Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Liberdade para Voar



“Tom tem o olhar parado no tempo”. É sob a perspectiva do irmão de Tom que somos convidados a compartilhar sua história. Uma história sobre reaprender a conhecer as pessoas que nos cercam. Sobre nos tirar do centro da narrativa de todas as histórias e perceber o outro a partir das suas experiências. O irmão de Tom talvez desconheça o que o torna tão diferente de si, talvez ninguém se incomode em explicar ou talvez não saibam também. Mas Tom vive em seu próprio mundo. Isso faz com que seu irmão se sinta confuso, sem saber o que fazer, com o coração calado”.
E o coração calado do irmão de Tom faz com que o nosso se cale também. Que fique pequenininho, apertado, partido. Porque, muitas vezes, quando temos alguém diferente, especial em nossas vidas, acabamos dando maior atenção a esse alguém e esquecendo que todos são especiais ao seu modo. E acabamos ignorando que todos precisam de atenção, todos precisam compartilhar momentos e histórias. E o irmão de Tom queria compartilhar aventuras, brincadeiras, sentimentos com Tom. Mesmo sem saber como. Ao longo da história desses dois irmãos percebemos a separação que existe entre eles. Uma separação emocional, afetiva. A vida acontece e Tom parece não percebe, acredita seu irmão. Só fica parado observando pássaros voando.
Enquanto toda a família é desenhada com traços mais humanos e com cores fortes, Tom é desenhado de forma peculiar, vazio, translucido, sem cores. Seus olhos são os olhos coloridos dos pássaros que ele tanto ama observar. Enquanto o gato da família tem traços realistas, os pássaros de Tom são traçados tais como origamis, dos mais diversos e coloridos.
O irmão de Tom se pergunta como alcançá-lo, como conversar com ele, entende-lo: “Onde será que Tom guarda todos os seus sonhos?”. Até que ele acompanha o irmão em seu amor pelos pássaros e percebe que ele tem sim uma vida própria, brincadeiras e sentimentos e isso acalenta seu coração. Só então, ele sente o som que vem do seu peito. Como se o mundo agora fizesse sentido e fosse possível sorrir e senti-lo.
É muito difícil quando temos que sair da nossa zona de conforto e nos aventurar nas experiências alheias. E aos nossos olhos, essas experiencias, por vezes, parecem confusas, sem significado, sem importância. Quando conseguimos diminuir os sons dos desconfortos que ecoam em nossas cabeças, conseguimos aproveitar as oportunidades de reaprender a enxergar o outro e, com isso, nos redescobrir também. Redescobrir nossos limites e potenciais, nossos sonhos. E você? Onde você guarda os seus sonhos? Já pensou em redescobri-los hoje?

Ficha técnica
Tom
Escritor: André Neves
Ilustrador: André Neves
Editora: Projeto
Ano de edição: 2012

Postagem escrita por Raphaella Christine Souza Caldas.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mergulhando em Aves de María Julia Garrido e David Daniel Hernandéz

https://criacria.files.wordpress.com/2012/12/capa-aves.jpg
O livro Aves chamou minha atenção desde a capa, tanto o estilo de gravura, quanto a escolha de usar preto e branco são muito interessantes, assim como a imagem da capa, um ganso, meio gordinho, voando, mas não da maneira tradicional, numa máquina de voar, solitário.

Abrindo o livro, logo antes da história começar a presença de uma pena meio molhada se destaca; aqui a experiência de participar de uma leitura dialógica finalmente começa, as diversas possibilidades que os participantes levantaram a partir daquela simples pena fizeram com que eu me impressionasse. E essa riqueza de visões se apresentou novamente, quando um guarda-chuva apareceu junto ao título da história Aves. Não foi um pássaro, uma pena, nem mesmo um ninho, mas sim um guarda-chuva, a imagem escolhida para representar o título, isso me deixou muito intrigada, e eu não pude deixar de refletir sobre a ligação desse objeto com a pena caída. 


Com o andamento da leitura começa a se formar um padrão, visível a, eu acredito, todos os presentes na sala. Esse mundo das aves, que geralmente é visto como alegre e colorido, nos é apresentado de uma maneira inédita, nessa versão as aves estão sempre apáticas e abatidas, num mundo cinza e com a atmosfera pesada. Já no começo, outro aspecto do livro se sobressai, a anatomia dos pássaros tem características muito humanas, como asas que mais parecem braços com mãos; patas escondidas dentro de sapatos e até mesmo a barriga de um deles parece muito mais com a de um homem acima do peso, do que a de um pássaro gordinho. Mas, infelizmente, essas não são as únicas semelhanças que encontramos entre as duas espécies. Durante todo o livro vemos um paralelo com a própria história da humanidade, isso fica mais claro a cada página. Encontramos a comparação do sistema solar baseado em ovos, que parece ser uma referência à teoria do geocentrismo, e as invenções deles que se pareciam tanto com várias invenções humanas. Além disso, há brigas e mortes dentro da própria espécie; a tentativa de usar a exploração de outros animais como lazer, e até mesmo a representação do cenário que me lembrou bastante a atmosfera de filmes e fotos que retratam a época da revolução industrial. 

http://3.bp.blogspot.com/-YQeiKplHhzU/UKYy9kJyZOI/AAAAAAAABdg/LD51MFlJvSI/s1600/Bandada2.jpg
Voltando ao guarda-chuva, que causou uma curiosidade muito maior do que eu esperava. Em várias páginas, no meio de muitas discussões lá estava, sempre o misterioso guarda-chuva. E digo misterioso, pois em nenhum momento, há indicativos de chuva, ou mesmo de outras fontes naturais de água! Qual a necessidade de se ter um guarda-chuva sempre por perto? E justamente a partir dessa reflexão me veio a consideração de que talvez o curioso guarda-chuva fosse uma metáfora para o medo que esses pássaros sentem de algo que não sabemos e que talvez ocorrido antes mesmo do começo da história. Lembrei também daquela pena molhada, posicionada estrategicamente antes do título do livro. Imaginei a possibilidade de que uma tempestade muito forte tenha gerado um caos tão grande na vida dessas aves que elas tenham ficado traumatizadas. Talvez com medo de serem acometidos novamente por uma tragédia desse tamanho, elas tenham tentado a todo custo se proteger e tenham se perdido em algum lugar desse “desenvolvimento”, perdendo também sua essência. E essa triste realização se confirmou no final da história, no mesmo momento em que as esperanças, tanto dos pássaros quanto as minhas, são restauradas. Uma pequena filhote, diferente das outras aves, parece ter coragem suficiente para superar esse trauma coletivo e para tentar (re)aprender a voar.

https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/52/df/8b/52df8b377a1772ca24be6224c16bfffd.jpg

É claro que minha visão é uma das muitas que vieram ao longo da contação. E, talvez, tenha sido isso que mais se destacou para mim em toda essa experiência, a riqueza de pontos de vistas. Eu tenho certeza que as imagens projetadas no quadro eram as iguais para todo mundo, mas tenho mais certeza ainda que cada um de nós via algo diferente. Não existia certo e errado, existia o diferente, que inclusive, me fez perceber em cada imagem detalhes que eu não tinha visto antes. Lembro que alguém disse que a página onde apareceu um ganso em uma máquina de voar representava para ele uma crítica social. Na página onde vi uma briga de rua, viram guerras e até mesmo uma trágica cena de suicídio. Alguém acreditava que o guarda-chuva era um símbolo de status social e outro achava que era uma metáfora para as asas, agora inutilizadas, dos pássaros. 

https://static.wixstatic.com/media/212a1d_70ab3fc1b5164b798a0a0e55dbb9d0af.jpg/v1/fill/w_498,h_365,al_c,q_90/file.jpg

Eu realmente fiquei emocionada com a possibilidade de vivenciar isso junto a todo o grupo, e com a liberdade de poder compartilhar minhas próprias impressões e de, assim como todos os participantes, deixar de lado a posição passiva de ouvinte, para participar da evolução da leitura.

Escrito por: Gabriela Medeiros

Ficha Técnica:
Aves
Autores e Ilustradores: David Daniel Álvarez Hernández e María Julia Díaz Garrido

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Acervo Indica: Clássicos II

Continuamos nossa maratona pelos livros favoritos de nosso Projeto! Ansiosos pelas nossas dicas de leitura?


5) Bolsa Amarela de Lygia Bojunga

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxzS4tLY9cMYdoCjwILG3QtYL1YSi0cAsn3c6ryFF7cKxJMJO5lp_kM9AbAbbzSby4KAvVdF38Zm1S77a96dIGoJpAWx9_-9JYbGjjSKjRAV9k-hla2ulJh1kCQQpw7ddnxkGiThbXtvoA/s1600/bolsa2.jpg
Sabe aquelas três vontades secretas que provavelmente toda criança já teve? Se você não teve vai conhecer e vai se identificar. Em Bolsa Amarela, você conhece uma criança que tem certas vontades, que falam diretamente com você. Algumas você vai inevitavelmente realizar com o tempo, outras apenas se você perseverar. 

O grande dilema é o que fazer quando as vontades vão crescendo devagarinho e tomando todo o espaço a sua volta e te sufocando de tanta ansiedade, que é difícil conter. Do que você precisa para esconder um amigo brigão? Para enfiar aquelas histórias incríveis que não dá pra não contar pra todo mundo? Você precisa de algo grande, você precisa de algo bonito, Você precisa de uma bolsa amarela. Eu queria ter tido uma, ajudaria bastante a aliviar a tensão de ficar escondendo minhas vontades. Pouparia minhas pernas de todas as vezes que tive que sair correndo porque uma vontade estava crescendo e eu não podia deixa-la sair ali onde eu estava. Ah, como eu queria uma bolsa amarela...!

Ficou curioso (a)? Venha conhecer mais sobre essa obra de Lygia É uma das postagens mais populares em nosso blog, diga-se de passagem, acho que no fundo, todos gostaríamos de uma bolsa assim.
http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2015/11/a-bolsa-amarela-de-lygia-bojunga.html

Título: A Bolsa Amarela
Autora: Lygia Bojunga Nunes
Ilustradora: Marie Louise Nery
Edição: 35a (Primeira Edição em 1976)
Editora: Casa Lygia Bojunga (Rio de Janeiro)

6) Pipa Meialonga de Astrid Lindgren




Essa garotinha de tranças ruivas e sardinhas não pode faltar no universo literário das crianças. Criada por Astrid Lindgren em 1945, é considerada uma das personagens-meninas mais empoderadoras da literatura infanto-juvenil. Acontece que Pippi é a menina mais forte do mundo e enfrenta sem temor todo tipo de bullies, desde o bando de valentões que atormenta a vida de um menino, na razão de cinco para um até ladrões que entram em sua casa achando que será crime fácil, pelo fato de Pippi morar sozinha (sua mãe é um anjo no céu e seu pai é capitão dos sete mares). Mas Pippi se vira muito bem, do jeito dela, que é sempre o jeito mais divertido do mundo. Faz panquecas jogando ovos para o alto e, quando um deles cai em sua cabeça e se quebra, explica que há países distantes em que todo mundo faz assim, afinal, por que não? Inventora suprema de brincadeiras, inverte expectativas e cria mil aventuras maravilhosas. Como dizem seus (muito certinhos e tímidos) amigos e vizinhos Tom e Aninha, "Com Pippi, nunca dá para saber". Simplesmente imperdível!

Em breve, teremos uma matéria um pouco mais longa sobre a Pippi, enquanto isso, por que não procurá-la na biblioteca? Não vai se arrepender! :)


Ficha Técnica: 
Título: Pippi Meialonga
Autora: Astrid Lindgren
Ilustrações: Lauren Child
Tradução do sueco: Maria de Macedo
Editora: Astrid Lindgren
Ano: 2008 (publicado pela primeira vez na Suécia em 1945).


7) Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley


https://antiscribe.files.wordpress.com/2012/06/the-house-of-frankenstein.jpg

Essa obra prima simplesmente não pode faltar na prateleira de adolescentes (e nem na dos pais). De uma riqueza estonteante, puxa para mil temas que instigam toda e toda(o) jovem, como os limites ou não da ciência, a paixão por saber sempre mais, a relação pais e filhos, a responsabilidade eterna por aquilo que criamos... Perguntas que jovens irão querer debater fluem muito naturalmente da leitura desta história, como "O que é de nossa natureza e o que é criação?" "Até que ponto a maldade é fruto da incompreensão dos demais?" "Estamos mais próximos de realizar o que Mary Shelley imaginou?". Se, como apontava Jean Piaget, adolescentes são filósofa(o)s apaixonada(o)s, nem por isso deixarão de simplesmente curtir o suspense e a emoção desta história maravilhosa.

Em uma próxima postagem, falaremos um pouco mais das razões pelas quais essa obra tem tanto apelo para jovens e também sobre o assunto da relação criador-criatura/pai-filho e sua centralidade na obra. Abraços monstruosos!


Ficha Técnica
Frankenstein ou o Prometeu Moderno
Autora: Mary Shelley
Foi editado muitas vezes, confira algumas editoras: Hedra, Penguin Companhia, Martin Claret.


8) Meu pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos
http://lounge.obviousmag.org/o_arteiro/2013/06/08/meu%20p%C3%A9%20de%20laranja%20lima.jpg

Para todos que já leram este clássico sabem que ele mexe profundamente, aos que pretendem ainda ler fica o aviso: lembre dos lencinhos!

Uma árvore confidente marca a infância de uma criança que carrega simultaneamente em sua alma diferentes cores. As cores eletrizantes e contagiantes, típicas do mais jovens, se revezam com os tons pastéis e sóbrios, comuns há aqueles que são antigos no espírito.

No inicio dessa semana fizemos uma matéria só para este clássico, se você ainda não leu, confira sem demora! >> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2017/03/meu-pe-de-laranja-lima-de-jose-mauro-de.html

Ficha técnica
Meu pé de laranja lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos


O Acervo Indica volta semana que vem, 
com a lista de livros que serão os novos clássicos.
Escrito, com carinho, por: Sara, Eileen e Rafaella Christina. 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos


“Mas faltava qualquer coisa. Qualquer coisa importante que me fizesse voltar a ser o mesmo, talvez a acreditar nas pessoas, na bondade delas”. (Página 91)

http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/725/15003725.jpg



Basta apenas essa pequena frase para compreender um pouco da vida de Zezé, um garoto com um coração muito mais velho do que os seus cinco anos poderiam dar conta. Ter acesso à história desse garoto é entrar em um mundo de criatividade, de beleza, inocência... e ver esse mundo ser destruído em apenas 124 páginas.




Quem busca uma história tranquila, repleta de belas narrativas sobre a beleza da vida, a pureza da luz do sol e dos delicados arco-íris, ao se deixar atrair pelo título poético da obra de José Mauro de Vasconcelos, acaba percebendo que o sol nem sempre é para todos. Escrito em 1968, tendo sido traduzido para 52 línguas e adaptado para o cinema, a obra Meu pé de laranja lima abusa do realismo ao retratar a vida de milhares de crianças no nosso país e pelo mundo afora que não podem vivenciar plenamente a experiência de ser criança devido à pobreza, econômica e de espírito.

Zezé tem um passarinho dentro de si, um passarinho que canta, que cria, que ilumina uma vida cinza. Seu pensamento, simbolicamente representado pelo passarinho, voa livre, até que se concretiza na figura de uma árvore, um pé de laranja lima. Zezé não tem amigos a quem possa contar suas dúvidas, seus sonhos. E aquele pequeno pé de laranja lima, o Minguinho, assume, temporariamente, o lugar de instigador, de provocador, de incentivador.

http://lounge.obviousmag.org/o_arteiro/2013/06/08/meu%20p%C3%A9%20de%20laranja%20lima.jpg
A história de José Mauro não te deixa vivenciá-la apenas enquanto uma história fictícia, ela te arrasta para uma reflexão acerca de um mundo acinzentado, o mundo que nos cerca, que nos prende quando deveria nos libertar. Um lugar que não permite que uma criança seja brincalhona, espertinha e traquina, ou seja, apenas uma criança. E por mais que a história possa parecer distante da nossa realidade, ela está ocorrendo agora mesmo, ao nosso redor, cada vez que nos exasperamos com uma pergunta “sem sentido” de uma criança, cada vez que dizemos que só há uma maneira certa de aprender, de brincar, de sentir, de se comportar.

Se há uma lição maior, dentre as tantas lições possíveis, que podemos tirar do livro Meu pé de laranja lima é a mudança de perspectiva sobre como lidar com as nossas crianças. Percebendo a importância de dar-lhes voz, atenção, direitos, permitir que sejam... crianças. Da forma como elas desejarem ser.


Escrito por: Raphaella 

Ficha técnica
Meu pé de laranja lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Quilombo Orum Aiê - André Diniz

“No Quilombo Orum Aiê não há guerras ou desavenças e todos vivem por muitos anos com perfeita saúde. Dinheiro, leis e governantes lá não tem vez: são inúteis a um povo que vibra na mais pura harmonia. Para que leis, se lá todos se respeitam? Fazer o que com dinheiro em um lugar onde tudo é de todos?”.

http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/wp-muzinga/wp-content/uploads/2016/08/03044620/Quilombo-410x589.jpg

No imenso e diverso mundo dos livros, não importa a quantidade de livros que você já tenha lido, um ou outro vão se destacar com uma carga maior de carinho. Não precisa ser um livro com mais de mil páginas, nem com ilustrações que parecem ter sido retiradas de algum museu muito famoso de sabe-se lá onde neste grande planeta. Ele pode ser um livro pequeno, em formato de história em quadrinhos e com poucas páginas e ainda assim, carregar o mais poderoso dos discursos e mais linda das histórias. Quilombo Orum Aiê é um desses livros.


http://f.i.uol.com.br/livraria/capas/images/1008957.jpeg

Salvador, janeiro 1835. Vinicius, mais conhecido como Capivara, menino negro escravizado passa a vida questionando sua existência, a dos outros e o funcionamento da sociedade. Cresceu ouvindo da mãe sobre um Quilombo especial para onde o pai de Capivara foi e nunca mais voltou. Aproveitando um levante de negros libertos, o menino decide fugir de Salvador levando consigo Sinhana, a menina pela qual Capivara nutre amor, Abul, um negro que ninguém conseguia entender o que dizia, por ser de uma região da África com idioma diferente do falado pelos outros negros e o branco foragido Antero, do qual se sabe pouco. Durante toda a jornada rumo o Quilombo, Capivara aprende sobre si, descobre que o ser humano pode ser surpreendente e dá nome ao que faz desde sempre: filosofa.


http://www.opoderosoresumao.com/wp-content/uploads/2013/09/orum_aie_104.jpg
O caminho percorrido por Capivara, Sinhana, Abul e Antero levam o menino até o tão sonhado Quilombo Orum Aiê, mas ele não pode ficar lá. A razão é mais intensa e emocionante possível, mas que eu não vou dizer, para não estragar a história.



O livro traz de maneira leve informações reais para o leitor, como o levante de janeiro de 1835 que ficou conhecido como a Revolta dos Malês e, já informações já conhecidas por pessoas de religiões afro brasileiras, o que significa o Orum Aiê, além de diversos Orixás citados como protetores dos negros da história, como Ogun, Xango e Oxum e isso acaba ajudando a criar um sentimento de pertença e entendimento maior ainda, não significando, no entanto que os outros leitores se sentirão excluídos...não mesmo! Capivara e Antero são escurecidos em seus diálogos e fazem parecer que você está caminhando com eles por toda a jornada. Além disso, conta a história segundo a perspectiva de negros escravizados, seus desejos, a resiliência em alguns momentos e a força de luta em outros, suas histórias e a ancestralidade que carregavam consigo e jamais foi quebrada, seus guardiões e o respeito pela natureza, que sempre regeu esse povo.
André Diniz escreveu e ilustrou a história que eu carrego comigo com carinho sem igual e que é o primeiro nome de indicação quando me perguntam sobre livros. É apropriado para qualquer idade, desde os que acompanham através das figuras até os que gostam de ler num dia chuvoso qualquer. Independente de cor, credo e idade, Quilombo Orum Aiê é de carregar nas mãos e no coração.

Ficha:
Quilombo Orum Aiê
André Diniz
Editora Galera Records

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O Acervo Indica: 8a Edição

Olá Pessoal!
Mais um “Acervo Indica” na área para mandar umas indicações super iradas pra animar a sua, a minha, a nossa TV...não, nossa semana!
Cadê - Graça Lima

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicwft9Wh3sGsmYnWQhliAkrtRHah0KYz89PwUOmuoocl4fdw8Vz8aXDHM0lmRfLDoiZcFAbzBSb7JLDnwbamJvnkROAJFJbMw_6wxhEzxEUCAP7IVh_f89fLe-kDo2ub11bOk7EdmKitc/s400/Picture+1.png

Um menino e sua mamãe brincando de pique esconde, mas como encontrar uma criança tão criativa que se esconde atrás de um urso polar (que na verdade é a geladeira) e de um rinoceronte que é o sofá e outros bichos que a imaginação do menino permite. A criatividade infantil é trabalhada, além da visibilidade da criança negra em um personagem literário.

Ficha:
Cadê?
Autora: Graça Lima
Editora Nova Fronteira

Feita de Pano - Valéria Belém

http://isuba.s8.com.br/produtos/01/00/item/7111/9/7111902GG.jpg

Uma menina vai costurando uma colcha de retalho, junto vai se costurando, a cada novo acontecimento. Com uma leitura ritmada, sonoramente gostosa, a gente pode trabalhar palavras novas, a arte e a importância da costura ao longo dos séculos, o uso da colcha e como a vida e seus acontecimentos tendem a uma grande colcha de retalhos. Com uma ilustração seguindo o estilo de cordel, é um resgate da cultura nordestina.

Ficha:
Feita de pano
Autora: Valeria Belém
Editora Companhia Nacional


Não existe dor gostosa - Ricardo Azevedo

http://www.ricardoazevedo.com.br/wp/wp-content/uploads/Nao-existe-dor-gostosa.jpg

Pequenos poemas sobre doenças que as pessoas tem ao longo da vida. Falando sobre como o doente fica pra baixo e desanimado, explicando o porque as pessoas ficam doentes. As doenças são sumarizadas e é possível trabalhar uma doença ou mais por contação.

“Frieira, alergia, dor  cabeça, asma, bronquite e outras ites, catapora, resfriado, galo, dor de garganta, dor de barriga e até pum - quem nunca teve uma dessas chateações? Não existe dor gostosa, diz Ricardo Azevedo, mas existe um jeito de encarar as doenças, dores e fricotes do corpo com alto-astral e bom humor. Nestes poemas, o autor busca mostrar o lado divertido dos males que de vez em quando atacam a gente. E mostra que, no final das contas, a poesia é um santo remédio, sem contra indicações nem efeitos colaterais”.

Ficha:
Não existe dor gostosa
Autor: Ricardo Azevedo
Ilustradora: Mariana Massarani
Editora Companhia das letrinhas.

E por hoje é só, pessoal.
Espero que tenham gostado das indicações de hoje.
Até a semana que vem!
Beijos mediadores,

Nagy.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Acervo Indica: 5a Edição

Olá galera!
Mais um “Acervo Indica” na área com uma pegada bem brasileira nesta segunda. Quando você fica responsável por um acervo com dezenas de livros, percebe que cada livro, mesmo sem a intenção, acaba falando um pouco do lugar onde foi feito. Isso também acontece com o Brasil em seus diversos livros produzidos aqui. E um país tão grande e tão rico em regiões e diversidade não deixaria por menos na qualidade de livros que falam dele.

Seguem 4 dicas de livros que falam sobre o Brasil, ora contemplam suas lendas, ora sua fauna ou flora.

Yaguarãboia, a mulher-onça - Yaguarê Yamã e Maurício Negro

http://www.leyaeducacao.com.br/public/images/produtos/p029.jpg
Como surgem as lendas sobre animais incríveis? Eles simplesmente nascem espetaculares ou levam dias, meses ou anos para se constituírem assim? Yaguarãboia mostra que nem sempre os animais nascem como são e podem ser construídos e desenvolvidos através das escolhas pessoais do primeiro ser. É possível trabalhar com o leitor lendas de animais mitológicos famosos, conhecendo cada vez mais a história do Brasíl e sua formação cultural.

Ficha
Yaguarãboia, a mulher-onça
Autor: Yaguarê Yamã
Ilustrador: Maurício Negro
Editoria Leya

Lendas e mitos do Brasil - Theobaldo Miranda Santos

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUe1E3-Tj-UYZYtXMWbSfJdBYIwakINy3LJQEqSOlAayeOzW3Ip_LIL1pdXcWLGMwL2PqrwT-Q7I_51afRxCd0PeUzfKHIKBGiXTsU9ccg1Vpr8iJ8aOIfoYBZMGk-5zn6dZvDI8bJ7dbE/s1600/238663_4.jpg

Com nada menos que 55 contos, Lendas e Mitos do Brasil convida o leitor a conhecer os cinco cantos do país. Uma curiosidade sobre este livro é que a primeira edição dele é de 1955. Quantos contadores aqui tem 61 anos e acompanhou desde o lançamento? É um daqueles momentos de muita honra!

Ficha
Lendas e mitos do Brasil
Autor: Theobaldo Miranda Santos
Editora Companhia Editora Nacional

Um som...animal! Animais do nosso entorno - Lô Carvalho

b38e8f91-0d6a-472b-b271-af81d01d3dd0.jpg
https://tricae-a.akamaihd.net/p/Bamboozinho-Um-Som...Animal21-Animais-Do-Nosso-Entorno---Editora-Bamboozinho-8111-322551-1.jpg
A galinha cacareja, o gato mia, o cachorro late. E a ovelha, o porco e o pato, qual é o som que eles fazem? Tem gente que não sabe que o sapo coaxa, o grilo cricrila, a coruja pia e que o pernilongo canta! A maioria nunca imaginou que o crocodilo ruge, o camelo blatera, a arara grita, tucano berra e onça urra... No meio de tanta gritaria, ainda bem que o papagaio fala e a ema suspira. O tatu? Coitadinho, ele choraminga! QUE, QUE, QUE... é a cotia gargalhando!”

Com ilustrações fofas, “Um som...animal!” faz pensar sobre o som que cada animal faz. As vezes, é difícil lembrar o que cada bicho emite de som e pensar por alguns instantes traz boas surpresas. Caso você tenha dificuldade com os sons, tem um vídeo no youtube que pode ajudar na contação e é muito divertido! Link: https://www.youtube.com/watch?v=RO_yqzE607o

Ficha
Um som...animal! Animais do nosso entorno
Autora: Lô Carvalho
Ilustradora: Ana Alzueta Sigaud
Editora Bamboozinho

Histórias da onça e do macaco - Vera do Val

iss.jpg
http://www.wmfmartinsfontes.com.br/iss.php?iss=foto.produto.zoom&cod=630

Desde que o mundo é mundo, a onça quer pegar o macaco. Para o que, não sabemos, mas Vera do Val decidiu recontar, com belas ilustrações de Geraldo Valério, histórias do folclore brasileiro dessa busca incessante da onça pelo esperto macaco, que sempre consegue um jeito de se esconder ou fugir.

Ficha
Histórias da onça e do macaco
Autora: Vera do Val
Ilustrador: Geraldo Valério
Editora WMF Martins Fontes

Deu para sentir o gostinho dessas riquezas do Brasil?
Abraços Mediadores,
Nagy