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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Sobre retalhos, histórias e afeto

Minha mãe não me deu meu nome, Alice, assim, sem mais nem menos. Criou-me só, e em nosso País, as Maravilhas eram as Histórias que eu encontrava em cada canto de nosso pequeno apartamento. Mamei ouvindo cantigas misteriosas sobre um lugar chamado Roça e um Papão que rondava, mas minha mãe estava ali, bem do meu ladinho, ainda bem. Engatinhei rodeando pilhas de livros e revistas e um dia descobri que tinha força para derrubar aquelas torres cambaleantes, que se esparramavam em um fascinante leque arco-íris.

Ilustração de John Tenniel

Todas as noites, um ritual: a colcha de retalhos, que eu queria comigo, mesmo quando fazia calor. No começo era a voz. Ritmo que acalenta, música das músicas, histórias sem palavras. Ao longo dos anos, a música foi ganhando letra: bruxas, fadas, dragões, navios em viagens perigosas. Espelhos mágicos, pássaros falantes, palácios de açúcar. Macacos espertos, onças egoístas, amores impossíveis. O caminho que dá medo, a ajuda de quem menos esperamos, a coragem de continuar.

Um dia, fiz minha primeira aventura solo pela floresta densa que circundava nosso mundo. Tinha medo, claro, das bruxas e dos ogros que poderiam estar à espreita, mas também tinha a pedra mágica que minha mãe havia me dado, para o caso de eu precisar. Por isso não chorei quando, com uma mão segura pela cuidadora da creche e a outra envolvendo firmemente meu talismã, vi minha mãe se afastando e olhando para trás de vez em quando, com um sorriso encorajador que hoje não sei se era só para mim ou também para ela.

O tempo passou, da creche passei a ir à escola. Os dias passavam depressa no redemoinho de cadernos, areia, lápis de cor, as letras da cartilha, bola de meia e amarelinha. Fiz muitos amigos, mas não ouvi muitas histórias. O recreio era curto, nossas fantasias não cabiam nele, quando nosso mundo estava ficando bom, tocava o sinal e voltávamos para um deserto. Palavras sedentas nos imploravam pela água do sentido, mas só nos era permitido repetir seu nome, e elas secavam até morrer.

Minha mãe chegava para me buscar com o olhar um pouco perdido, me abraçava cansada e íamos para casa fazer a janta e preparar tudo para o dia seguinte. Eu ainda era pequena, mas ajudava em tudo que minha idade permitisse para terminarmos logo as tarefas e podermos, juntas, continuar lendo “nosso livro”. Líamos juntas um conto indígena, um mito grego ou uma lenda africana. Poemas, crônicas, um capítulo de algum romance “ainda muito difícil para você” (mas eu não me importava, achava até bom sentir que não entendia tudo, que leituras e releituras me revelariam novos segredos).

Mas nossas mil e uma noites não estavam salvando minha mãe dos monstros do dia-a-dia. Cada noite, via seu olhar mais velado, mais cansado. De um capítulo, passamos para algumas páginas, de algumas páginas a algumas linhas. Até que uma noite, minha mãe adormeceu no sofá antes de nossa sessão de histórias. Cobri-a com minha velha colcha e abracei-a com força, cantando baixinho uma de nossas cantigas. Contei-lhe uma história que começava num lugar encantado, sobre uma rainha que criava uma filha só, entrelaçando histórias em seus cabelos, dando-lhe forças para enfrentar o mundo. Um leve sorriso se desenhou em seus lábios. Murmurou algo que não entendi bem, sem acordar, mas parecendo mais tranquila. Ajeitei sua colcha, dei-lhe um beijo na testa e fui dormir. 

Para todas as mães e filhas contadoras de histórias.


Escrito por Eileen Pfeiffer

quarta-feira, 22 de março de 2017

O Acervo Indica: Os Novos Clássicos I

Livros que em breve serão clássicos no Brasil.
Fizemos uma seleção de novidades e de livros que chegaram há pouco tempo nas estantes das bibliotecas do Brasil.

1) Contos de Lugares Distantes de Shaun Tan


http://www.crimepays.com/Sunday_Afternoon_Shaun_Tan.jpg

Shaun Tan é um autor desbravador, dotado de muitos talentos. É capaz de mover grandes porções de afetos de maneira sutil, mas poderoso como o movimento tectônico.

Ele mergulha no fantástico e faz respigar e refrescar quem está ao seu redor. Exatamente como uma criança faz no verão, quando salta como uma granada na piscina da avó.

Esse livro parece ser um diário do escritor em suas viagens, uma grande colcha de retalhos com reflexões e aventuras, cada destino tem suas próprias cores e estilo. Lembra uma coleção de postais ou um scrapbook feito com carinho e pensado em cada detalhe. 


Se a curiosidade já te encontrou, leia sobre alguns dos contos fantásticos que você vai encontrar nesse livro:

Ficha técnica do livro
Contos de lugares distantes
Autor e ilustrador : Shaun Tan
Tradução: Érico Assis
Editora: Cosacnaify
Ano: 2013

2) Extraordinário de R. J. Palacios

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Não só crianças e adolescentes têm de ler, mas todos, todos mesmo! Se você é um ser humano sobre a terra, faça o favor de ler! 

É uma questão de se sensibilizar com o outro, com as diferenças, com a singularidade de cada um. A linguagem é gostosa, o livro é bem escrito. É contagiante! 

Não faltaram afeto, exclamações e superlativos para fazer a indicação desse livro, que nos instiga a ser o seu melhor para o outro. Muitos mediadores já falaram que este é um livro que vai ler para suas crianças!

P.S.: Vocês sabiam que a escritora de Extraordinário é uma brasileira?

Ficha Técnica
Título: Extraordinário
Autor: R. J. Palacios
Editora: Intrinseca


3) A história de Júlia e sua sombra de menino de 

Christian Bruel, Anne Galland e Anne Bozellec

https://static.wixstatic.com/media

Muit@s d@s mediador@s de nosso projeto se emudecem diante desta obra. Eu me vejo juntando-me ao coro do silêncio que contempla uma obra tão magnífica e sensível. Muitas histórias se encontram na história de Júlia e acredito que seja esse processo de identificação que torna esta obra tão magistral.

Levante da cadeira agora aquele que alguma vez foi impedido de brincar de algo porque era apenas para meninos; aquele foi impedido de usar uma roupa ou uma cor, porque rosa e saia são vetados para rapazes. Aquele que já foi foi calado pelos pais, aquele que já foi devastado pela dor de não atender as expectativas de familiares.

E se algum de vocês leitores, ainda está sentado, tenho certeza que você ainda vai se emocionar com as história dessa menina atormentada pela própria sombra.

Confira sem demora nossas dicas de mediação: https://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2016/06/29/A-Hist%C3%B3ria-de-J%C3%BAlia-e-sua-Sombra-de-Menino-Christian-Bruel-Anne-Galland-e-Anne-Bozellec

Ficha Técnica
Título: A história de Júlia e sua sombra de menino
Autores: Christian Bruel e Anne Galland 
Ilustradora: Anne Bozellec
Editora: Sipcione
Ano: 2015

4) O livro de todas as coisas Guus Kuijer

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Este livro já passou por aqui em uma edição especial do Acervo Indica. Ele começa de forma metalinguística. Thomas já adulto, bate a porta do autor e fala que gostaria de contar sua história.

Como o nome sugere, trata-se de um livro que aborda todas as coisas do mundo! Como isso? Ora, em uma vida vemos todo o tipo de coisa, e isso é verdade para sobre infância de Thomas, que não foi feliz. Neste livro, a realidade e a imaginação se misturam, afinal Thomas era capaz de ver coisas que ninguém mais via. Ele também questionava o que ninguém questionava: por que o mundo dos adultos é tão confuso? Por que há tantas incoerências e desencontros entre o falar e o agir?

É impossível não se inquietar com os sonhos e os pesadelos que Thomas teve que enfrentar. A narrativa de Guus é familiar e saborosa, parece mesmo que foi feita à frente da lareira junto com Thomas. É um livro tão surpreendente e tão rico, que hoje encontrei vinte e um reais quando o abri. Hahaha!


Ficha Técnica
Título: O livro de todas as coisas
Autor: Guus Kuijer
Tradutora: Mirella Traversin Martino
Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2011

Já tiveram oportunidade de conhecer essas obras?
Voltaremos com outras dicas de livros semana que vem,
Nos vemos lá.
Com carinho,
Eileen, Tanize, Monique e Júlia

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Acervo Indica: Clássicos II

Continuamos nossa maratona pelos livros favoritos de nosso Projeto! Ansiosos pelas nossas dicas de leitura?


5) Bolsa Amarela de Lygia Bojunga

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Sabe aquelas três vontades secretas que provavelmente toda criança já teve? Se você não teve vai conhecer e vai se identificar. Em Bolsa Amarela, você conhece uma criança que tem certas vontades, que falam diretamente com você. Algumas você vai inevitavelmente realizar com o tempo, outras apenas se você perseverar. 

O grande dilema é o que fazer quando as vontades vão crescendo devagarinho e tomando todo o espaço a sua volta e te sufocando de tanta ansiedade, que é difícil conter. Do que você precisa para esconder um amigo brigão? Para enfiar aquelas histórias incríveis que não dá pra não contar pra todo mundo? Você precisa de algo grande, você precisa de algo bonito, Você precisa de uma bolsa amarela. Eu queria ter tido uma, ajudaria bastante a aliviar a tensão de ficar escondendo minhas vontades. Pouparia minhas pernas de todas as vezes que tive que sair correndo porque uma vontade estava crescendo e eu não podia deixa-la sair ali onde eu estava. Ah, como eu queria uma bolsa amarela...!

Ficou curioso (a)? Venha conhecer mais sobre essa obra de Lygia É uma das postagens mais populares em nosso blog, diga-se de passagem, acho que no fundo, todos gostaríamos de uma bolsa assim.
http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2015/11/a-bolsa-amarela-de-lygia-bojunga.html

Título: A Bolsa Amarela
Autora: Lygia Bojunga Nunes
Ilustradora: Marie Louise Nery
Edição: 35a (Primeira Edição em 1976)
Editora: Casa Lygia Bojunga (Rio de Janeiro)

6) Pipa Meialonga de Astrid Lindgren




Essa garotinha de tranças ruivas e sardinhas não pode faltar no universo literário das crianças. Criada por Astrid Lindgren em 1945, é considerada uma das personagens-meninas mais empoderadoras da literatura infanto-juvenil. Acontece que Pippi é a menina mais forte do mundo e enfrenta sem temor todo tipo de bullies, desde o bando de valentões que atormenta a vida de um menino, na razão de cinco para um até ladrões que entram em sua casa achando que será crime fácil, pelo fato de Pippi morar sozinha (sua mãe é um anjo no céu e seu pai é capitão dos sete mares). Mas Pippi se vira muito bem, do jeito dela, que é sempre o jeito mais divertido do mundo. Faz panquecas jogando ovos para o alto e, quando um deles cai em sua cabeça e se quebra, explica que há países distantes em que todo mundo faz assim, afinal, por que não? Inventora suprema de brincadeiras, inverte expectativas e cria mil aventuras maravilhosas. Como dizem seus (muito certinhos e tímidos) amigos e vizinhos Tom e Aninha, "Com Pippi, nunca dá para saber". Simplesmente imperdível!

Em breve, teremos uma matéria um pouco mais longa sobre a Pippi, enquanto isso, por que não procurá-la na biblioteca? Não vai se arrepender! :)


Ficha Técnica: 
Título: Pippi Meialonga
Autora: Astrid Lindgren
Ilustrações: Lauren Child
Tradução do sueco: Maria de Macedo
Editora: Astrid Lindgren
Ano: 2008 (publicado pela primeira vez na Suécia em 1945).


7) Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley


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Essa obra prima simplesmente não pode faltar na prateleira de adolescentes (e nem na dos pais). De uma riqueza estonteante, puxa para mil temas que instigam toda e toda(o) jovem, como os limites ou não da ciência, a paixão por saber sempre mais, a relação pais e filhos, a responsabilidade eterna por aquilo que criamos... Perguntas que jovens irão querer debater fluem muito naturalmente da leitura desta história, como "O que é de nossa natureza e o que é criação?" "Até que ponto a maldade é fruto da incompreensão dos demais?" "Estamos mais próximos de realizar o que Mary Shelley imaginou?". Se, como apontava Jean Piaget, adolescentes são filósofa(o)s apaixonada(o)s, nem por isso deixarão de simplesmente curtir o suspense e a emoção desta história maravilhosa.

Em uma próxima postagem, falaremos um pouco mais das razões pelas quais essa obra tem tanto apelo para jovens e também sobre o assunto da relação criador-criatura/pai-filho e sua centralidade na obra. Abraços monstruosos!


Ficha Técnica
Frankenstein ou o Prometeu Moderno
Autora: Mary Shelley
Foi editado muitas vezes, confira algumas editoras: Hedra, Penguin Companhia, Martin Claret.


8) Meu pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos
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Para todos que já leram este clássico sabem que ele mexe profundamente, aos que pretendem ainda ler fica o aviso: lembre dos lencinhos!

Uma árvore confidente marca a infância de uma criança que carrega simultaneamente em sua alma diferentes cores. As cores eletrizantes e contagiantes, típicas do mais jovens, se revezam com os tons pastéis e sóbrios, comuns há aqueles que são antigos no espírito.

No inicio dessa semana fizemos uma matéria só para este clássico, se você ainda não leu, confira sem demora! >> http://livrosabertosaquitodoscontam.blogspot.com.br/2017/03/meu-pe-de-laranja-lima-de-jose-mauro-de.html

Ficha técnica
Meu pé de laranja lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos


O Acervo Indica volta semana que vem, 
com a lista de livros que serão os novos clássicos.
Escrito, com carinho, por: Sara, Eileen e Rafaella Christina. 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos


“Mas faltava qualquer coisa. Qualquer coisa importante que me fizesse voltar a ser o mesmo, talvez a acreditar nas pessoas, na bondade delas”. (Página 91)

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Basta apenas essa pequena frase para compreender um pouco da vida de Zezé, um garoto com um coração muito mais velho do que os seus cinco anos poderiam dar conta. Ter acesso à história desse garoto é entrar em um mundo de criatividade, de beleza, inocência... e ver esse mundo ser destruído em apenas 124 páginas.




Quem busca uma história tranquila, repleta de belas narrativas sobre a beleza da vida, a pureza da luz do sol e dos delicados arco-íris, ao se deixar atrair pelo título poético da obra de José Mauro de Vasconcelos, acaba percebendo que o sol nem sempre é para todos. Escrito em 1968, tendo sido traduzido para 52 línguas e adaptado para o cinema, a obra Meu pé de laranja lima abusa do realismo ao retratar a vida de milhares de crianças no nosso país e pelo mundo afora que não podem vivenciar plenamente a experiência de ser criança devido à pobreza, econômica e de espírito.

Zezé tem um passarinho dentro de si, um passarinho que canta, que cria, que ilumina uma vida cinza. Seu pensamento, simbolicamente representado pelo passarinho, voa livre, até que se concretiza na figura de uma árvore, um pé de laranja lima. Zezé não tem amigos a quem possa contar suas dúvidas, seus sonhos. E aquele pequeno pé de laranja lima, o Minguinho, assume, temporariamente, o lugar de instigador, de provocador, de incentivador.

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A história de José Mauro não te deixa vivenciá-la apenas enquanto uma história fictícia, ela te arrasta para uma reflexão acerca de um mundo acinzentado, o mundo que nos cerca, que nos prende quando deveria nos libertar. Um lugar que não permite que uma criança seja brincalhona, espertinha e traquina, ou seja, apenas uma criança. E por mais que a história possa parecer distante da nossa realidade, ela está ocorrendo agora mesmo, ao nosso redor, cada vez que nos exasperamos com uma pergunta “sem sentido” de uma criança, cada vez que dizemos que só há uma maneira certa de aprender, de brincar, de sentir, de se comportar.

Se há uma lição maior, dentre as tantas lições possíveis, que podemos tirar do livro Meu pé de laranja lima é a mudança de perspectiva sobre como lidar com as nossas crianças. Percebendo a importância de dar-lhes voz, atenção, direitos, permitir que sejam... crianças. Da forma como elas desejarem ser.


Escrito por: Raphaella 

Ficha técnica
Meu pé de laranja lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O Acervo Indica: 8a Edição

Olá Pessoal!
Mais um “Acervo Indica” na área para mandar umas indicações super iradas pra animar a sua, a minha, a nossa TV...não, nossa semana!
Cadê - Graça Lima

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Um menino e sua mamãe brincando de pique esconde, mas como encontrar uma criança tão criativa que se esconde atrás de um urso polar (que na verdade é a geladeira) e de um rinoceronte que é o sofá e outros bichos que a imaginação do menino permite. A criatividade infantil é trabalhada, além da visibilidade da criança negra em um personagem literário.

Ficha:
Cadê?
Autora: Graça Lima
Editora Nova Fronteira

Feita de Pano - Valéria Belém

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Uma menina vai costurando uma colcha de retalho, junto vai se costurando, a cada novo acontecimento. Com uma leitura ritmada, sonoramente gostosa, a gente pode trabalhar palavras novas, a arte e a importância da costura ao longo dos séculos, o uso da colcha e como a vida e seus acontecimentos tendem a uma grande colcha de retalhos. Com uma ilustração seguindo o estilo de cordel, é um resgate da cultura nordestina.

Ficha:
Feita de pano
Autora: Valeria Belém
Editora Companhia Nacional


Não existe dor gostosa - Ricardo Azevedo

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Pequenos poemas sobre doenças que as pessoas tem ao longo da vida. Falando sobre como o doente fica pra baixo e desanimado, explicando o porque as pessoas ficam doentes. As doenças são sumarizadas e é possível trabalhar uma doença ou mais por contação.

“Frieira, alergia, dor  cabeça, asma, bronquite e outras ites, catapora, resfriado, galo, dor de garganta, dor de barriga e até pum - quem nunca teve uma dessas chateações? Não existe dor gostosa, diz Ricardo Azevedo, mas existe um jeito de encarar as doenças, dores e fricotes do corpo com alto-astral e bom humor. Nestes poemas, o autor busca mostrar o lado divertido dos males que de vez em quando atacam a gente. E mostra que, no final das contas, a poesia é um santo remédio, sem contra indicações nem efeitos colaterais”.

Ficha:
Não existe dor gostosa
Autor: Ricardo Azevedo
Ilustradora: Mariana Massarani
Editora Companhia das letrinhas.

E por hoje é só, pessoal.
Espero que tenham gostado das indicações de hoje.
Até a semana que vem!
Beijos mediadores,

Nagy.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Acervo Indica: 7a Edição

Oi pessoal,
Todo mundo bem? Preparados pra mais um “Acervo indica”? Os livros de hoje falam sobre a amizade, o amor entre amigos e todas as alegrias e dificuldades de uma amizade. <3
Vamos as indicações?

Meu amigo Jim - Kitty Crowther

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Dois pássaros diferentes, uma amizade que começou delicadamente por serem de mundos diferentes. Mas essa amizade causa desconforto em outros pássaros e Jim e Jack buscam encontrar uma solução.

“A sexualidade, a discriminação, o valor da amizade, a resistência em não abandonar aquilo em que se acredita e, de quebra, a importância do hábito da leitura, são apenas alguns dos temas tocados…”

Meu amigo Jim é um livro com lindas ilustrações, mas com uma história mais linda ainda.

Ficha:
Meu amigo Jim
Autora: Kitty Crowther
Editoria Cosac Naify

Vizinho, Vizinha - Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello

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Quantos de nós vivemos em apartamentos hoje? Quantos não tem, com frequência, um diálogo longo com as pessoas da nossa casa? E os vizinhos, nem sabemos o nome direito? Vizinho, Vizinha é um livro sobre as pessoas que moram na casa ao lado. Como elas são? O que elas fazem? Será que são interessantes?

Você já se pegou pensando em como é o seu vizinho? E se ele for uma pessoa legal e você está perdendo uma oportunidade incrível de conhecer alguém? Quem sabe, assim como nesse livro, você não tem uma grata e amorosa surpresa? Muitas perguntas para um livro só, né?!

Ficha:
Vizinho, Vizinha
Autor: Roger Mello
Ilustradoras: Graça Lima, Mariana Massarani
Editora Companhia das Letrinhas

Você e eu - Maggie Maino
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“Você e eu, sempre juntos,
sempre prontos.
Uma amizade que nos transforma
e nos torna… espetaculares”

A amizade entre uma mulher e seu gato, vivendo diversas aventuras e emoções com muito amor e cuidado entre eles. As ilustrações são delicadas, lindas e leves e o livro, curtinho, mas isso não torna ele menos interessante por isso. Muito amor em cada página.

Ficha:
Você e eu
Autora: Maggie Maino
Editora Livros da Matriz

Trudi e Kiki - Eva Furnari

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Duas garotas parecidas fisicamente, mas diferentes na essência: uma é bruxa e a outra, não! Seus caminhos se cruzam durante uma festa de dia das bruxas e são trocadas, sem querer, pelas mães e se veem em uma nova casa e em uma nova vida! Elas precisam enfrentar as dificuldades que surgem com o desconhecido e acabam se divertindo muito em outros momentos. E tamanha confusão desenvolve um relacionamento afetivo lindo, tornando as meninas e suas famílias (grandes) amigas.
O livro permite trabalhar o novo, o desconhecido, mas também a importância da família. Conhecer novas pessoas pode ser bom e uma nova cultura também. As ilustrações são uma graça, toda divertida.

Ficha:
Trudi e Kiki
Autora: Eva Furnari
Editora Moderna

Gostaram das indicações de hoje? Que tal compartilhar com um amigo pra mostrar que se lembrou dele hoje? Semana que vem tem mais indicação, aguardamos vocês!
Beijos Mediadores,
Nagy.

domingo, 15 de novembro de 2015

A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga.

Vencedora do Hans Christian Andersen em 1982 - um ano após o lançamento de Bolsa Amarela, sua Magnum Opus -, Lygia Bojunga Nunes ganhou o público infantil com suas histórias que respeitam a inteligência das crianças. Ao retratar a visão da infantil de forma não estereotipada, a autora me conquistou com este livro que comentaremos agora.



Narrada em primeira pessoa, a história é contada na a ótica de uma menina de sete a oito anos, a Raquel. Com uma linguagem que parece falar à alma, o texto nos reaproxima da infância e nos faz relembrar como, muitas vezes, os sonhos, anseios e  as opiniões das crianças são ridicularizados. Raquel é criativa, engraçada e cheia de idéias e histórias para contar.Ela pensa muito, mas muito mesmo, sobre a barreira entre adultos e crianças e nos leva questioná-la também, já que nos convence de que adultos e crianças são iguais. Só criança faz pirraça? Só adulto tem deveres e segue regras? Não? Então por que crianças são tratadas como se fossem menos inteligentes e adultos como seres superiores? Lendo o livro, a primeira revelação é ver a vida pelos olhos de uma criança. Infelizmente, em nossa cultura, tratamos crianças como seres com menos inteligência, como se elas não fossem capazes de refletir ou sequer notar o mundo a sua volta. 
Ainda tenho memórias frescas da infância, algumas inclusive em que agi de formas consideradas próprias de crianças "malcriadas",enfrentando adultos e consequentemente sendo chamada de  "menina atrevida", "petulante", "folgada",  "espertinha, dentre outros adjetivos usados por quem se acha superior em um diálogo. Mesmo assim, infelizmente, eu repito esse erro como se fosse natural. A questão faz recordar um viídeo "viral" da internet de uma menina que demonstra bem que crianças sabem sim o que acontece em sua volta, e que elas expressam isso à própria maneira, com muita perspicácia e sensibilidade.




Raquel, muito mais nova que os demais irmãos e sempre sendo silenciada por eles, sente-se só. Descobre então que, por meio da escrita, ela pode ser quem quer, fazer o que bem entender, ter quantos amigos puder, despejando no papel todas as suas vontades, a de ser "grande" , a de ser menino, a de ter amigos. Mas mesmo sua escrita desperta desconfiança nos irmãos mais velhos, cujo primeiro movimento é sempre o de duvidar da palavra da caçula. Assim, até para escrever cartas inventadas de amigos inventados para si mesma, Raquel é obrigada a elaborar intrincados planos para escapar do olhar sempre vigilante dos adultos. É a bolsa amarela, um objeto rejeitado pelos adultos de um pacote enviado por uma tia, que vai permitir que Raquel guarde e viva suas vontades, seus sonhos, suas histórias... 

Uma reflexão que Raquel se faz e que acabamos nos fazendo também ao viver suas aventuras é acerca da obsessão que nossa cultura possui por divisão de gênero. Oras, por que menina não pode soltar pipa, jogar bola, ralar os joelhos? Por que diabos usar rosa ou gostar de boneca é propriedade feminina? É só uma cor, um brinquedo, uma brincadeira. Embora a obra tenha sido escrita na década de 1970, tais questionamentos continuam, infelizmente, muito 
A obra nos mostra ser possível abordar quase qualquer questão com as crianças e nos lembra que fazíamos sim esses tipos de questionamentos, assim como nossos filhos também nos colocam tantas vezes contra a parede com perguntas que nem sempre sabemos como responder. 
Num trecho, Raquel se questiona sobre seu nascimento, que ela sabe, através das irmãs, não ter sido planejado. Isso a faz sentir-se, às vezes, como se estivesse "sobrando" na família. Questiona-se, consequentemente, sobre a escolha de ser mãe:
"Um dia perguntei para elas: Por que é que a mamãe não tinha mais condição de ter filhos? Elas falaram que a minha mãe trabalhava demais, já tava cansada e que também a gente não tinha dinheiro para educar direito três filhos, quanto mais quatro. Fiquei pensando: mas se ela não queria mais filhos porque é que eu nasci? Pensei nisso demais, sabe? E acabei achando que a gente só devia nascer quando a mãe da gente quer ver a gente nascendo."
Já no diálogo abaixo, Raquel questiona o conceito de "chefe da casa" :
"- Quem é que resolve as coisas? Quem é o chefe?
- Chefe?
- É, o chefe da casa. Quem é? Teu pai ou teu avô?
- Mas para que precisa de chefe?
-Para resolver os troços, ué; para resolver o que é que cada um vai estudar.
-Cada um estuda o que gosta mais. Tem livro aí, a gente escolhe o que quer.(...)
- Não tem sempre uma porção de coisas para resolver? Quem é que resolve?
- Nós quatro. (...)
- Mas pode?
- Por que é que não pode?"
Diversas outras reflexões na perspectiva de Raquel nos fazem pensar:  As opiniões dos pequenos precisam ser reprimidas, constantemente negadas ou moldadas? Tentar coagir ou censurá-las para que suas opiniões coincidam com as nossas funciona? Penso que tratar crianças como se elas não pensassem ou como se nós adultos fôssemos "a fonte de conhecimento" é apenas uma armadilha para nós mesmos.

Espero que tenham gostado da resenha. Se tiverem indicações de algum outro livro da autora de que tenham gostado ou de outras obras relacionadas, ou se já leram Bolsa Amarela e gostaram ou não, escrevam nos comentários! O feedback de vocês é muito importante para os resenhistas e mediadores do blog.


Autora: Amanda Barros

Considerações finais:
Agradeço ao blog Leitura no Varal  por  divulgar uma de nossas postagens. Continuem nos acompanhando e esperamos continuar agradando. A literatura infantil precisa de visibilidade.

Ficha Técnica:

Título: A Bolsa Amarela
Autora: Lygia Bojunga Nunes

Ilustradora: Marie Louise Nery

Edição: 35a (Primeira Edição em 1976).
Editora: Casa Lygia Bojunga (Rio de Janeiro).


Referências: 
WIKIPÉDIA BRASIL. Artigo Lygia Bojunga. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Bojunga> 31/10/2015; 11h18.(acesso)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

As grandes aventuras da minha vida

     Todos temos livros favoritos, mesmo aqueles que não gostam muito de ler (eu realmente não consigo entender essas pessoas), devem ter um xodózinho a que recorrem de vez em quando. Pois bem, eu também tenho as minhas preferências, mas é impossível classificar os livros de que mais gosto, porque, ao meu ver, seria uma grande injustiça com os outros livros. 

       Portanto, que fique bem claro que não irei fazer uma lista dos meus dez livros favoritos (são bem mais que dez). Os títulos citados neste post não passam de uma escolha aleatória puxada pela memória, que por vezes até falha. 
        Um dos livros com que eu tenho um sério caso de amor há muitos anos é a saga de Harry Potter. Li o primeiro livro quando tinha oito anos, e a partir daí, devorei todos os outros. Claro que, como leitura assídua que sou dessa história, não deixei de ficar um tanto decepcionada com a versão feita para o cinema. Na minha opinião, os personagens de HP do livro são uns, e os personagens do filme, são outros, bem diferentes. Quem gosta desta série tanto quanto eu, irá entender do que eu estou falando!
http://pizzadeontem.com.br/2013/07/liberadas-capas-de-harry-potter-jamais-vistas-antes
     Mas, cá entre nós, eu sempre tive uma queda por histórias fantásticas com criaturas estranhas e um mundo novo e desconhecido, onde tudo pode acontecer. Não é por acaso que "Alice no País das Maravilhas", "O Pequeno Príncipe", "Peter Pan", a trilogia do "Senhor dos Anéis", também estão entre os meus livros favoritos. E mais recentemente, também entrou pra esta modesta lista, a trilogia "Jogos vorazes", e "Star Dust - O mistério da estrela". 
http://desenhosdahora.com.br/peter-pan/

      Acho que o maior motivo de eu gostar tanto dessas historias é porque elas me fazem viver, nem que seja por pouco tempo, em um mundo totalmente diferente do qual vivemos. Um mundo com outras regras, com outros problemas, um mundo cheio de possibilidades. Por me fazerem conhecer lugares novos, criaturas mágicas, e por me fazerem viver aquelas aventuras singulares que cada história trás consigo. Por me fazerem interagir com dragões, bruxos, princesas, elfos, e todo o tipo de personagem que é possível se imaginar. Por isso gosto tanto destes livros.

     Mas, pensando bem, qual história, seja ela fantástica ou não, não te pega pela mão e te convida a viver uma aventura? 
     Se me perguntarem se já vivi alguma grande aventura na minha vida, a resposta será:

"Várias, claro! Você nunca esteve em Hogwarts?"


Paula Calazães. 

sábado, 12 de setembro de 2015

Ler e contar


 Desde bem pequena tive contato com livros. Eles não eram os mais adequados para minha idade, mas eram os disponíveis. Minha mãe professora, nossa casa sempre acabava como uma mini biblioteca. Os livros que lia, ou partes deles, eram os que usávamos na escola, alguns de séries até a frente, outros não. Quando visitava minha prima na cidade, ela compartilhava os gibis, A Turma Da Mônica, o que me deixava muito feliz, mesmo que não conseguisse terminar toda a história.

O tempo foi passando e a minha maneira de ler foi tomando diferentes formas. Revistas de beleza, jornais, romances, e até prefácios e apresentações de livros, quanto a esses, hoje já entendo melhor porque gostava de lê-los...


Um clássico de que gosto muito é o Pequeno Príncipe de Antonie de Saint-Exupéry, ele é mesmo escrito com aquarelas do autor. Sei que posso reler várias vezes e ainda assim tirar novas lições.



Hoje, a realidade  das crianças com que convivo é outra, mais bonita, colorida, etc.  E eu amo ver o rostinho deles enquanto escutam. Eles acertam, perguntam, contam junto a história contada e outras criadas. Quero poder contar histórias por muito tempo e ajudar a fazer parte dessas novas histórias.




Ficha técnica

Título: O Pequeno Príncipe

Autor: Antoinie de Saint-Exupéry

Editora: L&PM POCKET

Ano: 2015

Tradução: Ivone C. Benedetti

Com muito carinho: Rosileide Santos