terça-feira, 16 de julho de 2013

Um tempinho pequeno de felicidade.


Cá estou eu pensando como queria ter tempo de ler meus livros... 
Foi numa terça-feira dia de cuidar do acervo do projeto que peguei um livro pra ler, fininho, porque detesto ler um livro pela metade:

“Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Colo. Este menino é mesmo um caso de poesia.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Adorei, queria muito ter um caso doentio de poesia, ver as coisas como Manoel de Barros e andar “Na estrada, meu corpo a ventos. Aves me reconhecem pelo andar.” Que graça seria me sentir uma garça!  Mas será que não o fiz isso? Como disse o grande Mário:
"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

E meu medo era deixar de ler um livro pela metade...

Por Isadora Salviano.

 



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