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terça-feira, 1 de agosto de 2017

O mágico de Oz de L. Frank Baum

O último ano foi muito curioso. Me peguei lendo alguns dos clássicos da literatura infantil. Crônicas de Nárnia, Hobbit, A fantástica fábrica de chocolate, O mágico de Oz... Me surpreendi. Positivamente.

Peço licença para compartilhar minhas impressões. Preparem os sapatos de prata para não perder seu caminho.  Hoje é o dia de O mágico de Oz.

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Escrito pelo L. Frank Baum em 1900, este é um livro que marcou gerações e marcou profundamente memórias. O mágico de Oz é o primeiro de uma série de 14 livros,  uma obra icônica. Mais do que um clássico, ou um conto de fadas, esta história é um símbolo consolidado da cultura pop. Desde seu lançamento, foi adaptado diversas vezes para o cinema. Além disso, encontram-se com facilidade diversas referências ao universo e aos personagens de Oz em diversas outras obras.

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É difícil encontrar alguém que não conhece a história de Dorothy, ou do ciclone que levou sua casa, ela e Totó para uma terra misteriosa. "Não estamos mais em Kansas!". Muitos já sabem que, para voltar para casa, ela procura por um poderoso mágico que mora em uma cidade misteriosa. Segue assim por um caminho de tijolos amarelos na companhia de um leão que deseja ter coragem, um homem de lata que deseja ter um coração e um espantalho que quer ter um cérebro, ao invés de palha seca.

Muitos já conhecem essa história e podem estar se perguntando se vale a pena ler o livro e qual a graça que você poderia encontrar na leitura do deste livro.  E parafraseando Lisbela - e uma pá de outras pessoas por aí - a graça não está em saber o que acontece... mas como acontece e quando acontece.

O que mais me encanta na escrita de Baum é jeito de criar imagens. Muitas vezes, o estado afetivo de um personagem se confunde ou se propaga para o que está ao seu redor. Assim, o humor de tia Em é acinzentado assim como suas roupas, sua casa, sua pele e seus olhos. "[...] ela também foi modificada pelo sol e pelo vento, que apagaram a centelha que existiam em seus olhos [...] Desbotaram o rubor das suas faces e dos seus lábios, que também ficaram cinzas. Era magra e seca, e não sorria mais". Em Oz, o acinzentado da vida dura e infértil que Dorothy conhecia no Kansas se colore. A terra de Oz brilha em cores vivas. o caminho de tijolos amarelos leva à cidade de Esmeralda, onde as cores das flores são intensas e hipnóticas, os frutos grandes e suculentos.

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A narrativa é composta por paradoxos e contrastes que geram uma tensão entre as realidades subjetivas de cada personagem e a realidade objetiva que é compar-tilhada por eles. Por que um leão que se arrisca para salvar os outros, ruge alto, se coloca na linha de frente e se voluntaria para lutar, mas se diz covarde e deseja ter coragem? Por que um homem de lata que se preocupa, e chora tanto pelas injustiças e maus atos, diz que não sente nada e deseja ter um coração? Ou por que o mais criativo e engenhoso dos personagens se diz burro e deseja um cérebro?  Por que Dorothy quer voltar tanto para sua casa cinza e dura? O autor é perspicaz e nos mostra que, às vezes, o que mais desejamos está embaixo de nosso nariz - ou nos nossos pés.

Os desafios que Dorothy e seus amigos enfrentam vêm sob medida para testar sua persistência, sua coragem, sua empatia e sua inteligência. O que nos faz pensar que, às vezes, são os desafios da vida que nos permitem nos confrontarmos com nossas maiores qualidades.

É interessante ver como a relação entre os personagens vai se desenvolvendo e se intensificando - alguns podem se chocar com a facilidade de alguns dos companheiros de viagem deixar para trás alguém que se atrapalha para remar ou que dorme no jardim de papoulas (capítulo O campo das papoulas da morte). Mas se despedir de alguém vai se tornando mais difícil conforme vamos conhecendo melhor os personagens.  Ao longo de suas aventuras, eles vão descobrindo que há uma diferença entre fazer uma jornada com outras pessoas e fazer uma jornada juntos.

Nossa convite de hoje é:  leiam este conto moderno e compartilhem conosco o que vocês acharam de mais bonito nessa obra ;D

Ficha técnica
O mágico de Oz
Escritor: L. Frank Baum
Ilustrador: W. W. Denslow
Tradutor: Sergio Flaksman
Editora: Zahar
Ano de edição: 2013

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Dica de Leitura: Sete minutos depois da meia-noite

Procurando por um livro bom? Aqui você encontra as melhores dicas de leitura, podemos não ser críticos literários renomados ou especialistas em literatura russa, mas nosso critério é infalível.


O AFETO

Todas indicações aqui vem de nossas boas experiências com a leitura, os livros que indicamos são doces companheiros de jornada. Indicamos aquele que nos proporcionou momento de inigualável prazer, aquele que mobilizou emoções, aquele que foi como água fresca em um dia quente.

A verdade é que acreditamos, que uma vez que esses livros chegaram até a gente e fizeram tanta bagunça e tanta alegria, temos um dever com ele. Temos que passar sua história adiante.

Patrick Ness, escritor do companheiro que indicamos hoje, crê nisso também, não só ele deu vida aos personagens que haviam se perdido após a morte de sua criadora - a escritora Siobhan Dowd. Como também reinventou o enredo, fazendo de um personagem que é a própria história encarnada.

Essa história é viva e intensa, fala tanto de uma realidade externa dura, quanto de um mundo interno bagunçado e hostil, é um livro que abre portas para falar sobre temas difíceis. Que temas são esses?
Mortalidade, bullying, divórcio, traição, agressividade, niilismo, desesperança.

Como falar sobre tudo isso com sutileza? Como Patrick fez isso? Só lendo para saber, mas vamos fazer um esforço para convencê-los a conhecer esta narrativa onírica. Começamos com Conor O'Malley e o Monstro.

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A vida de Conor não está nada fácil, nem pelo dia - em que tem que enfrentar a agressão desenfreada de seus colegas de sala, as tarefas do lar, uma amiga fofoqueira e a enfermidade de sua mãe - nem de noite - em que todos os dias é abalado e atormentado por um pesadelo. Não qualquer pesadelo, mas aquele pesadelo, que lhe tira o chão e lhe coloca diante do abismo.

Para piorar tudo, aquele teixo, tão grandioso e assustador, que fica na frente do cemitério saí de sua então certeira imobilidade e começa perseguir Conor.

Sua proposta é desconcertante: "Eu lhe contarei três histórias [...] E quando eu terminar minhas três histórias, você me contará a quarta.". Conor responde o que muitos mediadores de primeira viagem dizem: "Não sou bom com histórias" ao que o Monstro replica: "Você me contará a quarta história, e ela será a verdade."

E se eu não contar? - Perguntou Conor.
O monstro abriu um sorriso malvado novamente. - Então o comerei vivo.

Conor, sem saída, e se vê diante do teixo todas as noites. Ouvindo suas histórias sem entender o por quê delas, sem perceber que está sendo envolvido pelos laços da narrativa. O monstro como um ótimo contador nos coloca uma questão e nos confronta com a animalidade e vida das histórias, que uma vez que são colocadas no mundo, seguem livres, indomadas e desenfreadas pelo mundo.

As histórias saem pelo mundo, se envolvendo e se jogando, se somando à novas histórias e novas vidas. Assim como nossas histórias se enredam na história de Conor, a vida de Conor se mistura as histórias tecidas pelo Monstro. Conor se assusta, se frusta e se surpreende com as histórias do Monstro e nós - leitores - nos assustamos, nos frustramos e nos surpreendemos com Conor e suas verdades.

Mergulhe, abrace seu medo e junte-se a Conor. Quem sabe você descobre que tem verdades para dizer também.

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Escrito: por Júlia Gisler

P.S.: Esse livro foi recém adaptado para o cinema, e fica a dica, merece também ser assistido!

Sete minutos depois da meia-noite
Escrito por Patrick Ness
Traduzido por Paulo Polzonoff Júnior
Editora: Novo Conceito

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley

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Sabe quantos anos tinha Mary Shelley quando começou a escrever Frankenstein? Dezoito. Ao redor da fogueira, ela e seus amigos se divertiam contando histórias assustadoras, Num dado momento, surgiu o desafio: que cada um dos amigos escrevesse sua própria história de terror. Dois anos depois, Mary Shelley publicava Frankenstein ou o Prometeu Moderno. Nenhum dos amigos levou o desafio até o fim.

Numa inversão universalmente conhecida, as pessoas costumam dar o nome de Frankenstein à criatura, quando se trata, na verdade, do nome do criador. Quem não leu, geralmente, custa a aceitar essa informação: "Frankenstein só pode ser o nome do monstro". Talvez seja justo. Afinal, o que criamos é também um pedaço de nós. O tormento da criatura é o tormento de criador, Viktor Frankenstein.  O desejo da criatura de ser aceita reflete, em outro nível, a ambição de Viktor, que deseja ser reconhecido como um cientista brilhante que foi além de todos os limites e tornou-se capaz, como Prometeu, de dar a centelha da vida.

Acontece que esse Adão moderno é imediatamente rechaçado por seu criador. Não é rechaçado por nenhum ato indesejável, nem por uma falha moral ou de caráter, e sim por ser feio, repugnante, assustador.  Frankenstein, covardemente, abandona sua criatura e sente alívio ao imaginar ter se livrado desse filho que o constrangia. Esse filho que não saiu como ele imaginou, que não refletia suficientemente sua grandeza. Esse filho que não recebeu do pai aquilo que é o símbolo de aceitação, de reconhecimento, de responsabilidade: um nome próprio.

O filho sem nome busca, pois,  o amor. Nada mais. Vaga pelo mundo com a esperança de que alguém possa adotá-lo como seu. Quer pertencer. Mas ninguém o quer. Seus gestos de aproximação são interpretados como ameaças, suas tentativas de fazer-se ouvir, recebidas com terror e violência. Desesperado, acaba tornando-se o que o relegaram a ser: um monstro.

Soa familiar? Deu para ver como essa história, longe de ser apenas uma história assustadora, fala com a alma jovem e como toda(o)s nós?


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A obra foi escrita em uma época em que o conceito de adolescência ainda não estava consolidada. Já carrega, no entanto, todos os ecos do Sturm Und Drang que caracterizam nossa concepção de juventude até o dia de hoje.  A paixão da juventude é refletida tanto na ambição e vontade de saber desmesuradas de Viktor Frankenstein, quanto na desolação e no desespero que se instalam no coração do monstro. Não é à toa que um dos livros lidos pelo monstro ao tentar compreender a humanidade é justamente Os Sofrimentos do Jovem Werther de Goethe, ícone fundante da visão romântica da juventude como uma fase de paixão, fogo e tormento.

Por tudo isso e por ser simplesmente uma obra prima de ficção científica, terror e romance (tudo ao mesmo tempo),  Frankenstein ou o Prometeu Moderno, escrito há exatos 199 anos atrás por uma adolescente inquieta e genial, com certeza tocará o coração de jovens deste milênio. O Livros Abertos recomenda!


Escrito por: Eileen Pfeiffer

quarta-feira, 29 de março de 2017

O Acervo Indica: Os Novos Clássicos II

Chegamos a última postagem de nosso especial e queremos saber dos leitores... Quais de nossas indicações vocês gostariam de ver mais profundamente no blog ou quais deles vocês gostariam de ver em nossa revista digital!

Escreva nos comentários!
As obras mais votadas vão ganhar novos especiais! =)

Mas, sem mais demora, vamos as últimas indicações dos Novos Clássicos, aqui você vai encontrar obras impressionantes para fechar com chave de ouro nosso especial!


5) Eloísa e os Bichos de Jairo Buitrago e Rafael Yockteng

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Semelhante a um dos livros que já passou pelo nosso especial - Extraordinário - este livro magnífico pode ser uma porta que nos convida para pensar sobre adaptações, mudanças e transformações.

Eloísa se muda com seu pai e o lugar é muito esquisito! Ela se sente tão estranha e inadequada e esse estranhamento todo chega até a gente por meio de ilustrações sensíveis - e ao mesmo tempo poderosas.

Sem dúvida é um excelente livro para se mediar, mas antes disso um excelente livro para se desfrutar, ao seu tempo, do seu jeito, lembrando-se daquelas vezes que você já se sentiu como Eloísa durante sua vida.


Confira algumas dicas de mediação  dessa obra incrível! >>> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2014/10/sobre-se-sentir-um-bicho-estranho.html?m=1

Ficha Técnica
Eloísa e os bichos
Texto: Jairo Buitrago
Ilustrações: Rafael Yockteng
Tradução: Márcia Leite

Editora: Pulo do Gato



6) A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón

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O mistério que este livro contém nos invade por todos os sentidos. Nossa cognição já se perde em pensamentos mirabolantes a partir do título - como pode o vento ter sombra? A ilustração da capa nos causa um arrepio, para onde vão o homem e a criança no meio de tanta neblina?

O cenário desse romance é envolvente, ora nos vemos nas ruas de Barcelona, ora estamos entre estantes de livros. A descoberta do amor, a relação entre pais e filhos, a amizade são temas que perpassam uma história que nos provoca para pensarmos a relação entre criação e criador.

A narrativa de Carlos Zafón é marcante, misteriosa e marcou leitores de diferentes idades. Encontramos aqui um clássico que marcará a geração de muitos jovens.

Ficha técnica
Título: A sombra do vento 
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma Letras
Ano: 2007

7) A invenção de Hugo Cabret de Brian Selznick

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Este é mais um dos livros de nossa lista que já foi adaptado as telonas de cinema. E nos vemos diante de uma ironia, pois o livro que fala sobre a história de um cineastra francês... mas nós só descobrimos isso no desfecho desse grande mistério.

Órfão, abandonado por seu cuidador, Hugo Cabret vive a duras penas na estação de trem. Sabe que eventualmente será descoberto pelo inspetor da estação e que será mandado para o orfanato. Mas antes disso acontecer Hugo tem que fazer funcionar o autômato que seu pai deixou para trás.

Ele não sabe que com isso ele desvelará segredos de família e descobrirá um mágico cineastra onde só via um azedo vendedor de brinquedos. As ilustrações dessa obra são tão importantes e intensas quanto ao texto escrito, não perca a oportunidade de embarcar nesse mistério.

Ficha técnica
Título: A invenção de Hugo Cabret
Autor: Brian Selznick
Editora: Edições SM
Ano: 2007


8) Coração de Tinta de Cornelia Funke

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Havia muito tempo que eu não lia por prazer. Minhas leituras estavam resumidas a textos técnicos. E mesmo a literatura do projeto, ainda que aconchegante, se tornou obrigatória. Diante dessa situação, procurei por um livro que em transportasse para outro mundo. Algum que me fizesse viajar em sua história e me apaixonar por seus personagens.

Escolhi Coração de Tinta. Um livro onde o que eu procurava realmente acontece! E assim como Elinor, tenho certeza que todo bom leitor muitas vezes desejou (ou ainda deseja) “entrar dentro de um dos seus livros favoritos”. Mas, será que já desejaram que ao ler as palavras tomassem formas e se transformassem em realidade?!

Pois isso é possível para Mortimer Folchart (Mo, para os íntimos). Mo, através de sua língua encantada, “preenchia o silêncio com palavras. Ele as atraia para fora das páginas, como se elas estivessem esperando apenas por sua voz – palavras longas e breves, altivas e ternas, ronronantes, rumorejantes. Elas dançavam pelo quarto, pintavam imagens de vidro colorido e faziam cócegas na pele”.

Coração de tinta é só o começo. Cornelia Funke, autora e ilustradora desse magnífico conto, nos presenteou com a trilogia Mundo de Tinta; repleta de aventuras, coragem, reviravoltas, afetos e vida! (literalmente).

Como se toda essa magia não fosse suficiente, o livro, bem como suas lindas epígrafes, faz referência a outras obras muito conhecidas e a personagens famosos da literatura; como: Pippi Meialonga, Alice no País das Maravilhas, Os contos das mil e uma noites, Peter Pan, ursinho Pooh e muitos outros.

Desfrute dessa história e permita que ela te guie para um lugar inusitado e tenha encantamentos à flor da pele! E lembre-se: “o bom dos livros é justamente isto: podemos fechá-los quando quisermos” (embora, eu espere que você, caro leitor desse blog, tenha sede por abrir cada vez mais livros!).

Ficha técnica
Título: Coração de tinta 
Autor: Cornelia Funke
Editora: Seguinte
Ano: 2006


Nossas indicações terminam por aqui!
Agradecemos por todos que nos acompanharam neste caminho.
Acompanhem nossas postagens, há muita novidade chegando por aqui.
Escrito com carinho por Rafaella, Eileen e Júlia

quarta-feira, 22 de março de 2017

O Acervo Indica: Os Novos Clássicos I

Livros que em breve serão clássicos no Brasil.
Fizemos uma seleção de novidades e de livros que chegaram há pouco tempo nas estantes das bibliotecas do Brasil.

1) Contos de Lugares Distantes de Shaun Tan


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Shaun Tan é um autor desbravador, dotado de muitos talentos. É capaz de mover grandes porções de afetos de maneira sutil, mas poderoso como o movimento tectônico.

Ele mergulha no fantástico e faz respigar e refrescar quem está ao seu redor. Exatamente como uma criança faz no verão, quando salta como uma granada na piscina da avó.

Esse livro parece ser um diário do escritor em suas viagens, uma grande colcha de retalhos com reflexões e aventuras, cada destino tem suas próprias cores e estilo. Lembra uma coleção de postais ou um scrapbook feito com carinho e pensado em cada detalhe. 


Se a curiosidade já te encontrou, leia sobre alguns dos contos fantásticos que você vai encontrar nesse livro:

Ficha técnica do livro
Contos de lugares distantes
Autor e ilustrador : Shaun Tan
Tradução: Érico Assis
Editora: Cosacnaify
Ano: 2013

2) Extraordinário de R. J. Palacios

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Não só crianças e adolescentes têm de ler, mas todos, todos mesmo! Se você é um ser humano sobre a terra, faça o favor de ler! 

É uma questão de se sensibilizar com o outro, com as diferenças, com a singularidade de cada um. A linguagem é gostosa, o livro é bem escrito. É contagiante! 

Não faltaram afeto, exclamações e superlativos para fazer a indicação desse livro, que nos instiga a ser o seu melhor para o outro. Muitos mediadores já falaram que este é um livro que vai ler para suas crianças!

P.S.: Vocês sabiam que a escritora de Extraordinário é uma brasileira?

Ficha Técnica
Título: Extraordinário
Autor: R. J. Palacios
Editora: Intrinseca


3) A história de Júlia e sua sombra de menino de 

Christian Bruel, Anne Galland e Anne Bozellec

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Muit@s d@s mediador@s de nosso projeto se emudecem diante desta obra. Eu me vejo juntando-me ao coro do silêncio que contempla uma obra tão magnífica e sensível. Muitas histórias se encontram na história de Júlia e acredito que seja esse processo de identificação que torna esta obra tão magistral.

Levante da cadeira agora aquele que alguma vez foi impedido de brincar de algo porque era apenas para meninos; aquele foi impedido de usar uma roupa ou uma cor, porque rosa e saia são vetados para rapazes. Aquele que já foi foi calado pelos pais, aquele que já foi devastado pela dor de não atender as expectativas de familiares.

E se algum de vocês leitores, ainda está sentado, tenho certeza que você ainda vai se emocionar com as história dessa menina atormentada pela própria sombra.

Confira sem demora nossas dicas de mediação: https://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2016/06/29/A-Hist%C3%B3ria-de-J%C3%BAlia-e-sua-Sombra-de-Menino-Christian-Bruel-Anne-Galland-e-Anne-Bozellec

Ficha Técnica
Título: A história de Júlia e sua sombra de menino
Autores: Christian Bruel e Anne Galland 
Ilustradora: Anne Bozellec
Editora: Sipcione
Ano: 2015

4) O livro de todas as coisas Guus Kuijer

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Este livro já passou por aqui em uma edição especial do Acervo Indica. Ele começa de forma metalinguística. Thomas já adulto, bate a porta do autor e fala que gostaria de contar sua história.

Como o nome sugere, trata-se de um livro que aborda todas as coisas do mundo! Como isso? Ora, em uma vida vemos todo o tipo de coisa, e isso é verdade para sobre infância de Thomas, que não foi feliz. Neste livro, a realidade e a imaginação se misturam, afinal Thomas era capaz de ver coisas que ninguém mais via. Ele também questionava o que ninguém questionava: por que o mundo dos adultos é tão confuso? Por que há tantas incoerências e desencontros entre o falar e o agir?

É impossível não se inquietar com os sonhos e os pesadelos que Thomas teve que enfrentar. A narrativa de Guus é familiar e saborosa, parece mesmo que foi feita à frente da lareira junto com Thomas. É um livro tão surpreendente e tão rico, que hoje encontrei vinte e um reais quando o abri. Hahaha!


Ficha Técnica
Título: O livro de todas as coisas
Autor: Guus Kuijer
Tradutora: Mirella Traversin Martino
Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2011

Já tiveram oportunidade de conhecer essas obras?
Voltaremos com outras dicas de livros semana que vem,
Nos vemos lá.
Com carinho,
Eileen, Tanize, Monique e Júlia

segunda-feira, 20 de março de 2017

Você precisa conhecer Pippi Meialonga

Pippi Meialonga (nome completo Pippilotta Comilança Veneziana Bala-de-Goma Filhefraim Meialonga) tem nove anos e é a menina mais forte do mundo. Tem duas tranças cor de cenoura e o rosto todo salpicado de sardas. Seu vestido é feito por ela mesma e todo cheio de retalhos coloridos. Pippi mora na Vila Vilekula, uma casinha situada numa cidadezinha muito, muito pequenina,  com o Sr. Nilson (um macaquinho) e um cavalo que fica no terraço. Ninguém mais. Muito melhor assim, pois "ninguém vinha dizer a ela que estava na hora de ir para a cama no exato instante em que ela estava se divertindo mais, e ninguém a mandava tomar óleo de fígado de bacalhau quando ela estava com vontade de chupar uma bala".

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Seu pai, Efraim Meialonga, é um capitão que navega os sete mares. Sua mãe está no céu. Seus vizinhos Aninha e Tom são duas crianças muito certinhas, penteadas e limpinhas para quem, depois que fazem amizade com Pippi, a vida nunca mais será igual. Pippi tem uma árvore que serve limonada geladinha (que os pequenos leitores rapidamente desconfiam ser colocada no oco da árvore pela própria Pippi), uma gaveta cheia de maravilhas trazidas de suas viagens com o pai que prontamente compartilha e mil aventuras malucas na manga. Divertida e nunca igual, não leva desaforo para casa, enfrentando valentões de todo tipo (inclusive dois policiais muito agressivos e cínicos terminam sendo lançados ao telhado da casa após testar continuamente a paciência de nossa heroína). Pippi dorme com os pés no travesseiro, organiza aventuras sensacionais, faz faxina patinando com dois escovões no pé e aproveita cada momento da vida com um entusiasmo contagiante. Faz as coisas do jeito dela, sempre causando o maior estranhamento, ao que responde, invariavelmente, com uma história fantástica sobre um lugar distante que ela teria conhecido em que as pessoas fazem as coisas exatamente assim, deixando Tom e Aninha (e os pequenos leitores) com a pulga atrás da orelha e pensando que, sim, as coisas podem ser diferentes em outros lugares e tempos e as convenções não são eternas nem imutáveis.  

Assim como para Tom e Aninha, minha vida mudou quando Pippi fez sua entrada triunfal em meu coração. É tão difícil escolher um trecho, dentre tantos maravilhosos, para mostrar o quanto essa menininha nos arrebata com sua espontaneidade e perspicácia. O trecho que escolhi expressa o amor-próprio da menina, relacionado a uma característica que, na época em que se passa a história, era considerada um grande defeito estético, que exigia tratamentos cosméticos prolongados. As três crianças estão passeando e Pippi vê algo na vitrine de uma perfumaria:


"A vitrine mostrava um grande pote de creme anti-sardas e, ao lado do pote, uma tabuleta com a pergunta: "VOCÊ SOFRE DE SARDAS?".
- O que está escrito ali - quis saber Pippi. Ela quase não sabia ler, pois não queria ir à escola como as outras crianças.
- Está escrito: "Você sofre de sardas?"- disse Aninha.
- Ah, é? Interessante… - disse Pippi, pensativa. - Bem, uma pergunta educada exige uma resposta educada. Vamos entrar!
A menina empurrou a porta e entrou, seguida de perto por Tom e Aninha. Atrás do balcão estava uma senhora de certa idade. Pippi foi direto para ela.
- Não! - disse, em tom decidido.
- O que você quer? - perguntou a senhora.
- Não! - repetiu Pippi.
- Não entendo o que você está tentando me dizer - disse a senhora.
- Não, eu não sofro de sardas - disse Pippi.
Agora sim, a senhora entendeu. Mas, depois de dar uma olhada para Pippi, ela comentou:
- Mas minha querida menina, seu rosto é completamente coberto de sardas!
- É mesmo! - respondeu Pippi. - Mas eu não sofro com elas. Eu gosto delas! Até logo!
Quando chegou à porta, Pippi olhou para trás e gritou:
- Mas se aparecer algum creme que aumente as sardas, por favor, mande entregar sete ou oito potes lá em casa!".


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Quem me apresentou Pippi foi minha mãe (O livro foi publicado no ano em que ela nasceu: 1945). Lá em casa, toda a criançada já riu, se encantou e empoderou com as peripécias dessa grande menininha criada pela genial Astrid Lindgren (não é à toa que o maior prêmio mundial de literatura infanto-juvenil leva seu nome).

Quando eu ia dormir, pensava em Pippi, no silêncio da Vila Vilekula, com os pés no travesseiro, cantando melodias de ninar para si mesma. Eu, do outro lado desse sonho literário, com meus pais por perto, sentia um pouco de tristeza ao pensar em Pippi tão sozinha. Ao mesmo tempo, entendia, de alguma maneira, que há uma solidão que sempre irá nos acompanhar. Ainda bem que Pippi me ensinou que isso não precisa ser ruim e que, dentro de nós, podemos encontrar generosidade, alegria de viver e uma força descomunal que nem imaginávamos ser possível.


Escrito por: Eileen Pfeiffer
Ficha Técnica:
Título: Pippi Meialonga
Autora: Astrid Lindgren
Ilustrações: Lauren Child
Tradução do sueco: Maria de Macedo
Editora: Astrid Lindgren
Ano: 2008 (publicado pela primeira vez na Suécia em 1945).

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Acervo Indica: Clássicos II

Continuamos nossa maratona pelos livros favoritos de nosso Projeto! Ansiosos pelas nossas dicas de leitura?


5) Bolsa Amarela de Lygia Bojunga

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Sabe aquelas três vontades secretas que provavelmente toda criança já teve? Se você não teve vai conhecer e vai se identificar. Em Bolsa Amarela, você conhece uma criança que tem certas vontades, que falam diretamente com você. Algumas você vai inevitavelmente realizar com o tempo, outras apenas se você perseverar. 

O grande dilema é o que fazer quando as vontades vão crescendo devagarinho e tomando todo o espaço a sua volta e te sufocando de tanta ansiedade, que é difícil conter. Do que você precisa para esconder um amigo brigão? Para enfiar aquelas histórias incríveis que não dá pra não contar pra todo mundo? Você precisa de algo grande, você precisa de algo bonito, Você precisa de uma bolsa amarela. Eu queria ter tido uma, ajudaria bastante a aliviar a tensão de ficar escondendo minhas vontades. Pouparia minhas pernas de todas as vezes que tive que sair correndo porque uma vontade estava crescendo e eu não podia deixa-la sair ali onde eu estava. Ah, como eu queria uma bolsa amarela...!

Ficou curioso (a)? Venha conhecer mais sobre essa obra de Lygia É uma das postagens mais populares em nosso blog, diga-se de passagem, acho que no fundo, todos gostaríamos de uma bolsa assim.
http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2015/11/a-bolsa-amarela-de-lygia-bojunga.html

Título: A Bolsa Amarela
Autora: Lygia Bojunga Nunes
Ilustradora: Marie Louise Nery
Edição: 35a (Primeira Edição em 1976)
Editora: Casa Lygia Bojunga (Rio de Janeiro)

6) Pipa Meialonga de Astrid Lindgren




Essa garotinha de tranças ruivas e sardinhas não pode faltar no universo literário das crianças. Criada por Astrid Lindgren em 1945, é considerada uma das personagens-meninas mais empoderadoras da literatura infanto-juvenil. Acontece que Pippi é a menina mais forte do mundo e enfrenta sem temor todo tipo de bullies, desde o bando de valentões que atormenta a vida de um menino, na razão de cinco para um até ladrões que entram em sua casa achando que será crime fácil, pelo fato de Pippi morar sozinha (sua mãe é um anjo no céu e seu pai é capitão dos sete mares). Mas Pippi se vira muito bem, do jeito dela, que é sempre o jeito mais divertido do mundo. Faz panquecas jogando ovos para o alto e, quando um deles cai em sua cabeça e se quebra, explica que há países distantes em que todo mundo faz assim, afinal, por que não? Inventora suprema de brincadeiras, inverte expectativas e cria mil aventuras maravilhosas. Como dizem seus (muito certinhos e tímidos) amigos e vizinhos Tom e Aninha, "Com Pippi, nunca dá para saber". Simplesmente imperdível!

Em breve, teremos uma matéria um pouco mais longa sobre a Pippi, enquanto isso, por que não procurá-la na biblioteca? Não vai se arrepender! :)


Ficha Técnica: 
Título: Pippi Meialonga
Autora: Astrid Lindgren
Ilustrações: Lauren Child
Tradução do sueco: Maria de Macedo
Editora: Astrid Lindgren
Ano: 2008 (publicado pela primeira vez na Suécia em 1945).


7) Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley


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Essa obra prima simplesmente não pode faltar na prateleira de adolescentes (e nem na dos pais). De uma riqueza estonteante, puxa para mil temas que instigam toda e toda(o) jovem, como os limites ou não da ciência, a paixão por saber sempre mais, a relação pais e filhos, a responsabilidade eterna por aquilo que criamos... Perguntas que jovens irão querer debater fluem muito naturalmente da leitura desta história, como "O que é de nossa natureza e o que é criação?" "Até que ponto a maldade é fruto da incompreensão dos demais?" "Estamos mais próximos de realizar o que Mary Shelley imaginou?". Se, como apontava Jean Piaget, adolescentes são filósofa(o)s apaixonada(o)s, nem por isso deixarão de simplesmente curtir o suspense e a emoção desta história maravilhosa.

Em uma próxima postagem, falaremos um pouco mais das razões pelas quais essa obra tem tanto apelo para jovens e também sobre o assunto da relação criador-criatura/pai-filho e sua centralidade na obra. Abraços monstruosos!


Ficha Técnica
Frankenstein ou o Prometeu Moderno
Autora: Mary Shelley
Foi editado muitas vezes, confira algumas editoras: Hedra, Penguin Companhia, Martin Claret.


8) Meu pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos
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Para todos que já leram este clássico sabem que ele mexe profundamente, aos que pretendem ainda ler fica o aviso: lembre dos lencinhos!

Uma árvore confidente marca a infância de uma criança que carrega simultaneamente em sua alma diferentes cores. As cores eletrizantes e contagiantes, típicas do mais jovens, se revezam com os tons pastéis e sóbrios, comuns há aqueles que são antigos no espírito.

No inicio dessa semana fizemos uma matéria só para este clássico, se você ainda não leu, confira sem demora! >> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2017/03/meu-pe-de-laranja-lima-de-jose-mauro-de.html

Ficha técnica
Meu pé de laranja lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos


O Acervo Indica volta semana que vem, 
com a lista de livros que serão os novos clássicos.
Escrito, com carinho, por: Sara, Eileen e Rafaella Christina. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Diário do contador: Extraordinário de R.J. Palacio

Extraordinário, de R.J. Palacio, não é um livro fácil. Ele aborda um tema muito delicado da humanidade, que não é exatamente o preconceito, a intolerância ou a falta de empatia. O que mais choca em Extraordinário é a incapacidade humana de lidar com o medo e o estranho. Nosso primeiro impulso diante do desconhecido e do não estético é de fugir, excluir, evitar, não olhar e não pensar sobre.

Não fomos ensinados a tolerar tudo; não é da nossa cultura. Durante anos famílias esconderam o que nossa sociedade não aceitava publicamente. Em Extraordinário, a família tenta quebrar paradigmas e participa do processo de transição da sociedade. Eles buscam a inclusão, a aceitação e a mudança de visão cultural a respeito de pessoas diferentes.

Para ler tal livro para crianças de 6 anos de idade, tive que fazer algumas adaptações. Escolhi o primeiro capítulo, narrado por August, Comum. É um capítulo de uma página apenas, mas extremamente interessante. É onde o menino de rosto deformado fala que gostaria de ser reconhecido como uma criança comum – porque é o que ele é. Uma das intervenções que utilizei no início da leitura foi perguntar para as crianças o que elas achavam que significava “comum”.

Como o livro tem pequenas ilustrações no começo de cada capítulo, deixei que eles folheassem o livro e parassem para comparar cada rosto que encontravam. August, o personagem principal, sempre é retratado como um rosto de um olho só e uma orelha. Isso chamou atenção das crianças e foi o que elas usaram para definir a palavra “comum”: é o que não é normal.

Aproveitando as ilustrações, também pedi para que desenhassem uma pessoa que eles achassem que representasse a palavra “comum”. Durante essa atividade, perguntei se eles se achavam comum e se eles se sentiam parecidos com outras crianças. A ideia era eles reconhecerem suas diferenças e semelhanças entre si. Também perguntei a eles se eles me achavam comum, e a resposta foi unânime: ''não, tia, você não é comum, é normal''.

No fim da atividade expliquei que comum e normal eram palavras sinônimas. Eles não se importaram muito; estavam mais entusiasmados com os desenhos que tinham feito. E como não ficar entusiasmado? Ficaram lindos!



Daniele não assinou sua arte!





Escrito: por Tanize




Ficha Técnica:

Extraordinário

Autora: R. J. Palacio

Tradutora: Rachel Agavino

Editora: Intrinseca 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Especial Famílias Malucas: Meu tio Wal é um Lobisomem

Nosso especial de férias já está quase no fim! É a penúltima família que vamos visitar, e Jackie nos leva novamente a um mundo sombrio. Já conhecemos um pouco sobre como os vampiros vivem... mas e os lobisomens?

https://editorafundamento.com.br/index.php/catalog/product/gallery/id/210/image/2993/

Com o misterioso desaparecimento de seus pais - que eram líderes da alcateia - Pancadinha tem que viver com seu tio Wal, que é humano demais para um lobisomem. Novas regras, novas linguagens e novos costumes. Todas essas mudanças foram súbitas e sem sentido para um jovem. Será que é necessário negar a herança e os costumes de seus pais? Será justo abrir mão da liberdade e do isolamento dos lobisomens pela segurança que uma vida humana urbana promete?



Impossível não desconfiar das boas intenções de tio Wal e de seus hábitos tão humanos. Pancadinha contrata uma detetive (Ameixela) para ajudá-lo, pois mesmo farejando bem as ideias não se ajustam. Além disso, nosso protagonista está decidido a achar seus pais, mesmo que isso signifique desafiar seu tio (um nada como um bom e velho Hamlet!).

Jackie nos imerge em um mundo de sensopercepção e consciência corporal, toda vez que Pancadinha Muda para sua forma humana, seu corpo se torce, retorce e o mundo ao seu redor se transforma se transforma. Onde havia cheiros, passa haver cores e onde há instinto e intuição, surge ideias e planos mirabolantes.

Quando o assunto é proteger nossa família e nossos costumes, nós, humanos, não estamos tão distantes dos lobisomens. Por isso, sinta esse soluço pelo avesso com tremedeira no meio, sinta seu traseiro ficar mais peludo e suas orelhas se tornarem pontudas, sinta seus braços encurtarem e sua língua crescer. Descubra o lobinho que há em você e uive com Pancadinha e Ameixela!



Curiosos para saber mais sobre essa família?
Rumo nossa última reportagem!
=)

Ficha:
Meu tio Wal é um lobisomem
Autora: Jackie French
Ilustrador: Stephen Michael King
Editora: Fundamento
Ano de Edição: 2010.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O Acervo Indica: Conte um conto

Nosso conselho de hoje é: Conte um conto! =D Separamos obras que trazem para nós uma seleção fantásticas de contos populares.

Além disso fazemos nosso convite aos leitores para acompanhar nossa Intensiva Contos de Outro Mundo em nossa revista digital.

Dá para sentir que fevereiro desse ano vai ser cheio de animação e fantasia!

Começamos hoje com
Era uma vez...

Volta ao mundo em 52 histórias - Neil Phillip e Nilesh Mistry

http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/230/241230.jpg

Uma coletânea riquíssima, entre histórias e personagens que já nos são conhecidos, somos apresentados a novas histórias inesperadas e surpreendentes. Trata-se de um rico trabalho de historiografia. Além do local de origem de cada conto, encontramos nesse livro muitas informações sobre símbolos, ritos e fatos históricos.

Não é curioso perceber que há histórias tão parecidas em lugares e culturas tão distantes? O mundo real e o mundo da fantasia se encontram nessa viagem literária.

Ficha Técnica:
Volta ao mundo em 52 histórias
Autor: Neil Philip
Ilustradora: Nilesh Mistry
Editora Companhia das Letrinhas

As fabulosas fábulas de Iauaretê - Kaká Werá Jecupé e Sawara


http://ecx.images-amazon.com/images/I/816ItzWhzNL.SL720.jpg

Este fabuloso livro é fruto de uma parceira de pai e filha, Kaká sempre contou histórias para a filha desde de o berço, quando Sawara fez quinze anos ele pediu para que ela recontasse as histórias de que se lembrasse e ilustrasse, deu no que deu... Histórias emocionantes de Iauaretê (o rei onça) e sua família nos trazem tantas reflexões, sobre amor, dedicação, lealdade, esperteza e gentileza. E claro tudo regado ao nosso tempero nacional.

Quem não gosta daquelas histórias de onça?

Ficha Técnica:
As fabulosas fábulas de Iauaretê
Autor: Kaká Werá Jecupé
Ilustradora: Sawara
Editora Peirópolis


A donzela sem mãos e outros contos populares - Helena Gomes e Kako

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDgZEm1W2_7YWlJzdu-x1cow7zPbOPqw0la_9xCwTIIonOlGmPpKGldRHAtCwyclG_M74UMyR3Uo5X0y9HFcd7GPlpMoW45RSjCWOtIgJUWpyiW5rF7bqXTypsWeFKU36JuCIbPV8hLQ/s1600/A+donzela+sem+maos+-+Helena+Gomes.jpg
Temos neste livro adaptações de contos fabulosos e ilustrações majestosas! Agradecemos e parabenizamos Kako e Helena Gomes por esta obra tão magnífica. Estou cheia de superlativos hoje, leitor, mas devo dizer que são as histórias desse livro que me deixaram assim!

Esqueça as princesas de contos de fadas, é ao lado dessas jovens corajosas que você quer viver seu final feliz. Jovens mães em buscas implacáveis; jovens que perdem sua beleza exterior, mas encantam o mundo com suas virtudes e coragem imensurável para realizar o que desejam: esta é uma prévia do que aguardam por vocês.

Confira em nossa revista digital nossa matéria sobre A Moura Torta, ela que era a única vilã que aquele príncipe aventureiro queria em sua vida. Já deu para se encantar?



Ficha técnica: 
A donzela sem mãos e outros contos populares
Adaptação: Helena Gomes
Ilustrador: Kako
Editora: Estrita fina



O Acervo Indica estará de volta em breve!
Nesse meio tempo acompanhe nossa Intensiva Contos de Outro Mundo!
Com carinho,
Júlia

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Especial Famílias Malucas: Meu bicho de estimação é um dinossauro

Estamos na nossa terceira edição de nosso especial, e hoje vamos falar do livro Meu bicho de estimação é um dinossauro, pois afinal nossos pets são parte da família.
http://editorafundamento.com.br/index.php/catalog/product/gallery/id/207/image/2990/

Este livro começa com uma cena curiosa, nosso protagonista Gunk está com sua família em um abrigo escolhendo qual daqueles cachorrinhos vai se somar a família. Gunk escolhe o cachorro mais estranho, mais esquisito e mais solitário do lugar - lembrou daquele filme da Disney?


Gunk não escolhe um alienígena como Lilo - sua mãe ia adorar a ideia por sinal, mas escolhe um cachorro sem orelhas, pescoçudo, vegetariano. Se bem que, considerando sua família já fora da média - uma mãe ultra tecnológica fã de jogos virtuais, um pai supersensível colecionador de coisas fofas e uma irmã mais velha osso duro de roer que trabalha como segurança - este dino parece que encontrou a família certa.

Conforme Pingo - que todos imaginavam ser uma cadela muito esquisita - vai crescendo, Gunk vai encontrando problemas para lidar com ela e crescem os problemas. Ela perde seus pelos, seu pescoço se estica, ela come o jardim de todo mundo e ainda... fica tão grande que não passa mais pela porta. Ora de aceitar que talvez Pingo não seja apenas uma cadela. Ainda bem que Gunk tem Pete como melhor amiga, uma especialista em dinossauros ao seu lado.



 Divertido, inusitado e criativo, indicamos a leitura desse livro para todos aqueles que quiserem dar uma boa risada. Seu animal de estimação também já os colocou em confusões como Pingo fez? Conte para a gente!

Aguarde, semana que vem tem mais Famílias Malucas para vocês!

Ficha Técnica:
Meu bicho de estimação é um dinossauro
Autora: Jackie French
Ilustrador: Stephen Michael King
Editora Fundamento
Ano de Edição: 2007