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quinta-feira, 9 de julho de 2015

De Animais a Leitores

Olá Leitores! Leitores de blog, leitores de comentários longos do Facebook, leitores de trilogias em uma sentada só, leitores de 6 em 6 meses, leitores de panfleto de rodoviária, etc. Estive nesses últimos dias passeando pelas minhas redes sociais e me deparei com um conjunto de imagens que me fez   pensar em vocês, isso mesmo, vocês.

Esses são os nossos últimos dias de atividade do semestre e queria falar um pouco sobre reações das nossas crianças nas nossas rodinhas de leituras dialógicas. (qualquer semelhança com você, NÃO É, mera coincidência =])

Primeiro nós temos crianças vivazes. Elas quando estão conosco na leitura dialógica são cheias de fulgor e vitalidade. Elas têm energia de vasculhar os quatro cantos da página por qualquer detalhe, qualquer vírgula não percebida. Adoram perguntar mil vezes e cada vez que a gente responde geram-se mais mil perguntas. E em várias da contações se não fosse a falta de tempo, elas falariam por horas sobre todas as coisas incríveis que a história fez ela lembrar e das aventuras que elas mesmas já fizeram. É um entusiasmo contagiante.
Eu gosto como os golfinhos saltam com tanta vivacidade.

Segundo tipo de criança que chega até nossos grupos de contações são mais graciosas. No grupo elas não são sempre as primeiras as falarem, as vezes não falam nada, mas estão lá, e quando acham oportuno sempre tem um comentário sobre a beleza da obra, e de sua opinião refinada sobre um ponto de vista que para todos não era significante, ela viu quão necessária era esses detalhes sobre o conjunto da obra. Grupos com crianças encantadoras cheias de poses, que vão as belas princesas, até os malvados piratas.

Baleias saltam com tanta graça.

Terceiro grupo geralmente estão intitulados como os mais bagunceiros, porque sua leitura é de pura força. Sutilezas passam por cima da cabeça delas, e elas atacam com intensidade e poder, as personagens, os heróis, os vilões, nada está fora do alcance da sua crítica e do seu gosto. São leitores intensos que geralmente fazem a gente sair da contação exaustos e descabelados.

Já os tubarões saltam com poder.

E por último, mas não menos importante, nossas crianças que quando se deparam com o livro, com a história, elas são como foguetes, voam longe, usam todas as forças da imaginação para serem carregadas pela história, como se estivessem sempre buscando o céu, o melhor, o mais alto sentimento. Daí a gente que está do lado de fora vendo a criança, acha que ela está mais perdida do mundo, que nem está prestando atenção, e enquanto a gente que é chato ficou na terra, ela já se foi embora, para um universo muito mais possível, muito melhor.   

E temos as arraias.


E você, como tem se deixado levar pelas histórias? Comenta aí em baixo para a gente saber.



BoscoJoão ;D

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Crianças: O presente futuro e o presente bem presente

 
Imagem extraída de: http://www.educacao.al.gov.br/comunicacao/sala-de-imprensa/noticias/
2012/maio/alagoas-recebera-novo-material-didatico-para-alfabetizacao-de-criancas

Além de sentir-se humanizada e ter injeções de esperança ao estar em contato direto com as crianças no projeto Livros Abertos, as reuniões semanais de equipe são um ambiente interessante de interação do grupo e de compartilhamento de experiências, conselhos e questionamentos.

Preciso admitir que a leitura dialógica é um campo bastante desconhecido para mim, pois sempre fui contadora de histórias para ouvintes; é tudo muito novo quando as próprias crianças interpretam e montam juntas o significado da história.

No intuito de promover um ambiente livre de barreiras para o questionamento e a interação das crianças com o livro e as questões que dele advêm, a ideia do projeto oferece uma infinidade de possibilidades que a própria criança protagoniza.

Muito além da ideia tradicional de ensino, a leitura dialógica transcende padrões convencionais. De fato, nosso projeto trabalha com o ensino; o objetivo ali é ensinar apenas o que concerne à abertura de mente, ao desenvolvimento do senso crítica e à interpretação do texto, com perguntas frequentemente direcionadas pelas próprias crianças.

Reitero, então, a diferença: a criança como protagonista.

Em nossas reuniões semanais, sou instada a sair da caixinha mental de ver os pequenos como “páginas brancas” com muito a aprender. A este pensamento é acrescida a ideia de que eles também têm muito a ensinar. “Deixe a criança te guiar” e quebre todos os seus paradigmas.

Surpreendo-me com a riqueza das observações dos pequenos, que enxergam muito além do que nossas próprias ideias pré-concebidas. Daí lembramo-nos que as nossas ideias um dia não estavam ali; um dia eu era justamente como eles, livre para não descartar os pensamentos “fora do limite do razoável” que viessem a mim.

E ao abrir-me para esses pequenos e para os livros cheios de ideias fantasiosas que há muito não povoam minha mente, abro-me também para a realidade que não há futuro sem presente. E que essas crianças são hoje o que serão, são hoje o que estão se tornando. Despojo-me de qualquer ideia messiânica de ajudar, igualo-me aos pequenos e vejo que eles não são o futuro do país, mas o presente bem presente, que molda também a mim.

Deborah C. R. Ribeiro.