quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Capítulo 90


Você é um leitor? Perguntinha sem vergonha essa, né?! Na maioria das vezes a resposta deixa a gente meio desapontado. Dizer que sim pode soar meio pretensioso, e você raramente está satisfeito com o seu nível de leitura. Dizer que não é deixar de levar em conta todas as suas leituras passadas, e isso parece um pouco radical.
O porquê dessa pergunta vem para eu realmente introduzir o assunto desse texto, que é: que tipo de leitura você gosta de fazer? Pergunto isso para começar a refletir, não no gênero que você gosta de ler, seja ele qual for, mas se você enxerga algumas oportunidades das quais eu, particularmente, gosto.

Adivinha quem esta tendo uma viagem mais divertida.
Sabe aquele tipo de gente que fica atrás de você vendo tudo que você faz quando está em frente ao computador (típico problema de cidadão do primeiro mundo! rs)? Pois é, eu sou esse tipo de gente quando alguém tem um livro! Não me entendam mal, eu não fico constrangendo ninguém, é que quando eu estou no metrô ou nalguma fila, e alguém esta lendo perto de mim, minha curiosidade pela leitura dele cresce por uma razão desconhecida. Então, bem disfarçadamente, eu dou uma esticadinha no pescoço e começo a ler a exata página em que ele está.

Chamo isso de uma leitura de oportunidade. De forma alguma eu tenho intenção de dizer que li tal livro ou criticar a leitura da pessoa, mesmo porque depois eu raramente lembro-me do fragmento do texto da página, sei lá qual, em que a pessoa estava naquele dia. Mas eu sinto que o gosto literário diz muito a respeito de quem você é, ou do que você se identifica. É como conhecer um pouco esse estranho sem dizer nada.

Já li algumas cartas do Nelson Mandela que um provável funcionário publico/administrador estava lendo, um livro de dez dicas de como estimular as pessoas no ambiente de trabalho, trechos de 50 Tons de Cinza que uma mulher estava lendo, que eu achei bem típico, pois esta é uma leitura que muitas mulheres atualmente estão fazendo, já li diversos quadrinhos, algumas paginas de José Saramago, outras de Carl Sagan e, bem recentemente, um senhor de aproximadamente cinquenta anos estava lendo um livro sobre magos arcanos. Eu ainda acredito que o livro era do neto dele de 13 anos, porque não é bem essa a faixa etária que esse livro geralmente atende. Sem preconceitos, claro.

Por favor, não vá ficar grudado(a) nas costas de alguém com um livro pra ler o que ele(a) esta lendo por que eu disse não, hein! Você pode acabar fazendo papel de maluco(a) com isso. Mas fica a reflexão de oportunidade... Vai que você pega alguma dica de leitura com essa observação, ou dá aquela cantada no(a) gatinha(o) só por que você já leu o Game Of Thrones que está na mão dele(a) e está doido(a) prá contar o final do livro, só prá começar uma conversa descontraída?!

O bom da leitura é que basta ter um coração aberto pra apreciá-la, faço essa leitura oportunista por curiosidade e quem sabe um dia ver aquela garota com um livro que seja o volume completo e na língua original com as notas do autor, ela pode ser a escolhida. 

Mas de uma coisa eu sei, o garoto que estava na última cadeira do ônibus da L2 norte, que estava no capítulo 90 do novo livro do Dan Brown, Inferno, eu estava gostando muito de sua leitura! Fica a dica, se não pode ser o stalker, seja o leitor.


BoscoJoao ;)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Bem mais que um "brincar de boneca"!


Olá a todos e todas! Como estávamos de férias da faculdade, fui viajar pelo meu Goiás. Passei uns dias na fazenda de uma amiga em Aruanã, por onde o Rio Araguaia faz atalho. Lá perto tem umas aldeias indígenas do povo Karajá chamadas Buridina e Bdè-Burè. Não cheguei a conhecer pessoalmente, porém, fiquei numa baita curiosidade. Na casa onde fiquei tinha um boneca grávida muito linda, parecida com a da foto ao lado, que foi produzida pelas mulheres dessas aldeias. Minha amiga me contou que as mães dão às suas filhas para elas brincarem e ao mesmo tempo aprenderem sobre “coisas da vida”, como de onde vem os bebês (lembrei-me da conversa que tivemos em sala, sobre a aluna que também teve essa dúvida e perguntou à uma das contadoras).



Pesquisei mais a respeito quando voltei para Brasília e descobri que há bem mais peças de bonecas do que eu pensava. 
Vou reproduzir alguns dos textos que achei: 

"Aos cinco anos de idade, a menina Karajá ganha uma família de bonecas de cerâmica. Em uma sociedade ocidental, o conjunto seria como o 'primeiro material didático'. Mas para os Karajá, esses artefatos vão além disso e preparam a criança para realizar a passagem do mundo infantil para o adulto, transmitindo os valores e costumes da tribo."

"Dependendo da ceramista, pode representar o modelo da família nuclear, com cinco a seis peças, ou ser mais completa, com um elenco maior de onze ou mais figuras, representando a tipologia da família extensa, composta pelos avós maternos, pais, irmãos e outras crianças da comunidade. Algumas cestas podem vir acompanhadas de bonecas industrializadas de plástico que representam os não indígenas (Tori). Os brinquedos acompanham as meninas até a fase de transição para a idade adulta, caracterizada pela menarca."

A antropóloga Sandra Lacerda Campos da USP foi quem percebeu o papel simbólico dessas bonecas na sociedade Karajá, e de que forma a organização cultural e a cosmologia é transmitida às crianças por meio desses artefatos. 
Campos explica que "a partir da análise de uma família de bonecas é possível perceber nove fases da vida de um indivíduo Karajá, seis delas apenas na infância: a criança recém nascida; o bebê de colo; quando pode sentar-se; engatinhar, andar e quando entra na 'idade escolar'. O recém nascido, por exemplo, recebe um banho de urucum para extrair o cheiro do parto. Esse costume é ensinado para as crianças porque no conjunto de bonecas, há uma pequena que é toda vermelha”, esclarece a antropóloga. Além disso, na pintura corporal Karajá são representadas todas as informações sobre o indivíduo: idade, estado civil, função na tribo e talento. "As crianças aprendem a identificar todas essas informações na iconografia das bonecas - diz Campos - É possível identificar quais mulheres são artesãs e/ou dançarinas, por exemplo". Entre as bonecas, também há representação de indivíduos velhos, arqueados ou com os seios caídos. Segundo Campos, os Karajá também preparam as crianças para a velhice mostrando que essa é apenas mais uma fase da vida."


Uma das reportagens que encontrei sobre o tema foi no site da Casa da Cultura da América Latina aqui da UnB, que fica no Setor Comercial Sul. Não sei quando ela foi escrita, mas lá diz que eles possuem um conjunto de 9 bonecas. Para quem ficou curioso e quiser ir lá conferir, depois nos conte o que achou. Segue o link: http://www.casadacultura.unb.br/?page_id=6388


Por Natália Honorato

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Seja um Mediador!


Hoje é um dia diferente! 
Por quê?
Porque você não será um leitor passivo de nosso blog, ou somente um observador. A partir de hoje você pode fazer parte da nossa equipe de mediadores de leitura!

Se tiver interesse, ou quiser mais informações, mande um e-mail para: 

 livrosabertos01@gmail.com


Oportunidade única de conhecer, aprender e ampliar o olhar sob os livros que lê, compartilhe esse prazer!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ao escolher um livro...

Às vezes ficamos tanto tempo sem nos dedicarmos a leituras livres e descompromissadas, que quando temos essa oportunidade ficamos sem saber o que ler. Iniciar um romance? Ler crônicas que são rápidas? Escolher um bom livro de poesias e aproveitar algumas reflexões sutis?
Na verdade, eu tenho algumas preferências, que dependem do momento, do tempo disponível e do local. Se as minhas férias são grandes prefiro iniciar um livro com narrativa extensa, porque não consigo continuar um livro desse tipo se ele tiver sido abandonado por mais de três semanas. Uma mania bem esquisita, na verdade, é que inicio novamente o livro se o prazo de continuação expirou.
Quando estou no meio do semestre prefiro as crônicas, porque são essas que eu leio em pé no metrô, no intervalo de uma aula para outra, um pouco antes de dormir ou minutos antes de sair de casa. Na verdade, sempre tenho um livro de crônicas por perto. Atualmente levo comigo “Terra de Ninguém” de Contardo Calligaris. Um livro que apesar de permitir uma leitura fluida, gera algumas reflexões profundas sobre aspectos diversos desde a venda do quarto livro da saga Harry Potter até às guerras que envolvem os EUA.
Para um feriado prolongado, prefiro um livro de poesias; porque para essas eu realmente preciso de um tempo muito particular. É o tipo de texto que eu necessito da casa em silêncio e das cortinas da sala fechadas.
Com todas essas peculiaridades de escolha, fico pensando se as crianças para as quais faço leitura dialógica também não precisam desse momento de escolha. Talvez a leitura dialógica não seja o momento exato para fazer isso, visto que lidamos com um grupo. Mas talvez seja possível permitir a variação de textos, se for de interesse das crianças. Contadores que utilizam um livro com uma narrativa extensa podem intercalar alguns contos/fábulas curtas entre as contações.
Acredito que isso seria melhor aplicado se pudéssemos nos dedicar mais tempo à contação e fazer quem sabe duas visitas à escola em uma semana, sendo que o decorrer de uma semana inteira já cria uma ansiedade para o próximo capítulo ou episódio. Imagina se fossem duas! As crianças poderiam recorrer ao desinteresse como acontece comigo quando abandono um livro por muito tempo.
Talvez uma saída alternativa fosse a parceria com os/as professores/as a fim de que eles também fizessem contação dialógica com tipos variados de texto, dessa forma esse tipo de contação poderia tanto estar presente mais vezes na semana das crianças como poderia ser trabalhada com diferentes tipos de narrativa.
De qualquer forma, essas são apenas ideias; porque a maioria das vezes, quando estou na posição de leitora, penso nas crianças com as quais faço a leitura dialógica. Assim como quando planejo as intervenções que serão tentadas na contação.


Nathália Oliveira

domingo, 11 de agosto de 2013

Um novo elemento

   Dar continuidade a um projeto com certeza tem seus méritos, mas não é disso que pretendo falar. Vou falar da forma boa como eu fui recepcionado no projeto. Tudo foi tão fácil que até parece estranho, principalmente a aceitação das crianças. Sem entender direito como elas conseguiam se interessar de forma tão sincera pelas leituras e gostar também tão facilmente de mim a minha resposta foi que aquela seria a retribuição da dedicação que elas sentem da gente e das nossas sinceras intenções de cultivar aquele momento de leitura, afinal a turma que estou agora já vivencia esta experiência há mais de um ano. Lembro que em uma das reuniões já falamos da importância disso, essa continuidade. Eu não tinha problemas com isso, mas na minha segunda contação tive uma surpresa que mudou esse meu modo de pensar e me fez surgir uma outra possível resposta. Explico. No começo ainda, chegou na turma um aluno novo, eu quando criança troquei de escola e sei como as vezes é difícil ser um aluno novo principalmente em uma escola em que todos já se conhecem e estudavam juntos, como é o caso dessa. Assim que cheguei na turma todo mundo já começou a falar que tinha um novo aluno, que eu devia chamar ele primeiro, pois bem, chamei ele juntamente com alguns outros alunos da turma, queria que ele se sentisse a vontade. Me apresentei, perguntei quem era ele e apresentei um pouco o projeto Livros Abertos e qual é a nossa proposta, falei do livro de Sherlock Holmes e retomei brevemente o que já tinha sido contado daí continuei a leitura. Acabou o tempo do grupo e enquanto ia acompanhando eles de volta para a sala perguntei o que ele tinha achado, disse que gostou. 

   O quanto ele tinha gostado e entendido qual era a proposta eu realmente não saberia dizer com certeza, afinal provavelmente essa tenha sido a primeira vez em que ele foi tirado da sala de aula para ouvir, e se quisesse, discutir sobre uma estória de um livro. Eu mesmo saí com a sensação de que podia ter sido mais legal, sei lá que talvez o trecho contado nem tenha sido bom mas enfim até a próxima semana ele assim como todos os outros deveriam esperar o prosseguir da trama.
   Aí nessa experiência é que estava a novidade! Pensei eu. Pois se para todos os outros eu estava dando continuidade nas mediações com ele eu começava do zero. O que aconteceu nas semanas seguintes foi que ele sempre se demonstrou empolgado e é um dos mais participativos. Daí que pensei que não teve muita diferença do envolvimento dele que não conhecia o projeto com o dos demais e isso é uma das coisas boas de uma criança. Eles tem essa capacidade de mergulhar de cabeça  nas coisas. Sem aquele receio ou desconfiança que os adultos vão construindo para se protegerem e as vezes nos impedem de vivenciar coisas novas ou conhecer outras pessoas. Pelo menos com as crianças que tenho contado posso ver nos olhos delas aquela confiança súbita mesmo por aquilo que lhes é estranho o que muitas vezes preocupa os pais. Obviamente tudo deve ser ponderado mas a cada vez que falo e ouço elas me sinto revigorado para buscar em mim aquele lugar onde a esperança é viva, e, dalí, sair dos livros, ir para a vida real e tentar olhar o mundo com a empolgação que vejo nelas. Vi em uma propaganda de um banco que dizia: ler um livro para uma criança... #issomudaomundo!

   Muda mesmo, mas não do jeito que se espera é uma mudança recíproca.

   Gabriel

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O que que elas devem estar pensando?

                                       http://eveferretti.blogspot.com.br/

"Quando guri, eu tinha de me calar, à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem." Mário Quintana

Olá! Quero dividir aqui minha experiência de contação do dia 8 de julho, que foi a último desse semestre. Eu nem sempre consegui envolvê-los nas histórias que eu contava, queria entender como seria uma bem envolvente para eles. Resolvi levar uma folha em branco, pois a história seria feita pelos próprios alunos e eu iria conduzindo-os: perguntando qual tipo seria (terror, aventura, comédia), o lugar, quando, quem estaria nela, fazendo o quê, como acabaria, etc. O gênero terror foi a resposta unânime da turma; o lugar variou de escola onde estudavam, casa mal assombrada, cemitério e a rua. Eles eram os personagens principais que deviam derrotar os vilões, só em um caso uma das crianças foi uma pipa mal-assombrada. Achei-os bem entusiasmados com essa atividade, e saiu muito coisa interessante, só que eles me pediram a folha e aí não quis recusar, mas lembro de algumas que vou tentar reproduzir aqui. Teve uma que achei bem engraçada:

Era uma sexta-feira 13 e já era meia-noite, os alunos estavam numa festa de Halloween na escola. A Marina foi no banheiro e deu um enorme grito, pois tinha visto um fantasmas, os meninos entraram no banheiro correndo para ajudá-la, porém, não viram nada. Depois olharam bem e viram fantasmas, zumbis, bruxas, lobisomem e ficaram assustados. Mas logo esfregaram os olhos e tudo desapareceu. Fim!

Tivemos menos tempo nessa, mas em outras, quando eles falavam que derrotaram o monstro, eu ia perguntando como, qual era o ponto fraco dele, e eles iam refletindo sobre a situação. Outra coisa que aconteceu, foi que um menino não queria que o motoqueiro fantasma fosse do mal, ele dizia que ele era bom, mas todas as outras crianças discordaram dele. Perguntei por que ele achava isso, e ele só disse que era claro que ele era bom, aí eu disse que a maioria votou para ele ser mau e que isso é que iria valer. Uma amiga, depois, me deu um toque, que poderia ter sido uma oportunidade para saber o que elas entendiam por bom e por mal, mas nem pensei nisso na hora, fiquei sem saber como agir. Em geral, gostei muito dessa atividade, diz muito sobre a criança e me ajuda a saber o que se passa nas suas cabeças. Eu confesso que resisto em levar histórias de terror para elas, parece que estou incentivando algo ruim ou naturalizando algo que não é certo. Levei uma que parecia de terror, mas no final o personagem mostrava-se bonzinho. Vou tentar ouvir mais o que elas querem da próxima vez, mas essa resistência com história de terror é bem forte, acho que levo-as muito a sério. Vou procurar um texto que me explique o porquê de as crianças gostarem tanto de histórias de terror, talvez clareie mais minhas ideias para uma história que tenha alguns pontos parecidos, mas que não seja tão macabra. Ou será que é da parte macabra que elas gostam mais O.o?

Natália Honorato

terça-feira, 16 de julho de 2013

Um tempinho pequeno de felicidade.


Cá estou eu pensando como queria ter tempo de ler meus livros... 
Foi numa terça-feira dia de cuidar do acervo do projeto que peguei um livro pra ler, fininho, porque detesto ler um livro pela metade:

“Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Colo. Este menino é mesmo um caso de poesia.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Adorei, queria muito ter um caso doentio de poesia, ver as coisas como Manoel de Barros e andar “Na estrada, meu corpo a ventos. Aves me reconhecem pelo andar.” Que graça seria me sentir uma garça!  Mas será que não o fiz isso? Como disse o grande Mário:
"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

E meu medo era deixar de ler um livro pela metade...

Por Isadora Salviano.

 



domingo, 14 de julho de 2013

Somos melhores Juntos! Por: Andressa Priscilla.


       Hoje estive pensando no quão sinto que o grupo “Livros Abertos” é unido, e no quão sempre fazemos tudo dar certo. Então resolvi  escrever sobre o trabalho em equipe.




         Até mesmo os menores seres demonstram que são mais fortes através da cooperação, por que nós também  não podemos por intermédio do trabalho conjunto em prol do bem comum, evidenciarmos a nossa capacidade de não sermos egoístas e/ou individualistas? Nossa sociedade difunde tanto o individualismo que acabamos por nos perder e não nos atentamos para as questões corriqueiras.
       Não é segredo para ninguém que somos mais fortes juntos que separados. Grandes feitos são conseguidos quando estamos juntos. Ser mediador e ser mediado é todo dia um sinal de aprendizado,  crescimento e superação de desafios.
       A troca de conhecimento, bom humor, agilidade no cumprimento de metas e objetivos compartilhados são facilmente atingidos no trabalho em grupo unido, fica claro que, não importa como o trabalho é feito, ele precisa ser feito. Cada um com sua criatividade, história, cultura e peculiaridade faz com que tudo dê certo. Nossas dificuldades e medos, lutando contra os desafios diários podem ficar cada vez menor, não há dúvida de que chegaremos ao sucesso em um menor tempo. Afinal, “nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos”.





sábado, 13 de julho de 2013

Revisitando a infância através dos livros

Com a aproximação das férias consigo ter um tempo mais livre para aproveitar as leituras que de fato me dão prazer. Acontece que nesses últimos semestres a Universidade não permitiu esses momentos de descontração de forma plena. Vinha fazendo leituras que me agradavam em filas, na hora do almoço, 30 minutos antes de dormir, ao aguardar o atendimento em uma consulta. Era o que dava para fazer.
Ontem, no entanto, pensando no que ia escrever para o blog, virei para a estante de livros aqui de casa e comecei a redescobrir as obras que tenho há muitos anos. Para meu espanto, encontrei livros que li na quinta série e que pensava não estarem mais na minha estante. Felizmente, ficaram livros que eu gosto muito e que já reli inúmeras vezes: “O grande desafio” de Pedro Bandeira, “Os ratos” de Dyonelio Machado, “Um país chamado infância” de Moacyr Scliar e “A máquina” de Adriana Falcão.
No mesmo momento em que achei essas relíquias, mil lembranças vieram à minha cabeça, assim como a memória de outros livros lidos na minha infância como “Confissões de um vira-lata” de Orígenes Lessa. Impossível descrever o espaço que a literatura ocupa e ocupou na minha vida. Acredito que fazer contação dialógica é também estar um pouco mais próxima da minha infância, embora com outro olhar e trazendo novas reflexões.
Da minha infância, só tinha guardado deliberadamente um livro chamado “Passagem para Ravena” de José Ricardo Moreira. Um dos melhores livros que li, visto que o autor mistura com mestria aspectos da Idade Média com a contemporaneidade, trazendo elementos da Música Popular Brasileira como formas de comunicação, envolvendo o leitor com romances, mitos, suspense e ação. Por tudo isso, escolhi iniciar a contação dialógica desse livro no próximo semestre. A apresentação dele para as crianças foi maravilhosa e eles gostaram muito da introdução que fiz da história. Espero que consiga fazer uma boa mediação tendo este livro como instrumento. Será um desafio, mas acredito que bastante prazeroso.
E quanto aos livros: “O grande desafio”, “Os ratos”, “Um país chamado infância” e “A máquina” pretendo dar um “destino mais nobre a eles” (http://www.leituraalimenta.com.br/doe.html)*

 *Quem não mora perto de um dos pontos de doação pode enviá-los através da CAIXA POSTAL 73007 / CEP 08341-420

Nathália Oliveira

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Diário do contador: Gabriel

Temas complicados...


 Eu já tinha refletido sobre a situação que teria que enfrentar e tinha chegado a apenas um ponto: estava decidido que queria porque queria ler o tal livro do Sherlock Holmes mesmo com as dificuldades presentes.
Na reunião falamos de várias coisas e então falei das minhas, primeiro que havia descoberto que Sherlock Holmes usava drogas em seu livro, como podia ele que eu sempre admirei (mesmo sem ter lido sequer um livro dele) usar drogas? Ele que  tem uma mente com um raciocínio tão extraordinário perdia toda a minha admiração, além disso, como eu poderia contar aquilo para as crianças? A pergunta estava lançada: seria melhor trocar de livro? Na verdade eu poderia resolver aquela situação muito facilmente, bastava pular a página, e todas as outras que no futuro eu encontrasse falando coisas que eu não queira mediar, mas isso inibiria tanto o desenvolvimento das crianças quanto o meu, pois estaria perdendo a oportunidade de tratar de um assunto difícil com elas, ao invés de desenvolver a capacidade de lidar com temas complicados.
Bem, ninguém se desesperou, na verdade situações assim são comuns, falar sobre as drogas, da morte, da violência, da origem da vida ou das coisas, o que seja, é sempre difícil e não há um “passo-a-passo” que resolva tudo. É preciso ter disposição. Felizmente as mentes com as quais trabalhamos não foram contaminadas por respostas clichês, acho que por isso temos receios sobre como respondê-las, quando você responde elas acreditam no que ouvem e por dar atenção as suas perguntas você ganha um prêmio, o interesse real delas e uma porção de outras perguntas. Bom, bastaria dizer que aquilo é errado? Um personagem que iria nos acompanhar durante todo o ano e logo no começo já demonstrava isso, o que mais estaria por vir, melhor trocar de livro?
Uma resposta, lembro bem, “ora, pergunte a elas também”. Caso as perguntas me colocassem numa situação desconfortável poderia ser sincero e dizer que não sei como responder aquilo e perguntar para elas mesmas o que elas achavam daquilo. Sim, porque subjulgá-las nessa situação de meras ouvintes passivas sem direito a voz só por ser um tema mais difícil quando tudo o que fazemos é incentivar a participação delas. Nesses momentos críticos é que é essencial manter a coerência com aquilo que se está construindo.
Outra coisa me ajudou bastante já fora da reunião foi pensar no seguinte: se algo se demonstra ruim eu deveria buscar primeiro demonstrar justamente o contrário, buscar até o fim para só depois que aquela impressão ruim se concretize ou não, abandonar ou não aquilo. Daí que eu nem tinha lido direito, vendo apenas a palavra narcótico e o estranho efeito que causava em Holmes, nem quis saber e  já fechei o livro. Voltei a ler, e, sim, tive uma surpresa. O que estava sendo contada era a impressão que Watson tinha de Holmes, ele disse que parecia que o Sherlock estava sob o efeito de narcóticos mas que dado o caráter dele ele excluia essa possibilidade. Ufa, agora sim! Pelo menos o personagem estava livre dessa, mas o que poderia vir da discussão sobre o tema eu ainda não sabia. Queria saber!

No dia da contação os grupos são de 5 ou 6 crianças no máximo e fico trinta minutos com cada grupo, num total de 2 horas eu consigo chamar a classe toda. Tinha muito mais estória além daquele trecho, quando apareceu essa palavra estranha “narcóticos” alguns perguntaram o que era, eu disse que era o mesmo que drogas. Expliquei que no caso o Sherlock Holmes estava se comportando de modo estranho e que o Watson fez essa associação mas prosseguiu logo dizendo que desconsiderou isso pois conhecia a reputação do caráter de Sherlock Holmes. Daí uma coisa importante, não julgar pelas aparências, quando falei em drogas uns poucos brincaram, outros poucos falaram que já viram pessoas usando. Perguntei então se cigarro não era uma droga, disseram que sim, e alguns acrescentaram o álcool também, concluí então que todos já vimos pessoas usando, não devíamos nos assustar com isso, perguntei sobre o cigarro, o que achavam: credo! Para minha alegria todos odeiam aquele cheiro, um disse que o fumante da casa fuma apenas fora de casa, falei que isso é um sinal de respeito e de amor pela família, todos concordaram que não se deve fumar dentro de casa e incomodar os outros. A mediação desse trecho foi por aí.  Depois disso continuei contando o resto pois ainda falta muita coisa.