sexta-feira, 18 de maio de 2018

Liberdade para Voar



“Tom tem o olhar parado no tempo”. É sob a perspectiva do irmão de Tom que somos convidados a compartilhar sua história. Uma história sobre reaprender a conhecer as pessoas que nos cercam. Sobre nos tirar do centro da narrativa de todas as histórias e perceber o outro a partir das suas experiências. O irmão de Tom talvez desconheça o que o torna tão diferente de si, talvez ninguém se incomode em explicar ou talvez não saibam também. Mas Tom vive em seu próprio mundo. Isso faz com que seu irmão se sinta confuso, sem saber o que fazer, com o coração calado”.
E o coração calado do irmão de Tom faz com que o nosso se cale também. Que fique pequenininho, apertado, partido. Porque, muitas vezes, quando temos alguém diferente, especial em nossas vidas, acabamos dando maior atenção a esse alguém e esquecendo que todos são especiais ao seu modo. E acabamos ignorando que todos precisam de atenção, todos precisam compartilhar momentos e histórias. E o irmão de Tom queria compartilhar aventuras, brincadeiras, sentimentos com Tom. Mesmo sem saber como. Ao longo da história desses dois irmãos percebemos a separação que existe entre eles. Uma separação emocional, afetiva. A vida acontece e Tom parece não percebe, acredita seu irmão. Só fica parado observando pássaros voando.
Enquanto toda a família é desenhada com traços mais humanos e com cores fortes, Tom é desenhado de forma peculiar, vazio, translucido, sem cores. Seus olhos são os olhos coloridos dos pássaros que ele tanto ama observar. Enquanto o gato da família tem traços realistas, os pássaros de Tom são traçados tais como origamis, dos mais diversos e coloridos.
O irmão de Tom se pergunta como alcançá-lo, como conversar com ele, entende-lo: “Onde será que Tom guarda todos os seus sonhos?”. Até que ele acompanha o irmão em seu amor pelos pássaros e percebe que ele tem sim uma vida própria, brincadeiras e sentimentos e isso acalenta seu coração. Só então, ele sente o som que vem do seu peito. Como se o mundo agora fizesse sentido e fosse possível sorrir e senti-lo.
É muito difícil quando temos que sair da nossa zona de conforto e nos aventurar nas experiências alheias. E aos nossos olhos, essas experiencias, por vezes, parecem confusas, sem significado, sem importância. Quando conseguimos diminuir os sons dos desconfortos que ecoam em nossas cabeças, conseguimos aproveitar as oportunidades de reaprender a enxergar o outro e, com isso, nos redescobrir também. Redescobrir nossos limites e potenciais, nossos sonhos. E você? Onde você guarda os seus sonhos? Já pensou em redescobri-los hoje?

Ficha técnica
Tom
Escritor: André Neves
Ilustrador: André Neves
Editora: Projeto
Ano de edição: 2012

Postagem escrita por Raphaella Christine Souza Caldas.

Um comentário:

sandra rocha disse...

Gostei!
A leitura me instigou muito a curiosidade de ler o Livro��
Obrigada Rafhaella