Vu

Muitos devem ter visto a última capa da Revista Veja, que mostra um rapaz alto, magro, bem-vestido e sorridente ao lado de um "baixinho" caricato, com a roupa desalinhada e a expressão descontente. A revista declara que "do alto tudo é melhor" e que a "evolução tecnofísica" explicaria "por que as pessoas mais altas são mais saudáveis e tendem a ser mais bem-sucedidas". As palavras "mais altas", "mais saudáveis" e "mais bem-sucedidas" aparecem destacadas com a mesma cor.
A "tecnofísica" é anunciada como uma nova ciência, e a "evolução tecnofísica" como um suposto progresso genético rumo a pessoas mais altas = felizes = bem-sucedidas. Nova ciência? Parece-me que "ciências" bem parecidas e nada novas já foram anunciadas como a "solução da humanidade". Todos conhecem no que deu.
Há uma profusão de livros infantis e infanto-juvenis, geralmente paradidáticos (mas não sempre), dedicados à questão das "diferenças". A expressão em si talvez não seja a melhor, pois podemos ser diferentes ou semelhantes em infinitos aspectos e as "diferenças" destacadas em alguns trabalhos menos reflexivos talvez sejam mais reveladoras de preconceitos subjacentes do que inspiradoras de novas atitudes. É possível, ainda, que apenas repetir que somos diferentes e sugerir, enganosamente, que podemos construir um mundo idílico e sem conflitos não seja a melhor maneira de ajudar as crianças a pensarem criticamente sobre práticas discriminatórias que marcam nossa sociedade. Mas isso fica para uma próxima postagem. Hoje, fica apenas a triste constatação: entre tantos livros especializados, encontros, debates e outros esforços para refletir sobre a discriminação e a intolerância e favorecer o pensamento plural na escola, alguns veículos de comunicação  continuam, infelizmente, desfilando afirmações que buscam dar respaldo pseudo-científico a preconceitos mal-disfarçados.

"É aquilo que fazemos do que temos, e não o que nos foi dado, que distingue uma pessoa de outra". Nelson Mandela.