Dar
continuidade a um projeto com certeza tem seus méritos, mas não é disso que
pretendo falar. Vou falar da forma boa como eu fui recepcionado no projeto.
Tudo foi tão fácil que até parece estranho, principalmente a aceitação das
crianças. Sem entender direito como elas conseguiam se interessar de forma tão
sincera pelas leituras e gostar também tão facilmente de mim a minha resposta
foi que aquela seria a retribuição da dedicação
que elas sentem da gente e das nossas sinceras intenções de cultivar aquele momento de
leitura, afinal a turma que estou agora já vivencia esta experiência há mais de
um ano. Lembro que em uma das reuniões já falamos da importância disso,
essa continuidade. Eu não tinha problemas com isso, mas na minha segunda
contação tive uma surpresa que mudou esse meu modo de pensar e me fez surgir
uma outra possível resposta. Explico. No começo ainda, chegou na turma um aluno
novo, eu quando criança troquei de escola e sei como as vezes é difícil ser um
aluno novo principalmente em uma escola em que todos já se conhecem e estudavam
juntos, como é o caso dessa. Assim que cheguei na turma todo mundo já começou a
falar que tinha um novo aluno, que eu devia chamar ele primeiro, pois bem,
chamei ele juntamente com alguns outros alunos da turma, queria que ele se
sentisse a vontade. Me apresentei, perguntei quem era ele e apresentei um pouco
o projeto Livros Abertos e qual é a nossa proposta, falei do livro de Sherlock
Holmes e retomei brevemente o que já tinha sido contado daí continuei a leitura.
Acabou o tempo do grupo e enquanto ia acompanhando eles de volta para a sala
perguntei o que ele tinha achado, disse que gostou.
O quanto ele tinha gostado
e entendido qual era a proposta eu realmente não saberia dizer com certeza,
afinal provavelmente essa tenha sido a primeira vez em que ele foi tirado da
sala de aula para ouvir, e se quisesse, discutir sobre uma estória de um livro.
Eu mesmo saí com a sensação de que podia ter sido mais legal, sei lá que talvez
o trecho contado nem tenha sido bom mas enfim até a próxima semana ele assim
como todos os outros deveriam esperar o prosseguir da trama.
Aí
nessa experiência é que estava a novidade! Pensei eu. Pois se para todos os
outros eu estava dando continuidade nas mediações com ele eu começava do zero. O
que aconteceu nas semanas seguintes foi que ele sempre se demonstrou empolgado
e é um dos mais participativos. Daí que pensei que não teve muita diferença do
envolvimento dele que não conhecia o projeto com o dos demais e isso é uma das coisas boas de
uma criança. Eles tem essa capacidade de mergulhar de cabeça nas coisas. Sem aquele receio ou desconfiança
que os adultos vão construindo para se protegerem e as vezes nos
impedem de vivenciar coisas novas ou conhecer outras pessoas. Pelo menos com as
crianças que tenho contado posso ver nos olhos delas aquela confiança súbita
mesmo por aquilo que lhes é estranho o que muitas vezes preocupa os pais.
Obviamente tudo deve ser ponderado mas a cada vez que falo e ouço elas me sinto
revigorado para buscar em mim aquele lugar onde a esperança é viva, e, dalí,
sair dos livros, ir para a vida real e tentar olhar o mundo com a empolgação
que vejo nelas. Vi em uma propaganda de um banco que dizia: ler um livro para
uma criança... #issomudaomundo!
Muda
mesmo, mas não do jeito que se espera é uma mudança recíproca.
Gabriel
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