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terça-feira, 4 de abril de 2017

Conversando sobre: Crianças e leitura


Convidamos todos a participarem conosco da palestra da queridíssima Profa. Dra. Eileen Pfeiffer Flores dia 06/04 (quinta) as 09:00 no auditório do bloco M na UCB (Universidade Católica de Brasília). Ela vai debater um pouco sobre nossas duas paixões: crianças e leitura. Não percam, a palestra é gratuita e aberta ao público!

quarta-feira, 22 de março de 2017

O Acervo Indica: Os Novos Clássicos I

Livros que em breve serão clássicos no Brasil.
Fizemos uma seleção de novidades e de livros que chegaram há pouco tempo nas estantes das bibliotecas do Brasil.

1) Contos de Lugares Distantes de Shaun Tan


http://www.crimepays.com/Sunday_Afternoon_Shaun_Tan.jpg

Shaun Tan é um autor desbravador, dotado de muitos talentos. É capaz de mover grandes porções de afetos de maneira sutil, mas poderoso como o movimento tectônico.

Ele mergulha no fantástico e faz respigar e refrescar quem está ao seu redor. Exatamente como uma criança faz no verão, quando salta como uma granada na piscina da avó.

Esse livro parece ser um diário do escritor em suas viagens, uma grande colcha de retalhos com reflexões e aventuras, cada destino tem suas próprias cores e estilo. Lembra uma coleção de postais ou um scrapbook feito com carinho e pensado em cada detalhe. 


Se a curiosidade já te encontrou, leia sobre alguns dos contos fantásticos que você vai encontrar nesse livro:

Ficha técnica do livro
Contos de lugares distantes
Autor e ilustrador : Shaun Tan
Tradução: Érico Assis
Editora: Cosacnaify
Ano: 2013

2) Extraordinário de R. J. Palacios

http://www.bloguito.com.br/wp-content/uploads/2014/12/layout_facebook_141216_2.jpg


Não só crianças e adolescentes têm de ler, mas todos, todos mesmo! Se você é um ser humano sobre a terra, faça o favor de ler! 

É uma questão de se sensibilizar com o outro, com as diferenças, com a singularidade de cada um. A linguagem é gostosa, o livro é bem escrito. É contagiante! 

Não faltaram afeto, exclamações e superlativos para fazer a indicação desse livro, que nos instiga a ser o seu melhor para o outro. Muitos mediadores já falaram que este é um livro que vai ler para suas crianças!

P.S.: Vocês sabiam que a escritora de Extraordinário é uma brasileira?

Ficha Técnica
Título: Extraordinário
Autor: R. J. Palacios
Editora: Intrinseca


3) A história de Júlia e sua sombra de menino de 

Christian Bruel, Anne Galland e Anne Bozellec

https://static.wixstatic.com/media

Muit@s d@s mediador@s de nosso projeto se emudecem diante desta obra. Eu me vejo juntando-me ao coro do silêncio que contempla uma obra tão magnífica e sensível. Muitas histórias se encontram na história de Júlia e acredito que seja esse processo de identificação que torna esta obra tão magistral.

Levante da cadeira agora aquele que alguma vez foi impedido de brincar de algo porque era apenas para meninos; aquele foi impedido de usar uma roupa ou uma cor, porque rosa e saia são vetados para rapazes. Aquele que já foi foi calado pelos pais, aquele que já foi devastado pela dor de não atender as expectativas de familiares.

E se algum de vocês leitores, ainda está sentado, tenho certeza que você ainda vai se emocionar com as história dessa menina atormentada pela própria sombra.

Confira sem demora nossas dicas de mediação: https://www.revistalivrosabertos.org/single-post/2016/06/29/A-Hist%C3%B3ria-de-J%C3%BAlia-e-sua-Sombra-de-Menino-Christian-Bruel-Anne-Galland-e-Anne-Bozellec

Ficha Técnica
Título: A história de Júlia e sua sombra de menino
Autores: Christian Bruel e Anne Galland 
Ilustradora: Anne Bozellec
Editora: Sipcione
Ano: 2015

4) O livro de todas as coisas Guus Kuijer

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Este livro já passou por aqui em uma edição especial do Acervo Indica. Ele começa de forma metalinguística. Thomas já adulto, bate a porta do autor e fala que gostaria de contar sua história.

Como o nome sugere, trata-se de um livro que aborda todas as coisas do mundo! Como isso? Ora, em uma vida vemos todo o tipo de coisa, e isso é verdade para sobre infância de Thomas, que não foi feliz. Neste livro, a realidade e a imaginação se misturam, afinal Thomas era capaz de ver coisas que ninguém mais via. Ele também questionava o que ninguém questionava: por que o mundo dos adultos é tão confuso? Por que há tantas incoerências e desencontros entre o falar e o agir?

É impossível não se inquietar com os sonhos e os pesadelos que Thomas teve que enfrentar. A narrativa de Guus é familiar e saborosa, parece mesmo que foi feita à frente da lareira junto com Thomas. É um livro tão surpreendente e tão rico, que hoje encontrei vinte e um reais quando o abri. Hahaha!


Ficha Técnica
Título: O livro de todas as coisas
Autor: Guus Kuijer
Tradutora: Mirella Traversin Martino
Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2011

Já tiveram oportunidade de conhecer essas obras?
Voltaremos com outras dicas de livros semana que vem,
Nos vemos lá.
Com carinho,
Eileen, Tanize, Monique e Júlia

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

4º edição da Oficina Conte Comigo do Livros Abertos: Aqui todos contam!



A 4º edição da Oficina Conte Comigo do "Livros Abertos: Aqui todos contam" fez parte da programação oferecida pela Semana Universitária 2015 da Universidade de Brasília (UnB), que ocorreu do dia 27 a 31 de outubro. Participaram da oficina estudantes da UnB e Educadores, que puderam conhecer a leitura dialógica e discutir diversas temáticas a partir das rodas de contação dialógicas desenvolvidas na oficina.

Aspectos essenciais da leitura dialógica foram comentados, tais como ler a história antes de contar às crianças, saber lidar com as perguntas, compreender se a criança está gostando e entendendo a história contada.
Houve também um embate entre a leitura dialógica e leitura convencional, em que se discutiu qual era mais cansativa ou em qual se gasta mais energia.
Segundo os participantes na leitura dialógica a criança gasta mais energia devido a proposta de participação do que na leitura convencional.


Uma participante comentou que “para a criança [a Leitura dialógica] é mais interessante, pois ela participa, ela tem espaço para falar, para se colocar e ser ouvida.

Assim, chegou-se a conclusão que na Leitura dialógica há mais liberdade para imaginar, refletir para além da história e relacioná-la com acontecimentos do dia-a-dia. O grupo salientou que para além da conclusão que a história do livro chegou, o grupo de crianças pode criar a sua própria conclusão como o mediador Manuel pontuou: “Quando a participação foge do livro, eu fecho o livro e nós criamos a nossa própria história".
Outro aspecto discutido foi “deixar ou não a criança ler a história no lugar do mediador?”. Segundo os participantes, por mais que o grupo disperse, para crianças que estão iniciando o processo de aprendizagem da leitura, esse incentivo é importante.  
Outro tema bastante comentado foi a relação entre leitor e livro. Destacaram que o livro é uma forma de se autoconhecer, de dar forças para vencer os medos e anseios. Os livros não geram só prazer, mas também inquietações. A criança em sua relação com o livro e a leitura dialógica faz com que ela expresse os acontecimentos que ela projeta no livro, seus sentimentos, entre outras coisas. A Leitura dialógica é um espaço das crianças e por isso a escuta atenciosa e respeitosa também se faz necessária.


Enfim, muitas coisas foram compartilhadas, tantas que esse texto poderia ser mais longo.




Assim para finalizar a dinâmica foi perguntado a cada um da roda “em uma palavra, o que é necessário para ser um bom mediador de leitura?”


"Ser criativa(o), leitor(a), engraçada(o)"                  "estar aberta(o), ser ouvinte, colhedor(a)
                                                                                      paciente, entender as crianças, ser 
"amiga(o), entrar no mundo da criança                       (e também mostrar o seu mundo a ela"
despertar, ser um captador de memórias, sensível,      
brincalhão (lhona), deixar de ser a sabichona(ão)",

                                                                      "ser observador, perseverante, alguém que faz a diferença pela relação da criança com a leitura, ser cativador e cativante, ser amoroso(a)".




Ao final foi possível que os participantes fizessem uma breve avaliação, contribuindo com sugestões para oficinas posteriores. Segue-se um exemplo de avaliação feito na oficina:


  • Que Bom: “Muito bom a parte do debate, pois você acaba aprendendo com as experiências de outras pessoas e também a parte da dinâmica de contar historias, pois tem uma vivência real de um mediador de leitura e a visão dos desafios que ele poderá enfrentar
  • Que pena: “Que pena! Poderia ter em mais escolas.”
  • Que tal: “Que tal a oficina ser dois dias? Em um dia seria passado a experiência do projeto. E no segundo dia teriam alunos para que pudéssemos contar historias”.

Agradecemos a todos que contribuíram com a avaliação e que participaram da 4º Edição da Oficina Conte Comigo!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Capítulo 90


Você é um leitor? Perguntinha sem vergonha essa, né?! Na maioria das vezes a resposta deixa a gente meio desapontado. Dizer que sim pode soar meio pretensioso, e você raramente está satisfeito com o seu nível de leitura. Dizer que não é deixar de levar em conta todas as suas leituras passadas, e isso parece um pouco radical.
O porquê dessa pergunta vem para eu realmente introduzir o assunto desse texto, que é: que tipo de leitura você gosta de fazer? Pergunto isso para começar a refletir, não no gênero que você gosta de ler, seja ele qual for, mas se você enxerga algumas oportunidades das quais eu, particularmente, gosto.

Adivinha quem esta tendo uma viagem mais divertida.
Sabe aquele tipo de gente que fica atrás de você vendo tudo que você faz quando está em frente ao computador (típico problema de cidadão do primeiro mundo! rs)? Pois é, eu sou esse tipo de gente quando alguém tem um livro! Não me entendam mal, eu não fico constrangendo ninguém, é que quando eu estou no metrô ou nalguma fila, e alguém esta lendo perto de mim, minha curiosidade pela leitura dele cresce por uma razão desconhecida. Então, bem disfarçadamente, eu dou uma esticadinha no pescoço e começo a ler a exata página em que ele está.

Chamo isso de uma leitura de oportunidade. De forma alguma eu tenho intenção de dizer que li tal livro ou criticar a leitura da pessoa, mesmo porque depois eu raramente lembro-me do fragmento do texto da página, sei lá qual, em que a pessoa estava naquele dia. Mas eu sinto que o gosto literário diz muito a respeito de quem você é, ou do que você se identifica. É como conhecer um pouco esse estranho sem dizer nada.

Já li algumas cartas do Nelson Mandela que um provável funcionário publico/administrador estava lendo, um livro de dez dicas de como estimular as pessoas no ambiente de trabalho, trechos de 50 Tons de Cinza que uma mulher estava lendo, que eu achei bem típico, pois esta é uma leitura que muitas mulheres atualmente estão fazendo, já li diversos quadrinhos, algumas paginas de José Saramago, outras de Carl Sagan e, bem recentemente, um senhor de aproximadamente cinquenta anos estava lendo um livro sobre magos arcanos. Eu ainda acredito que o livro era do neto dele de 13 anos, porque não é bem essa a faixa etária que esse livro geralmente atende. Sem preconceitos, claro.

Por favor, não vá ficar grudado(a) nas costas de alguém com um livro pra ler o que ele(a) esta lendo por que eu disse não, hein! Você pode acabar fazendo papel de maluco(a) com isso. Mas fica a reflexão de oportunidade... Vai que você pega alguma dica de leitura com essa observação, ou dá aquela cantada no(a) gatinha(o) só por que você já leu o Game Of Thrones que está na mão dele(a) e está doido(a) prá contar o final do livro, só prá começar uma conversa descontraída?!

O bom da leitura é que basta ter um coração aberto pra apreciá-la, faço essa leitura oportunista por curiosidade e quem sabe um dia ver aquela garota com um livro que seja o volume completo e na língua original com as notas do autor, ela pode ser a escolhida. 

Mas de uma coisa eu sei, o garoto que estava na última cadeira do ônibus da L2 norte, que estava no capítulo 90 do novo livro do Dan Brown, Inferno, eu estava gostando muito de sua leitura! Fica a dica, se não pode ser o stalker, seja o leitor.


BoscoJoao ;)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Lugares em que contamos por Laís Melo


   






               
                Na minha passagem por Fortaleza, descobri esse lugar lindo em que acontece um projeto muito legal. Não consegui descobrir o nome real do projeto, mas nesse antigo vagão de trem (fabricado em 1938) localizado na praça Luíza Távora no bairro Iracema, fizeram uma biblioteca! Entrei para conhecer e fiquei encantada com o que vi: muitas crianças com acompanhantes fazendo a leitura dialógica! E enquanto estava lá, várias crianças chegavam correndo animadíssimas, entravam no vagão, pegavam um livrinho e sentavam-se para ler. Achei muito interessante pois consegui perceber que todos estavam realmente se divertindo ao ler. As crianças não foram obrigadas a irem lá - na verdade, alguns pais que pareciam terem sido obrigados: iam um pouco desanimados atrás enquanto as crianças chegavam correndo na frente.


               Cheguei até a voltar lá outro dia, para sentar e ler algumas coisas. O ambiente era muito agradável e acolhedor, e por ser um vagão antigo, me passava a sensação de que havia muito conhecimento por ali.
               Fiquei com vontade que tivesse um vagão aqui em Brasília também. Senti que lá era o lugar de uma leitura por diversão e livre, como deve ser.