segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Acervo Indica: Edição Especial Dia da Consciência Negra 2

Continuando a postagem anterior sobre o dia da consciência negra, mais indicações interessantes sobre o tema. O que vocês acharam das indicações da semana passada? Estão empolgados para os novos livros? =) Chega para vocês mais uma postagem cheia de carinho!

Joãozinho e Maria - Cristina Agostinho e Ronaldo Simões Coelho e Walter Lara

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Vocês já conhecem a história de João e Maria? As crianças que são abandonadas numa floresta e que acabam seguindo migalhas de pão, achando uma casa cheia de doces e conhecendo uma bruxa que não é muito legal. Mas, a história do Joãozinho e Maria, que se passa na Serra da Mantiqueira, no Brasil, tem algumas diferenças regionais que são muito legais, começando pelo fato de serem duas lindas crianças negras. Visibilidade no conto dos irmãos Grimm é sempre uma boa representatividade.

Ficha:
Joãozinho e Maria
Autores: Cristina Agostinho e Ronaldo Simões Coelho
Ilustrador: Walter Lara
Editora Mazza

Quilombo Orun Aiê - André Diniz



Um livro emocionante. Quando eu comecei a ler, não pensei que ficaria tão marcada pela história. Em forma de quadrinhos, conhecemos Capivara, um garoto que sonha em chegar ao quilombo Orun Aiê, para reencontrar seu pai e deixar para trás e no passado todos os dias de escravidão. É um daqueles livros que a gente guarda no coração. Ele é mais voltado para as crianças mais velhas, mas nada que uma boa adaptada não permita que os mais novinhos entendam.

Ficha:
Quilombo Orun Aiê
Autor: André Diniz
Editora Galera Record


A semente que veio da África - Heloisa Pires Lima, Georges Gneka, Mários Lemos e Véronique Tadjo

http://www.salamandra.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A7A83CB30D6852A0131720F1E252BA2

Baóba ou Embondeiro é o tema deste livro.

“E por que uma árvore como tema? Porque não se trata de uma árvore qualquer. Ela é uma e, ao mesmo tempo, muitas, pois existe em toda a África, recebendo nomes diferentes de país para país.”
Colher histórias e contos sobre o Baobá e brincar com jogos inventados com suas sementes é a proposta de A semente que veio da África, estreitando o abraço entre nossos dois continentes.

Ficha:
A semente que veio da África
Autora: Heloisa Pires Lima, Georges Gneka, Mário Lemos
Ilustradora: Veronique Radjo
Editora Salamandra


As cores da escravidão - Ieda de Oliveira e Rogério Borges

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“Uma história sobre inocência roubada, sonhos invadidos, infância escravizada. Mas também sobre esperança, amizade e amor.”

Sensível é a melhor palavra para descrever este livro. Conhecemos Tonho, um garoto inocente que cria, a sua maneira, um refúgio contra a escravidão que vive. O momento em que ele começa a se dar conta da sua realidade é um dos momentos mais dolorosos - não só do livro. Mas, por mais que pareça o fim, Tonho encontra formas de sobreviver e viver, acolhido por pessoas e lugares.
Um livro para os maiores, As cores da escravidão é um desses livros para se ler e pensar.

Ficha:
As cores da escravidão
Autora : Ieda de Oliveira
Ilustrador: Rogério Borges
Editora Champagnat

A última indicação veio de uma de nossas mediadoras, não temos ele no acervo, mas vale a pena conhecer! Vamos ver o que Rogéria nos disse sobre ele?

A cor da vida - Semíramis Paterno
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Esse é um daqueles livros maravilhosos que a imaginação pode fluir e você criar a sua história. Sabe por quê? Ele é compostos apenas de ilustrações, é um picture book! O livro mostra uma mãe negra de cabelos negros com sua filha e outra mãe branca loira, com seu filho (espie a imagem que colocamos aqui em cima). As crianças se cruzam durante um passeio com suas mães e resolvem brincar juntas sem que suas mães percebam. Aí a confusão está feita! As mães se desentendem e o final monstra que o desespero foi em vão.

Uma história linda de amizade. Negra ou branco? Morena ou loiro? Não importa, é a cor da vida! Leia e crie a sua história. Vale a pena!

Ficha técnica:
A cor da vida
Autora: Semíramis Paterno
Editora Executiva

Também vale a pena dar uma olhada no livro Um menino chamado Negrinho que a gente já falou aqui no blog. Assim como o livro fantástico O mundo no black power de Tayó. Para ler, clique aqui. >> https://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2016/10/o-acervo-indica.html
>> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2016/05/o-mundo-no-black-power-de-tayo-um-livro.html

E hoje encerramos nosso acervo indica temático sobre o Dia da Conscientização Negra. Foi muito especial para nós escrever essas postagens, tanto como mulher negra quanto pelo interesse do assunto.  E que não só neste mês hoje nós possamos refletir para quem e visando o que fazemos nossas seleções de livros e leituras e quem devemos atingir, já que, como multiplicadores de idéias, devemos estar atentos às possibilidades que temos nas mãos, e, nesse caso, no acervo pensando nas crianças que dialogamos através da contação.

Beijos mediadores,

Nagy e Vitoria.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Orgulho de fazer parte dessa história!


Semana passada dois de nossos parceiros foram premiados!

Gostaríamos de parabenizar Fabio Medeiros pela sua dissertação de mestrado (Leitura compartilhada de contos com prompts baseados na função da narrativa: efeitos sobre a compreensão textual) e Gilberto Gauche pela sua menção Honrosa referente ao seu trabalho de iniciação científica (O papel das inferências na compreensão leitora: revisão crítica da leitura e propostas para a conceituação e classificação) . É graças a trabalho cuidadosos e de excelência como o de vocês que a leitura dialógica se fortalece e o projeto Livros Abertos cresce.

Professor Todorov e Fabio Medeiros

Nosso muito obrigado também a professora, pesquisadora (e nossa coordenadora) Eileen Pfeiffer Flores que foi orientadora de ambos os premiados.

Professora Eileen Pfeiffer e Gilberto Gauche
Estamos honrados e agraciados por fazermos parte dessa história!



Para quem ficou curioso, deixamos o link de acesso para a dissertação de Fabio:
http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/18229/1/2015_FabioHernandezMedeiros.pdf


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Acervo Indica: Edição Especial Dia da Consciência Negra

Olá leitores!
Mais um acervo indica temático sobre um assunto muito especial e que nos sentimos muito honradas em falar!  Dia 20 de novembro é o dia da consciência negra, mas vocês sabem porquê? Essa data foi escolhida porque nela morreu um dos líderes do quilombo dos palmares, Zumbi. Ele é, assim como sua esposa Dandara, um dos maiores representantes da resistência negra, seja ela política, cultural ou física. O dia da consciência negra é muito questionado atualmente, por pessoas que defendem um dia da consciência humana, mas elas se esquecem da representatividade que a data tem para os negros, pois são eles que ainda são estigmatizados e embranquecidos todo o tempo.
Pensando então nessa representatividade, resistência e no empoderamento que a leitura proporciona, o acervo indica separou uma seleção de livros nessa temática:

Nyangara Chena - A cobra curandeira - Rogerio Andrade Barbosa e Salmo Dansa
(477)

http://www.pontofrio-imagens.com.br/Control/ArquivoExibir.aspx?IdArquivo=6699140
Conta a história de um grupo de guerreiros que busca uma cobra que possui saliva mágica e dotada de poderes sobrenaturais que é a última esperança do chefe de uma tribo que fica no Zimbabue. As ilustrações são fortes, intensas e belíssimas e é um livro curto, mas muito marcante. Será que os guerreiros são corajosos o suficiente para encontrarem Nyangara Chena e salvar o líder?

Com esse livro podemos trabalhar a mitologia africana de forma leve com crianças de todas as idades.

Ficha
Nyangara Chena - A cobra curandeira
Autor: Rogerio Andrade Barbosa
Ilustrador: Salmo Dansa
Editora Scipione

Lendas da África Moderna - Heloisa Pires Lima, Rosa Maria Tavares Andrade e Denise Nascimento (389)

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhImK0UM5QubmxD6z8ne1sGaSVVzyFg5rK1bk8EmH71tHKQ68IU26USw6pfsJhKILhFF88gHy7RvX9suWne_4FYkmc15yvNjUbosnsVC4OLDDjVUh-vYIWI_O7HvGkECdf3Hm6kkLkUTqE/s1600/lendas.jpg

As lendas existem. Se existem, nasceram de alguma forma. Como nasce uma lenda?
E como nasce uma lenda num continente onde a maior forma de propagação de conhecimento é a forma oral? basta alguém contar para alguém algo fora do comum, extraordinário para logo cair na boca e ouvido de outras pessoas. Griôs (procurar significado).
Lendas da África Moderna oferece alguns relatos de lendas recolhidas em forma de imaginação brasileira sobre o universo africano. Pode-se trabalhar conhecimentos sobre o continente africano, a oralidade tão marcante neste povo com ilustrações lindas e repleta de pessoas negras, contribuindo com a visibilidade para as crianças negras.

Ficha:
Lendas da África Moderna -  Heloisa Pires Lima, Rosa Maria Tavares Andrade e Denise Nascimento
Autoras: Heloisa Pires Limas e Rosa Maria Tavares Andrade
Ilustradora: Denise Nascimento
Editora Elementar


Berimbau mandou te chamar - Bia Hetzel e Mariana Massarani

http://www.livrariacultura.com.br/p/berimbau-mandou-te-chamar-2449106

Berimbau e a capoeira são formas de expressão da cultura africana muito populares no Brasil, mas onde a capoeira nasceu? Uns dizem que foi na África, outros no Brasil. Essa é uma resposta que ainda não encontramos, mas uma coisa é certa: já são símbolos do Brasil.

A capoeira é uma forma de luta que acabou sendo disfarçada de dança pros senhores  não perceberem sua real função. Versos de cantiga de capoeira, com poesia popular guiam este livro lindo cheio de informações para as crianças. Quem sabe não desperta em alguma delas a vontade de jogar capoeira?

Ficha
Berimbau mandou te chamar
Autora: Bia Hetzel
Ilustradora: Mariana Massarani
Editora

Nina África - Contos de uma África menina para ninar gente de todas as idades - Lenice Gomes, Arlene Holanda, Clayson Gomes (83)

https://www.editoraelementar.com.br/livro/detalhe/69/Nina-Africa

“Houve um tempo em que o céu e a terra eram muito próximos um do outro. Houve um tempo em que se ouvia a voz do rei da terra e do rei do céu. Houve um tempo em que, fizesse chuva ou sol, jamais faltava verde nos roçados. Nesse tempo que nem cabe em nosso calendário, todos os seres inanimados tinha personalidade e viviam entre os humanos.”
Explicando como surgiram as estrelas, o vento e a Brisa, Nina África apresenta também os orixas, o tambor como instrumento símbolo do continente africano através de 5 histórias leves, com ilustrações lindas sobre como começou o mundo e o que permitiu que a África fosse o berço dele.

Ficha:
Nina África - Contos de uma África menina para ninar gente de todas as idades
Autora: Lenice Gomes, Arlene Holanda, Clayson Gomes
Ilustrador: Maurício Veneza
Editora Elementar

Lucas e o direito de coçar - Sheilla Alves
http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/859/3119859.jpg

Lucas tem uma coceira que o faz questionar as coisas, quase todas as coisas. Mas a coceira mais insistente de Lucas é sobre Deus. Será que Deus já foi criança? e como será que foi sua infância? Ele tem a ajuda de algumas pessoas para coçar e coçar essa coceirinha que o segue noite e dia.
Mais um livro sobre representatividade, uma vez que Lucas é negro. Também é possível trabalhar religião e espiritualidade, uma vez que o próprio livro traz a temática para o diálogo.
Um livro para crianças com questionamento de adulto!

Ficha:
Lucas e o direito de coçar
Autora: Sheilla Alves
Editora Callis

O Quilombo do Encantado - Marcos Mairton e Jabson Rodrigues

http://pt.calameo.com/books/00120643536889ac8174a

“Há alguns anos os portugueses ouviam falar do quilombo de Antônio. Referiam-se a ele como “O quilombo do Encantado”, porque muitas vezes encontravam pistas que pareciam levar à sua localização, mas, de repente, sumiam, como por encanto. Várias expedições já haviam sido feitas à sua procura, mas nunca o haviam encontrado”.

Histórias sobre quilombos são sempre emocionantes. Nesse acervo indica, vamos de ‘O Quilombo do Encantado’ e no próximo, Quilombo Orun Ayiê. A importância dos quilombos para os negros escravizados como porto de segurança e cuidado faz com que estes lugares ganhem nomes sempre marcantes.

Ficha:
O Quilombo do Encantado
Autor: Marcos Mairton
Ilustradora: Jabson Rodrigues
Editora Nova Alexandria

Além desses livros, podemos relembrar o livro Grande Assim que já foi citado aqui no blog. Para conferir, clique aqui. (https://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2016/10/o-acervo-indica-2-edicao.html)

Vocês acham que acabaram as indicações? Não!

Essa postagem tem continuação porque são tantas indicações que a gente quer ir dando aos pouquinhos para vocês saborearem aos poucos e com carinho
Então, até a próxima semana com mais indicações!
Beijos Mediadores,
Nagy & Vitoria.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Papai e eu, às vezes - Uma história sensível

Venho hoje compartilhar minha experiência de mediação com o livro Papai e eu, às vezes de María Wernicke.


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À priori, o título pode parecer assustador para alguns mediares e contadores, que temem trazer a tona questões pessoais das crianças e despertar alguma ansiedade. Curiosamente, é justamente o título que nos permite abarcar a diversidade dos arranjos familiares. É justamente este conjunto de momentos, estes diversos às vezes, que constitui a história de nossa relação.

Não importa se venho de um lar de pais separados e que more com minha mãe e tenha que visitar meu pai em outra cidade, não importa se moro com meus pais, não importa que more com meus avós e só encontre com meus pais no final de semana, não importa se meu pai já é falecido... A verdade é há momentos em que estamos juntos e há a presença do meu pai, e em outros momentos há a ausência.

Para aqueles que já são pais e mães, este livro é uma excelente ferramenta para nos sensibilizarmos e sensibilizarmos nossos filhos para uma questão, nem sempre estamos disponíveis afetivamente, assim como nem sempre eles estarão para nós. E é exatamente sobre esses encontros e desencontros entre desejos e afetos, prazeres e obrigações que este livro retrata.

Ele é um convite para um novo olhar sobre nossa relação com nossos pais e nossos filhos, um olhar sincero e sensível, que compreende a diversidade de momentos que vamos construir. É um momento para compartilhar as coisas gostosas que dividimos e fazemos com nossos pais, as coisas incríveis que aprendemos com eles, mas também compartilhar os sentimentos que nos invadem quando recebemos um não, ou quando nós mesmos recusamos um convite.

Não foi com essa reflexão que eu cheguei para a contação, na verdade, eu cheguei um pouco ansiosa.

Minha ansiedade diminuiu com o primeiro grupo, como eu, ninguém morava com seus respectivos papais, todos os ali tinham visto o divórcio dos pais, e uma de nossas pequenas tinha perdido um dos pais, mas descoberto muito carinho com seu padastro "é meu segundo, pai, tia". Neste grupo não faltou acolhimento, não faltaram histórias, não faltaram lembranças e não faltaram intrigas. Cada página era um lembrete e porta de partida para novos momentos.

No segundo grupo, eu era a única que tinha os pais separados, a maioria deles moravam com seus pais, alguns deles (seja por conta do trabalho dos pais, ou seja pela distância da escola e da casa) só viam seus pais no final de semana. Os às vezes, tiveram outro sentido para este grupo, não era uma questão de proximidade física, mas de disponibilidade afetiva, às vezes nós dois estamos em casa, mas não conversamos e não queremos brincar juntos.

Foi muito rico viver este momento e compartilhar dessas histórias, sou grata pela experiência que María Wernicke nos possibilitou com esta obra de arte, que tem uma dose maravilhosa de sua própria história.

Indicamos este livro de afeto e sensibilidade a todos os públicos! =)
Escrito por: Júlia Gisler

Ficha técnica
Título: Papai e eu, às vezes
Escritora: María Wernicke
Tradutora: Carla Caruso
Ano de edição: 2010.

Gostou? Confira nossas dicas de mediação dessa obra em nossa revista digital!
http://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2016/11/10/Papai-e-eu-%C3%A0s-vezes-Mar%C3%ADa-Wernicke

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Acervo Indica: 5a Edição

Olá galera!
Mais um “Acervo Indica” na área com uma pegada bem brasileira nesta segunda. Quando você fica responsável por um acervo com dezenas de livros, percebe que cada livro, mesmo sem a intenção, acaba falando um pouco do lugar onde foi feito. Isso também acontece com o Brasil em seus diversos livros produzidos aqui. E um país tão grande e tão rico em regiões e diversidade não deixaria por menos na qualidade de livros que falam dele.

Seguem 4 dicas de livros que falam sobre o Brasil, ora contemplam suas lendas, ora sua fauna ou flora.

Yaguarãboia, a mulher-onça - Yaguarê Yamã e Maurício Negro

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Como surgem as lendas sobre animais incríveis? Eles simplesmente nascem espetaculares ou levam dias, meses ou anos para se constituírem assim? Yaguarãboia mostra que nem sempre os animais nascem como são e podem ser construídos e desenvolvidos através das escolhas pessoais do primeiro ser. É possível trabalhar com o leitor lendas de animais mitológicos famosos, conhecendo cada vez mais a história do Brasíl e sua formação cultural.

Ficha
Yaguarãboia, a mulher-onça
Autor: Yaguarê Yamã
Ilustrador: Maurício Negro
Editoria Leya

Lendas e mitos do Brasil - Theobaldo Miranda Santos

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Com nada menos que 55 contos, Lendas e Mitos do Brasil convida o leitor a conhecer os cinco cantos do país. Uma curiosidade sobre este livro é que a primeira edição dele é de 1955. Quantos contadores aqui tem 61 anos e acompanhou desde o lançamento? É um daqueles momentos de muita honra!

Ficha
Lendas e mitos do Brasil
Autor: Theobaldo Miranda Santos
Editora Companhia Editora Nacional

Um som...animal! Animais do nosso entorno - Lô Carvalho

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“A galinha cacareja, o gato mia, o cachorro late. E a ovelha, o porco e o pato, qual é o som que eles fazem? Tem gente que não sabe que o sapo coaxa, o grilo cricrila, a coruja pia e que o pernilongo canta! A maioria nunca imaginou que o crocodilo ruge, o camelo blatera, a arara grita, tucano berra e onça urra... No meio de tanta gritaria, ainda bem que o papagaio fala e a ema suspira. O tatu? Coitadinho, ele choraminga! QUE, QUE, QUE... é a cotia gargalhando!”

Com ilustrações fofas, “Um som...animal!” faz pensar sobre o som que cada animal faz. As vezes, é difícil lembrar o que cada bicho emite de som e pensar por alguns instantes traz boas surpresas. Caso você tenha dificuldade com os sons, tem um vídeo no youtube que pode ajudar na contação e é muito divertido! Link: https://www.youtube.com/watch?v=RO_yqzE607o

Ficha
Um som...animal! Animais do nosso entorno
Autora: Lô Carvalho
Ilustradora: Ana Alzueta Sigaud
Editora Bamboozinho

Histórias da onça e do macaco - Vera do Val

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Desde que o mundo é mundo, a onça quer pegar o macaco. Para o que, não sabemos, mas Vera do Val decidiu recontar, com belas ilustrações de Geraldo Valério, histórias do folclore brasileiro dessa busca incessante da onça pelo esperto macaco, que sempre consegue um jeito de se esconder ou fugir.

Ficha
Histórias da onça e do macaco
Autora: Vera do Val
Ilustrador: Geraldo Valério
Editora WMF Martins Fontes

Deu para sentir o gostinho dessas riquezas do Brasil?
Abraços Mediadores,
Nagy

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Retorno ao projeto e novos desafios

Contação de histórias com crianças pode se tornar uma atividade lúdica que transmite aprendizado ao mediador. Isto porque, quem pensa que o público infantil não é exigente, se engana! As crianças esperam do mediador uma surpresa a cada encontro. Esperam que o livro seguinte seja tão bom ou superior aos lidos. Elas se agradam quando o mediador traz novidades, quando têm a oportunidade de descobrir, sentir e refletir.
Após dois semestres sem realizar contações, resolvi retornar ao Projeto Livros Abertos. E, claro, estava enferrujada. A turma na qual faço mediações é do primeiro período. Eu e minhas duas colegas fizemos a visita à escola para conhecer as crianças, fazer um quebra-gelo, conhecer a professora e verificar a idade e quantidade de alunos. Combinamos de dividir em grupos pequenos de quatro crianças para que pudéssemos dar atenção a elas. Assim, em cada encontro, cada mediadora ficava com oito crianças e sorteavamos, para termos a chance de contar a todas as crianças, ter contato com todas.
Como a faixa etária predominante era de cinco anos, procurei no acervo do projeto um livro que fizesse jus à idade e principalmente, para introduzir o universo da leitura dialógica na vida delas, já que não haviam tido contato algum na escola, até então. 
Agora não me recordo do título do livro, mas planejei as intervenções e testei com meus primos da mesma idade. Meus primos adoraram, porém na escola foi um fiasco. As crianças não se interessaram, imagino que não tenha sido tão atrativo o livro, tampouco a contação. O local que escolhi também não foi uma boa opção para tal momento: o pátio da escola. É um bom local sim, mas não quando se quer introduzir uma coisa nova na vida das crianças. E eu tive que competir com um jogo que faz sucesso entre elas, o totó. Adivinhem o que elas preferiram? Elas brincavam, gritavam, rolavam pelo chão... E eu ali, totalmente perdida sem saber como reagir. Simplesmente sentei no chão e comecei a leitura sozinha, em voz alta, até que vez ou outra, por pura curiosidade, se aproximavam para ouvir e participar. 
Não há como descrever minha frustração ao terminar a mediação. Achava que havia perdido o jeito para aquilo, e me senti desafiada a trabalhar duro para encanta-las com a leitura compartilhada. Exigiu autoavaliações e preparo.
Em nossa reunião semanal com os mediadores e a coordenadora, relatei o ocorrido. Alguns me deram dicas que ajudaram bastante, como em cada vez pegar apenas três crianças (diminuir a quantidade), procurar um livro com mais imagens (confesso ter dificuldade e estou trabalhando nisso, depois relato outra experiência), e tentar inovar. 
Então vi o livro "Quando isto vira aquilo" no Acervo e peguei. Basicamente, o livro é só de imagens, muito bem coloridas e chamativas. Em cada folha há um animal, e parte do animal se transforma noutro animal na página seguinte. Ao todo, são uns vinte animais. E o melhor de tudo é que esses animais são bastante conhecidos pelas crianças. Baixei o áudio referente a cada bicho no celular. Levei as crianças ao pátio de entrada e comecei o livro. 
Minha abordagem já foi diferente. Comecei me apresentando a elas, transmitindo intimidade e conhecendo-as mais profundamente. Fiz um mistério sobre o livro e comecei a contação. A cada animal as crianças queriam falar o que sabiam sobre aquilo, algumas manifestavam medo, outras diziam que adoravam, e nisso, contavam suas experiências particulares ou até mesmo inventavam algo só para ter o prazer de participar da conversa que estava tão agradável. Eu pedia que imitassem o som do animal e depois elas ouviam o som verdadeiro que encontrei no YouTube. 
Foi fantástico! Nesse dia havia muitos pais na escola sentados próximo à coordenação. Eles ficavam atônitos prestando atenção e riam, achando maravilhosa a forma como as crianças interagiam. 
Ao fim da contação queriam folhear o livro e decidir qual animal haviam gostado mais. Pedi que em grupo (para trabalhar a união, avaliação diferenciada, e harmonizar individualidade, criatividade, autonomia e relações em grupo) fizessem um desenho sintetizando o que mais gostaram. Então cada grupo desenhou animais, onde pegavam uma parte de cada animal e juntavam. Acho que se ativeram ao livro que transformava um animal no outro. Por isso digo que não devemos menosprezar a capacidade delas. Alunos de primeiro período pensaram desta forma!
Nesse dia a contação durou bastante tempo porque elas definitivamente não queriam retornar à sala. Crianças de outras turmas passavam e viam, queriam participar também. 

Eu me senti tão feliz e especial que fiquei contagiada durante vários dias. E foi pelo ótimo resultado que refleti o quanto vale à pena se desafiar e propor inovações. O quanto é importante que o mediador/ professor tenha em mente reinventar seus métodos e adequá-los à necessidade dos alunos. Acredito que todos saímos satisfeitos!
Escrito por: Monique Evelyn Pimentel Zanela

Ficha técnica
Título: Quanto isto vira aquilo
Autor: Gustavo Lins
Editora: Rocco
Ano de edição: 2008

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Dica de Leitura: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Hoje pedi licença ao acervo e a nossa mediadora Nagy, para trazer uma indicação muito especial.
Saiu no último dia 31, em pleno dia das bruxas, a tradução do mais novo livro de J.K. Rowling, não pude deixar de ler. =)

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O livro difere dos demais, não é escrito em prosa, mas é um script de peça, adaptado de um conto de J.K. Perdemos um pouco as descrições fantásticas que muito de nós estávamos acostumados, mas, semelhante aos demais livros da saga, encontramos um mundo mágico, repleto de tramas, suspense e afetividade. É um livro delicioso de se ler, as cenas que mudam num piscar de olhos, como num grande caleidoscópio de script, são facilmente criadas e completadas por nossa imaginação. As motivações, crenças e sentimentos dos personagens rapidamente nos chegam pela voz do diretor. Podemos não ter a Broadway, mas temos nossa criatividade para compor cada personagem e cada cenário.

O tema do livro gira em torno de uma amizade muito especial entre Alvo Potter e Scorpio Malfoy (isto mesmo! Um Potter e um Malfoy juntos!). É essa amizade que vai protegê-los de muita confusão e da solidão típica do adolescente.

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O ponto do drama é motivado a partir de um conflito entre pai (nosso herói já conhecido Harry) e filho. A relação dos dois, marcada pelo silêncio, distanciamento e cobranças, e é isso que motiva Alvo a corrigir os erros do pai, e com isso, criar muita confusão no mundo bruxo. É neste livro que o heroísmo dos personagens que já nos são conhecidos (Harry, Rony, Hermione) se encontram com seus medos e anseios próprios da parentalidade.

Por que a cicatriz de Harry voltou a doer? Como ser um bom pai sem ter tido pai? Como conciliar uma carreira no ministério da magia e o papel de mãe? Como manter a relação com o filho após a perda da esposa? Como admitir os erros do passado e fazer novas alianças? Como manter uma amizade que não é aprovada pelos pais? Como proteger os filhos dos perigos, da dor e das más escolhas? Como lidar com a sombra a fama que os pais nos deixam de herança? E por fim, será que o mundo está realmente a salvo da influência de Você-sabe-quem?

Talvez os conflitos e os desafios de um bruxo não estejam tão distantes daqueles que os trouxas, os não dotados de magia, têm que enfrentar. Convidamos aos nossos leitores a dar uma rodada neste vira-tempo e revisitar o mundo bruxo.

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Escrito por: Júlia Gisler


Ficha técnica:
Harry Potter e a criança amaldiçoada
Autores: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne 
Editora: Rocco
Ano de Edição 2016.