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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Homenagem às gerações passadas

Nós sentimos um misto de tristeza e alegria quando um mediador se forma e parte em busca de novas aventuras... Hoje, com lágrimas nos olhos mas com o coração tranquilo, homenageamos os ex-mediadores e todas aquelas pessoas especiais que fizeram parte de nossa história!

Desde 2011, histórias foram tecidas e se somaram ao Livros Abertos, cada trama, cada nó, cada erro e acerto veio somando ao longo dos anos e criando uma equipe que não pára de crescer.



Aos nossos antigos mediadores, nosso agradecimento amoroso... pelas maravilhosas contações, inspiradoras experiências. Ao longo de um semestre - e em muitos casos muuuitos semestres - tivemos a oportunidade de conhecê-los e compartilhar sua percepção única sobre o mundo e sobre as relações escolares.




Somos gratos as amizades que ficaram...




Somos gratos pelos livros que foram indicados por vocês e hoje moram em nossas estantes e em nossas memórias.

Somos gratos pelos segredos que compartilhamos nos bastidores de nossas contações... aqueles que ficaram guardados a sete chaves... mas agradecemos também àqueles que eles foram compartilhado entre risos e lágrimas.


Mas por que passar tanta saudade? Fomos atrás de alguns dos mediadores que já saíram do projeto para matar as saudades! Será que eles se lembram de nós?


Amor e agradecimento foi o que recebemos de Raquel Freire
"O Livros Abertos foi incrivelmente especial! O difícil é que eu queria dizer isso de um jeito que pudesse de fato mostrar toda a gratidão que tenho pelo projeto, e quando digo projeto quero dizer tudo dele! Os grandes amigos que fiz, a Eileen maravilhosa, as crianças, as contações, os professores, as oficinas, as experiências, os livros...é um projeto que amo e que fez toda a diferença na minha graduação (afinal fiquei lá desde o terceiro semestre e me formei em 6 anos hahahah) e na vida  De minhas lembranças, as que tive no livros abertos estão na minha memória e no coração com um carinho imenso! Meus olhos até enchem de lágrimas (felizes) ao recordar delas! Bem é isso, sem muito floreios mas com muito amor."

Pedimos para Raquel compartilhar uma experiência de contação que foi marcante e olha só o que lembramos...
" uma contação que me veio agora e foi inesquecível foi quando as crianças estavam pedindo histórias de terror e eu não estava mais achando livros e decidi escrever uma para elas...não foi uma grande história, mas compartilhar com elas esse momento, a surpresa e alegria delas, também a possibilidade de criar foi algo incrível. Essa foi especial e mais concreta, mas toda contação trazia isso, um espaço para compartilhar uma história que por mais que já fosse conhecida se tornava única naquele momento".


A possibilidade de criar com liberdade foi lembrada também por Joao Bosco, ao falar sobre uma contação que fez história...
''Uma experiência marcante na contação foi quando eu trouxe um livro chamado “Aventuras na Serra do Mar” que era um livro sobre 4 garotos que fazem uma trilha de aventura pela serra encarando desafios da floresta. Eu mostrei para os alunos as aventuras que eu já tinha passado por fazer parte do Clube de Desbravadores, no qual o livro era inspirado. Falávamos de acampamento, de escalada, eu levei uma barraca de acampamento e a gente fazia as contações dentro dela, tudo para trazer os estudantes mais perto do que as personagens no livro passaram. Foi certamente uma das contações mais movimentadas que tivemos."

O projeto de extensão Livros Abertos também marcou muito a vida acadêmica de muitos mediadores, construindo novos sentidos e novas perspectivas, este foi o caso de Joao Bosco, vamos conferir como foi para ele entrar no projeto?
"O Projeto Livros Abertos surgiu para mim no fim do ano de 2014. Na época, eu era aluno do UnB Idiomas e fazia meu segundo semestre de francês. Não estava sendo muito produtivo nas aulas e estava insatisfeito com o curso e minha falta de progresso. Andressa, minha parceira no crime, - ainda mediadora do projeto -  me convidou para fazer parte do projeto que a amiga dela era participante e sugeriu de eu largar asa aulas de francês. Confiando nela e somando meu desanimo com o curso de línguas larguei tudo e fui na reunião do projeto.

Depois de formalmente inscrito, a primeira sensação que vem a memória é a de estar deslocado. Claramente a minha falta de experiencia fazia com que eu fosse nas reuniões mas ficasse calado por maior parte do tempo. Ambientação é sempre um desafio para o “novato”.

Eu me lembro de ir na escola e ser designado nos últimos meses de aula do ano a turma do segundo ano. Ela era pequena então eu ficava sozinho nela. Foi um desafio do qual eu me julgava extremamente incompetente para lidar, e por muitas vezes achei que eu estava fazendo tudo errado e que a proposta do projeto era impossível para eu desenvolver. 


O ano findou e vieram as férias. No ano seguinte, Andressa me renovou o convite e seria uma covardia deixar o projeto assim tão no início. Sabia que deveria primeiro ter um experiência mais sólida para decidir se ficava ou não".

Ai, Joao! E aí, como foi no ano seguinte?
"Ao começar o ano de 2015, o tempo de pratica, as reuniões com os mediadores, e o tempo passado na presença da nossa professora coordenadora, o interesse, o empenho, o conhecimento e a paixão pelas atividades do projeto cresceram. É excelente para qualquer ser humano encontrar um lugar onde ele é respeitado por aquilo que faz, e suas considerações são ouvidas e rebatidas com respeito e amizade. E foi exatamente nesse meio que eu me encontrava.

Constantemente desafiado a pensar as posições que tinha, uma atitude cooperativa para com os meus amigos que fiz no projeto onde era possível falar com absoluta franqueza e saber que haveria sempre o respeito e uma piada pronta para qualquer ocasião. Porque se há uma coisa que os membros do projeto tinham em comum era a alegria e a disposição para uma boa festa.

As contações na escola ficaram mais leves e mais fluídas, pois agora eu tinha certeza do que eu fazia, e não mais ficava paranoico se estava dando tudo certo como manda o script. Trabalho com pessoas, ainda mais crianças, raramente se consegue manter no planejado. Então eu traçava um objetivo final e deixava o entusiasmo das crianças e a fluidez da leitura me deixar lá."


Joao nos lembrou também de outros trabalhos que fazemos no projeto e que foram marcantes para ele:
"O propósito do projeto era muito bonito e deu tanto certo que começamos a receber convites para oficinas em outras escolas. E o que fizemos? Festa! Porque nada era mais divertido, e como eu me divertia, do que ir em outros lugares e levar, demonstrar o que a gente fazia lá dentro da universidade. Afinal não é esse o propósito da extensão universitária? De se conectar com a comunidade e fazer algo em prol dela? 

A mim ficou a responsabilidade de fazer as apresentações do projeto. Das oficinas, da semana universitária, a Eileen confiava que eu traduziria em palavras e imagens, tudo o que o projeto representava. E eu aproveitei mesmo essa liberdade para cantar, para dançar, para falar e demonstrar que o fundamento do nosso projeto está na alegria em incentivar a leitura, como um prazer que se conquista come esforço e persistência, e não somente um prazer por si só, fácil de ser alcançado. 

O blog - OLHA A GENTE AQUI <3 -, é uma ferramenta utilizada pelo projeto também para externalizar para os leitores nossas experiencias e colocar em palavras aquilo que sentíamos ou experimentávamos. Já escrevemos de quase tudo, quando os alunos dizem para a gente: “Nossa tio, você tem voz de travesti”, ou “Tia, meu pai tá na cadeia” e o que era mais ouvido “Eu sou MC Lepo Lepo”. Das coisas boas e ruins que já ouvimos tudo encarando com muita seriedade, mas sempre alegres, porque era nossa oportunidade de trazer a leitura mais próximo das crianças e mostrar que um livro pode conter respostas para as perguntas mais loucas que podemos formular."

A saída do projeto... assim como o final deste texto nos deixa um gostinho de quero-mais!
Convocamos todos os ex-mediadores para um abraço virtual e uma roda de conversa, para nos recordamos de nossas aventuras juntas!

Topam o convite?
Com carinho, Equipe Livros Abertos - AQUI TODOS CONTAM!








terça-feira, 25 de julho de 2017

Confessionário

Vamos falar sobre nossos maiores defeitos enquanto mediadores? Este texto é para você, especialmente para você, aquele que não deixou de ser um simples e mero humano apesar de ter se tornado mediador.

Por mais vergonhoso que seja admitir, nós mediadores cometemos erros – vergonhosos, escabrosos e cabeludos. Daquele tipo de erro que nos deixa até envergonhados de escrever no diário e coramos para nós mesmos na frente do espelho. Hoje, trago uma coletânea dos deslizes mais comuns entre os mediadores.

Antes de mais nada, queria ressaltar que desses pequenos – às vezes grandes – deslizes, os mediadores mais experientes não estão vacinados.
Então...

OPS!
Nessa categoria, há os deslizes mais comuns na vida de um mediador – que não queremos que nossa coordenadora saiba – mas Eileen, ops!

1) Ops-Esqueci que tinha mediação hoje. Às vezes, o despertador não toca, a rotina muda inesperadamente e ops!

2) Ops-Escolhi o livro de última hora e deu ruim. Já aconteceu comigo e provavelmente já aconteceu com você... Um dia escolhemos o livro de última hora – tipo 5 minutos antes da contação. Ou mais vergonhoso, até escolhemos o livro antes, mas não o lemos  com antecedência e chegamos na contação com um enorme de um kinder-ovo.

Não sabemos que intervenções fazer nem o que perguntar... Eita, e quando é livro rimado? Falta prosódia, ritmo e musicalidade. Vejo que esse tipo de erro causa tanta vergonha que é extinto depois de uma ou duas vezes.


3) Ops-Eu segui ao pé da letra as dicas de alguém e fiz perguntas em todas as páginas e uma criança gritou para mim: PÁRA DE PERGUNTAR, TIA, EU QUERO OUVIR A HISTÓRIA! É... temperança é uma virtude trabalhosa, mas desejada aos mediadores.

4) Ops-Eu fiz uma contação no automático... Esta é escandalosa! Estou até com vergonha de escrever. Em dias cansativos, engatamos no automático e narramos simplesmente a história. O maior do pecados é quando deixamos escapar um “qual a moral da história?

5) E o clássico...  Ops-até hoje não aprendi o nome das crianças... nem da professora. SEM COMENTÁRIOS!

NÃO REGISTRAMOS!


O maior deslize que cometemos é que simplesmente não compartilhamos e divulgamos a Leitura Dialógica do jeito que ela merece. Não fazemos bom uso de nossas ferramentas, como este blog. As melhores experiências muitas vezes não chegam até aqui por que não fazemos registro delas. Essa é hora de nossos leitores darem um grito e brigarem conosco.
Vocês e a LD merecem o melhor de nós.

CIÚMES e POSSESSIVIDADE



O ciúmes patológico é frequente em três situações:

1) Em um dia ensolarado, você fez uma contação perfeita: o livro perfeito, as intervenções perfeitas com as crianças perfeitas, tudo se encaixou. A experiência foi tão única, tão soberba que você quer manter ela só para você. E você quer atear fogo na pessoa que ousar fazer mediação desse livro, principalmente por que ela pode fazer uma contação melhor do que você...

2) Um dia você encontra, na estante de um sebo/livraria aquele livro, aquele livro especial que foi feito para você, fala da sua história. Você compartilha sobre ele... mas essas coisas da alma se incendeiam feito faísca em palha. E quando você vê, 35 mil pessoas também acham o livro o máximo. Ele de repente não é mais exclusivo, nem tão especial.



3) Sentimos ciúmes de nossa turminha. Nossa turminha é a mais inteligente, esperta, alegre, divertida, espontânea... E ai do nosso colega que defenda que é a dele. Vixi, e quando pedimos para um colega nos substituir e na semana seguinte as crianças dizem que ele é muito mais legal do que você... Ai, meu coração!

MAS...

Olha, a editora  pediu para eu colocar um mas e terminar com um tom mais otimista.

Mas.. não vou mentir, se você pecou assim, você provavelmente perdeu seu lugar no céu dos mediadores. O lado bom é que... há tempo para redimir, salvar sua alma e quem sabe frequentar o lugar onde estão os maiores contadores de histórias.

A receita é simples. Faça mais mediações! Pode parecer paradoxal, mas a ordem médica é dobre os seus erros e multiplique em 100 seus acertos. Não é nada fácil ser um mediador. 

Quando estamos em roda com as crianças, elas, suas histórias e suas perguntas é o que há de mais importante, por isso não tenha dúvida, a leitura dialógica exige 100% de nossa atenção e afeto. Não tenhamos medo de errar e estar cada vez mais próximo e presente das crianças. Sabendo ouvi-las, sabendo provocá-las e sabendo mediar sua relação com a literatura da forma mais amorosa possível.


Com certeza, você já passou por isso compartilhe com a gente – ainda que de modo anônimo - qual foi seu maior erro durante uma contação. Qual foi seu maior deslize?

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Retorno ao projeto e novos desafios

Contação de histórias com crianças pode se tornar uma atividade lúdica que transmite aprendizado ao mediador. Isto porque, quem pensa que o público infantil não é exigente, se engana! As crianças esperam do mediador uma surpresa a cada encontro. Esperam que o livro seguinte seja tão bom ou superior aos lidos. Elas se agradam quando o mediador traz novidades, quando têm a oportunidade de descobrir, sentir e refletir.
Após dois semestres sem realizar contações, resolvi retornar ao Projeto Livros Abertos. E, claro, estava enferrujada. A turma na qual faço mediações é do primeiro período. Eu e minhas duas colegas fizemos a visita à escola para conhecer as crianças, fazer um quebra-gelo, conhecer a professora e verificar a idade e quantidade de alunos. Combinamos de dividir em grupos pequenos de quatro crianças para que pudéssemos dar atenção a elas. Assim, em cada encontro, cada mediadora ficava com oito crianças e sorteavamos, para termos a chance de contar a todas as crianças, ter contato com todas.
Como a faixa etária predominante era de cinco anos, procurei no acervo do projeto um livro que fizesse jus à idade e principalmente, para introduzir o universo da leitura dialógica na vida delas, já que não haviam tido contato algum na escola, até então. 
Agora não me recordo do título do livro, mas planejei as intervenções e testei com meus primos da mesma idade. Meus primos adoraram, porém na escola foi um fiasco. As crianças não se interessaram, imagino que não tenha sido tão atrativo o livro, tampouco a contação. O local que escolhi também não foi uma boa opção para tal momento: o pátio da escola. É um bom local sim, mas não quando se quer introduzir uma coisa nova na vida das crianças. E eu tive que competir com um jogo que faz sucesso entre elas, o totó. Adivinhem o que elas preferiram? Elas brincavam, gritavam, rolavam pelo chão... E eu ali, totalmente perdida sem saber como reagir. Simplesmente sentei no chão e comecei a leitura sozinha, em voz alta, até que vez ou outra, por pura curiosidade, se aproximavam para ouvir e participar. 
Não há como descrever minha frustração ao terminar a mediação. Achava que havia perdido o jeito para aquilo, e me senti desafiada a trabalhar duro para encanta-las com a leitura compartilhada. Exigiu autoavaliações e preparo.
Em nossa reunião semanal com os mediadores e a coordenadora, relatei o ocorrido. Alguns me deram dicas que ajudaram bastante, como em cada vez pegar apenas três crianças (diminuir a quantidade), procurar um livro com mais imagens (confesso ter dificuldade e estou trabalhando nisso, depois relato outra experiência), e tentar inovar. 
Então vi o livro "Quando isto vira aquilo" no Acervo e peguei. Basicamente, o livro é só de imagens, muito bem coloridas e chamativas. Em cada folha há um animal, e parte do animal se transforma noutro animal na página seguinte. Ao todo, são uns vinte animais. E o melhor de tudo é que esses animais são bastante conhecidos pelas crianças. Baixei o áudio referente a cada bicho no celular. Levei as crianças ao pátio de entrada e comecei o livro. 
Minha abordagem já foi diferente. Comecei me apresentando a elas, transmitindo intimidade e conhecendo-as mais profundamente. Fiz um mistério sobre o livro e comecei a contação. A cada animal as crianças queriam falar o que sabiam sobre aquilo, algumas manifestavam medo, outras diziam que adoravam, e nisso, contavam suas experiências particulares ou até mesmo inventavam algo só para ter o prazer de participar da conversa que estava tão agradável. Eu pedia que imitassem o som do animal e depois elas ouviam o som verdadeiro que encontrei no YouTube. 
Foi fantástico! Nesse dia havia muitos pais na escola sentados próximo à coordenação. Eles ficavam atônitos prestando atenção e riam, achando maravilhosa a forma como as crianças interagiam. 
Ao fim da contação queriam folhear o livro e decidir qual animal haviam gostado mais. Pedi que em grupo (para trabalhar a união, avaliação diferenciada, e harmonizar individualidade, criatividade, autonomia e relações em grupo) fizessem um desenho sintetizando o que mais gostaram. Então cada grupo desenhou animais, onde pegavam uma parte de cada animal e juntavam. Acho que se ativeram ao livro que transformava um animal no outro. Por isso digo que não devemos menosprezar a capacidade delas. Alunos de primeiro período pensaram desta forma!
Nesse dia a contação durou bastante tempo porque elas definitivamente não queriam retornar à sala. Crianças de outras turmas passavam e viam, queriam participar também. 

Eu me senti tão feliz e especial que fiquei contagiada durante vários dias. E foi pelo ótimo resultado que refleti o quanto vale à pena se desafiar e propor inovações. O quanto é importante que o mediador/ professor tenha em mente reinventar seus métodos e adequá-los à necessidade dos alunos. Acredito que todos saímos satisfeitos!
Escrito por: Monique Evelyn Pimentel Zanela

Ficha técnica
Título: Quanto isto vira aquilo
Autor: Gustavo Lins
Editora: Rocco
Ano de edição: 2008

sábado, 2 de maio de 2015

Reflexões sobre a leitura dialógica


          Pai, me conta uma história? Mas eu quero uma história de verdade, pode ser de boca ou pode ser de livro! Por favor!”. Mas meu pai sempre me contava a mesma história, vocês querem conhecê-la? Era assim:

                “Era uma vez, dois polacos e um francês,
                Que depois de uma bebedeira, foram parar no xadrez!
                Quer que eu te conte outra vez?” 

           É engraçadinha nas primeiras 50 vezes, mas depois fica um tanto frustrante. O que eu queria mesmo era uma boa história.
          À caminho da nossa primeira contação, eu e minha parceira estávamos conversando sobre nossas experiências com histórias na infância. Ou melhor sobre nossa inexperiência ou nossa “desmemória”. 
         Eis que eu não tenho nenhuma lembrança dos meus pais lendo para mim, o que é assustador, pois lembro que tinha uma pá de livros infantis! Meus pais não leram muito para minha irmã mais nova também – e eu me arrependo de não ter aproveitado essa oportunidade. Minha parceira, também compartilhou essas vivências, com a diferença que na primeira semana do projeto, ela escolheu um livro e fez uma leitura dialógica para sua irmã. <3
                                        
                                      
                                      (http://feliciafleck.com/site/wp-content/uploads/2014/01/contador_hist6.jpg)
                                                             
          Esse texto tem duas funções principais:
1)     Não ter tido vivência de contações dialógicas ou tradicionais na infância não é um impedimento para você ser um mediador de leitura. Também não é um impedimento para você ser um ótimo mediador!
2)     Não é porque a criança foi alfabetizada que a contação dialógica perde sua graça ou função. Muito pelo contrário!

Ao primeiro tópico!
É comum nos sentirmos inseguros quando vamos fazer algo novo, que nunca tivemos experiência. Muitos dos nossos mediadores entraram no projeto com pouco conhecimento da leitura dialógica, e outros ainda – como eu e minha colega – sem vivências até da contação tradicional (entenda aqui como leitura em voz alta de um livro para alguém). As primeiras semanas são de grande inquietação e insegurança, mas aos poucos descobrimos que a experiência nos ajuda, mas que não é essencial para uma boa mediação.
         Temos no nosso blog várias postagens com dicas práticas de como introduzir a leitura dialógica, convido a quem não leu dar uma visitada em postagens anteriores. Há, também, nossa revista eletrônica, feita com carinho para atender essas demandas (link da nossa revista:
         Contudo, antes de ir para as técnicas, reflexões e dicas, tenha uma coisa em mente. Para uma boa mediação de leitura é preciso alguns elementos muito importantes: duas ou mais pessoas; uma obra literária de qualquer tipo, gosto ou tamanho; vínculo e escuta.
         
      
    Para ser mediador, temos que saber ouvir. Ouvir e escutar. Na psicologia existe um conceito chamado escuta ativa, que implica compreender e responder ao que está sendo dito. De modo simples, o mediador tem que ter uma atitude aberta e empática com seus mediados. Essa postura é anterior à técnica, embora possa ser treinada e refinada por meio da experiência.


(http://images.clipartpanda.com/bedtime-clipart-bedtime-story.jpg)


Vamos então ao segundo tópico.
Infelizmente é comum que as contações de história terminem quando a criança é alfabetizada. Há prováveis motivos para isso acontecer, alguns deles estão diretamente relacionadas com uma má interpretação da leitura dialógica e suas funções.
Para muitas pessoas a única razão para se ler para uma criança é estimular um comportamento/interesse de leitura no futuro. Alguns ainda justificam dizendo que isso melhorará seu rendimento escolar – ou para se dar bem na prova do Enem! Se um pai ou educador lê para criança tendo em vista apenas esses objetivos, faz sentido pensar que a contação vai terminar assim que a criança for capaz de ler. Agora ela tem que treinar essa habilidade, se tornar expert. E se ela pedir para o adulto ler algo é por que ela está com preguiça.
Não pensemos assim! Novamente, convido aos leitores a explorarem nossas postagens, temos diversos relatos de mediadores que falam de suas experiências e frutos com a mediação. Antes de acadêmicos ou profissionais, a vivência com a leitura dialógica nos permite criar cidadãos.
A leitura dialógica permite múltiplas leituras de uma mesma obra, não existe “o que o autor quis dizer com isso?”, mas sim “isso faz sentido para vocês?” ou “o que vocês entendem com isso?”. Ela permite que saiamos do campo do óbvio e claro e acessemos interpretações que fazem mais sentido para nós e conceitos mais abstratos. Podemos viajar pela América do Sul, podemos ver uma baleia no quintal, podemos aprender a ser mais presentes e gentis com nossos amigos e nós mesmos.

Why Bedtime Stories Are So Important
  (http://blog.novakdjokovicfoundation.org/parenting-tips/why-bedtime-stories-are-so-important/)

Aos professores, vale o lembrete de que a leitura dialógica planeja ser aberta a construção de sentido e experiências do aluno, assim, é perigoso se cristalizar em uma única temática por livro. Ao mesmo tempo, uma leitura mais trabalhada permite que aprendamos de maneira mais agradável e construtiva. Para abordar cidadania ou desenvolvimento sustentável, por exemplo, não precisamos de um livro que tenha discriminado esses termos no título, em nossa experiência, esses livros até atrapalham.  Para temas assim, mas importante do que o livro, é a escuta do professor, ele deve estar atento ao que as crianças dizem e constroem acerca do tema para que possa fazer intervenções que integrem suas vivências e reflexões.
Aos pais, um pedido pessoal e íntimo, por favor, contem histórias para seus filhos, histórias de verdade, não precisam ser compridas, podem ser de boca ou de livro, mas contem! Aproveitem a leitura dialógica para conhecer mais seu filho, o que ele acredita e deseja.
Enganamos-nos quando tentamos nos convencer que antes de dormir é o único horário possível para uma contação de história, principalmente nos dias corridos, pais e crianças ficam mais de 8 horas trabalhando! A leitura dialógica exige um investimento de energia, porque exige com que estejamos presentes no momento e atentos. Se somos capazes de viver outras realidades através dos livros, tenho certeza de que somos capazes de criar novas rotinas e descobrir qual o momento mais proveitoso e prazeroso para uma leitura com nossos filhos.   

     Para os pais mediadores, fica esse convite. Afinal, talvez uma das maiores vantagens da contação dialógica seja oportunizar um momento de escuta, acolhimento e troca. É oportunidade para conhecer ainda mais seu filho e estar imerso em um ambiente de afetividade e co-criação.

      
                                                                                                               


(http://sr.photos3.fotosearch.com/bthumb/CSP/CSP992/k13853847)




Escrito por: Júlia Gisler

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O som e a escuta na mediação de leitura



Sons e(em) Cena: Mediadores  do Livros Abertos participarão de oficina para aprimorar a escuta e a produção sonora.


Qual é a qualidade de sua escuta? Como se dá a produção do som no contexto da leitura em voz alta?
Os mediadores do Projeto Livros Abertos, dando continuidade ao se processo contínuo de formação, terão a oportunidade de participar, nos dias 22 e 29 de maio, da oficina "Sons e(em) Cena", oferecida pela Professora de Artes Cênicas Suelem Soares Jobim, que irá ocorrer como parte  das ações que envolvem o lançamento do livro “Sons e(m) Cena”, do professor doutor César Lignelli, artista e docente do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB) e dos Programas de Pós-Graduação em Artes (PPG-Arte-UnB) e Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPG-CEN-UnB). A publicação, assim como a oficina oferecida,  têm como objetivo disponibilizar a atores, licenciados e professores um aprimoramento da escuta e da produção sonora, de forma acessível e multiperspectivada.

Agracecemos imensamente essa oportunidade maravilhosa de aprendizado multidisciplinar!
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domingo, 19 de janeiro de 2014

Uma dica para Ler: Paciência.

Já tem um tempo que venho recebendo reclamações de leitoras (minhas irmãs), de que há determinados livros que possuem introduções muito longas. Por tal fato, elas sentem-se no direito de abandoná-los. Eu como leitora já insisti, reclamei e argumentei, pois sei que o problemas não é com os livros, mas com elas!

Veja bem, os livros envolvidos já foram lidos por mim, e eu as encorajei a lê-los. No entanto, venho recebendo muitas reclamações, por exemplo, ``A introdução desse livro é muito longa, parece que nunca chegará ao clímax da história, que livro chato!`` Eis o problema, o livro logo é classificado como chato, só por ter uma introdução longa.
Quando leio um livro e percebo que sua introdução já passou de duzentas páginas, procuro ver se é relevante, por exemplo, verifico quantas páginas ele tem, pois para mim ter mais de duzentas páginas de introdução é aceitável caso o livro tenha umas quinhentas páginas.Outro argumento a ser levado em conta é a importância dessa introdução, se está demasiada longa, o autor sem dúvidas, a fez de propósito. Nenhum escritor(a) gostaria de ter seu livro classificado como chato e abandonado, apenas por ter uma longa introdução. O que nos leva a perceber que se avançarmos na leitura, essa longa introdução logo ganhará sentido, afinal introduções são de profunda importância nos  textos justamente para apresentar a história ao leitor, por tanto, é necessário ter paciência.

Cada escritor(a) possui sua própria linguagem e velocidade para avançar na trama de uma história, saber distinguir e aceitar essa diferença é tarefa exclusiva do leitor(a). Assim como os livros possuem essa linguagem diferente (entenda linguagem como característica singular de escrita), cada leitor(a) também interpretará um livro de maneira diferente. Às vezes dar um chance para a introdução longa significa descobrir uma história cativante ou não, outras vezes, por mais chances que tenhamos dado um livro ele não nos cativa. Nesses casos, cabe novamente ao leitor(a) escolher se continua ou se desiste do livro. A dica que sugiro já me ajudou muitas vezes a descobrir histórias fascinantes, paciência é uma virtude, sem dúvidas ajuda não só na leitura, como na vida.





Eis um dos culpados da situação:

PS: Saboreie seu livro, leia cada página conversando com ela, faça antecipações, indagações, sugestões, enfim pratique leitura dialógica consigo mesmo, faz bem pra saúde!

Sara Meneses.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Oficina de Mediação de Leitura!


Na próxima quinta-feira, dia 31 de janeiro de 2013 ao meio-dia, no auditório do Instituto de Psicologia da UnB, sala AT 141 ICC Sul, nossos mediadores vão compartilhar o método que vem sendo adaptado e praticado pelo Projeto, é o Método da Leitura dialógica. Venha conferir e experimentar essa prática envolvente e de melhor aproveitamento da leitura.

A oficina é aberta a todos os interessados e as inscrições são pelo Link: