quarta-feira, 25 de julho de 2012

Coluna do Colaborador - Adriana Dias*


DIA DO ESCRITOR



Hoje gostaria de dedicar um agradecimento especial a todos que contribuíram com a minha infância de ontem e de hoje: Perrault, Grimm, Dr. Seuss, Monteiro Lobato, Saint Expeury, Tatiana Berlinky, Lewis Caroll, Mauricio de Souza, Carlo Collodi, Roald Dahl, Daniel Defoe, Charles Dickens, Astrid Lindgren, Ziraldo, AA. Milne, Beatix Potter, HA Rey, Rick Riordan, JL Rowling, Mark Twain, Vinicius de Morais, Audrey e Don Wood, Ruth Rocha, Camila Franco, Ricardo Azevedo, Lygia Bojunga, Tino Freitas, e a uma infinitude de escritores (não tão dedicados a literatura infanto-juvenil ou que não consegui me lembrar agora...), mas que com certeza, sem os quais eu não poderia me nominar, nem ao menos me definir!

A todos vocês o meu muito, muito obrigada!
Sem vocês a beleza do mundo não existiria, a tristeza não poderia ser definida,  a angustia não poderia ser localizada, o extraordinário não poderia ser almejado, a fantasia não poderia ser fantasiada e o mundo mágico perderia todo o seu brilho, sua cor, seu cheiro e sua imaginação!

Continuem com sua arte a preencher as páginas do mundo, a nos oferecer a possibilidade de ao virar uma paginar abrirmos uma porta para um novo universo!
Obrigada por todos os dias em que me ajudaram a superar minhas dificuldades!
Obrigada pela companhia nos dias alegres!
Obrigada por me fazer rir em momentos tristes!
Obrigada por ter me ajudado a compreender melhor os meus amigos!
Obrigada por todos os sentimentos novos que me apresentou!
Obrigada por todas as viagens que fizemos juntos!
Obrigada por ter estado comigo nos dias de luto!
Obrigada por ficar comigo nos dias de preguiça deitado na rede!
Obrigada por me fazer uma pessoa mais feliz!
Obrigada por me deixar ser criança!

*Adriana Dias
Psicanalista, Coordenadora Associação Viva e Deixe Viver, Psicologa UTIp HRAS.

Palavra-Chave: Dia do Escritor, obrigado.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Diário do Contador: Barbara Araujo




A obra abaixo resume um pouco o que eu conseguia enxergar quando olhava para cada criança, enquanto eu contava para elas neste semestre.

      Salve a imaginação! 
                                                              (Barbara de S. Araujo, 07.2012)

*Peço a todos que utilizarem essa imagem que coloquem o meu nome na legenda. Obrigado


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Oficina de Leitura Dialógica para Pais e Professores


No dia 22 de junho realizamos a oficina "Conte Comigo: uma introdução à Leitura Dialógica" juntos aos pais e professores da Escola Classe 415 Norte. É nesta escola que desenvolvemos nosso projeto de extensão desde abril de 2011. Na ocasião contamos com a equipe da UnB TV que fez uma reportagem sobre o projeto. Vocês podem conferir a reportagem no youtube http://www.youtube.com/watch?v=rJOPXCFC8gU&feature=plcp.

Agradecemos a todos que colaboram com a oficina, e com a divulgação de nosso trabalho. Agradecimento especial à professora Nailda Rocha, diretora da Escola Classe 415 Norte, que acreditou na nossa proposta e hoje colhe os resultados conosco. A cada dia percebemos que cresce o interesse e o prazer pela leitura nos alunos, e entre nós mediadores. 
Desejamos que o projeto cresça e que possamos capacitar um número maior de mediadores para atendermos todas as turmas da Escola Classe 415 Norte, e quem sabe levarmos a propostas a outras escolas do DF.
Aqui Todos Contam! 

sábado, 16 de junho de 2012

Coluna do Colaborador: Domingos Sávio Coelho *

A Gramática ou a Vida

Professora,
não dá pra levar a sério este livro de português da minha filha ! Simplesmente não tem relevância alguma, neste momento da vida dela, saber que alguns estudiosos da língua criaram uma teoria que diz que nossa fala é recheada de frases declarativas, exclamativas e interrogativas ! 
Pedi a ela que fosse até a janela e me dissesse como estava o céu. Ela foi, olhou pro céu, voltou pro quarto e declarou que o céu tinha uma nuvem grande e escura e que apareceu um pouco de azul entre algumas nuvens. Disse que ela acabara de fazer uma declaração. “E daí ?” ela me perguntou. Ela tem toda razão. De fato, de nada serve este tipo de conhecimento teórico de gramática para quem precisa ler um gibi, um poema. À medida que ela ler mais e mais gibis irá ganhar cancha de leitura de gibis. 
Não gostaria de sobrecarregar minha filha com informação inútil (inútil para este momento da vida, obviamente ! Creio que este tipo de informação é muito relevante para o estudante.... universitário, por exemplo). A questão central de fato é que minha filha precisa aprender a amar os livros, a contação de estórias, os poemas do Vinícius de Moraes, admirar as frases de efeito do Guimarães Rosa (“o nada é um balão sem a pele”), inventar palavras e escrever as palavras que ela inventar. Em relação a este ponto crítico, as informações contidas no livro de português são de uma irrelevância que não tem tamanho ! Conversei com a Diretora e a Coordenadora que disseram entender minha posição e que vão pensar sobre o assunto. Sei que várias escolas aqui em Brasília adotam este livro. Penso com meus botões sobre a falta de ousadia das escolas: o mesmo livro, o mesmo caminho, a mesma rota marítima diante de um mar de possibilidades. Se um barco encontrar um iceberg pela frente... Meu coração gelou quando vi que num determinado trecho do livro tem uma página de revista em quadrinhos e, a seguir, vem uma batalhão de perguntas para “compreender o texto”. Na verdade, são perguntas pensadas para “matar a vontade de gostar de ler gibis” em qualquer criança. É um crime contra a revista em quadrinhos. Pra mim que fui criado lendo gibis é impossível fazer este tipo de “autópsia” de uma estorinha em quadrinhos.

Querida, Professora,
Solicito uma tarefa alternativa. Por exemplo, o "dever de casa" poderia ser assim:
"Leia 3 revistinha bem lidas com sua filha. Lembre-se que a revistinha precisa ser bem lida, isto é, você tem que ler como se tivesse 7 anos e acabou de comprar a revista na banca. É uma revista de que você gosta e você sorri, admira os desenhos bem feitos, aponta a semelhança com a linguagem do cinema, etc. Depois disso você emenda uma estória que você viveu por causa de uma revistinha em quadrinhos." 
Você pode passar um dever assim ? 



* Domingos Sávio Coelho é professor da Universidade de Brasília e Coordenador do Projeto Circulo de Cultura Surda.


terça-feira, 12 de junho de 2012

As escolas matam a criatividade?

Complementando o texto de Lucas, vale a pena assistir:
http://www.youtube.com/watch?v=aQym7WkF5ks&feature=related

Diário do Contador: Lucas Moura Barros

Não subestime as crianças!

Todos nós já fomos ou ainda somos crianças. A passagem do "estado infantil" para o adolescente e assim por diante acontece tanto do ponto de vista físico, biológico, social, emocional, como também intelectual. Quero tratar aqui desse último aspecto, especialmente  levando em consideração a experiência adquirida com a contação da história “Eu não quero dormir agora" (Lauren Child) à crianças de aproximadamente 5 anos, ou seja, crianças do 2º período escolar. O livro conta a história de Lola, uma menina que não gosta de dormir cedo, e todas as vezes que é questionada por seu irmão sobre a hora de dormir a menina cria fantasias, brincando com a imaginação e adiando a hora de dormir.
O relativo desprendimento de regras rígidas 
pode favorecer a imaginação e a síntese de idéias surpreendentes...
A palavra intelecto significa: “conjunto do entendimento e da inteligência” (Minidicionário Ruth Rocha).
Não parece adequado esperar da criança o mesmo entendimento que os adolescentes, adultos ou idosos possuem, e isso em qualquer aspecto da vida cotidiana. Uma criança que estuda matemática,  ao comer uma pizza com seus familiares dividida em oito pedaços, certamente compreenderá melhor a partilha do que uma criança que ainda não aprendeu as regras de fração. Esta última terá dificuldade em perceber que a quantidade de pizza não aumenta quando aumenta o número de pedaços.  Se, em algumas ocasiões, crianças não "conseguem" racionalizar como os demais, por outro lado,os adultos acabam mais limitados no que compete a imaginação, tão sujeitos a normas e regras. A criança é menos experiente em relação ao adulto, mas é capaz de elaborar formas surpreendentes de entendimento.
Sendo assim, não é possível nem desejável exigir da criança o mesmo entendimento que você tem ao ler uma história. Talvez as experiências que o contador possui possam ajudá-las a saírem da concretude, a descobrir a polissemia, a multiplicidade de interpretações, a necessária consideração do contexto, etc. Existe, entretanto, o problema de subestimar o intelecto infantil. Tal problema vem da nossa incapacidade de se colocar em um nível que já passamos.
O mediador precisa resgatar a infância, real ou imaginada, e abrir a roda para a brincadeira com as palavras e imagens...
Na semana passada tive a oportunidade de fazer a minha primeira contação na Escola Classe 415 Norte. Esperava, com o livro já mencionado, um entendimento muito parcial das crianças e também desinteresse da maioria dos 21 alunos presentes. Não porque o livro fosse ruim ou difícil de se entender, mas porque subestimei o intelecto e o gosto pela leitura desses pequeninos. Ao começar as apresentações para dar início a contação, já notei a minha ignorância acerca do potencial delas. Todas ficaram quietas e se apresentaram gentilmente. Quando iniciei a contação, busquei fazê-lo de forma dialógica, sendo este um dos princípios mais importantes para os contadores do Projeto. No decorrer da história, sentado em uma pequena roda (os 21 alunos foram divididos em pequenos grupos), para minha surpresa as crianças estavam lá, de corpo e alma comigo. Ao nosso redor existiam infinitas possibilidades de dispersão, pois estávamos no pátio da escola expostos ao ruído e ao movimento. Porém as crianças mostraram absoluta concentração na atividade.
A cada diálogo eu aprendia a não subestimá-las. Elas não só conseguiam entender a narrativa, como também ofereciam interpretações para a história, e ainda faziam objeções ao autor.
Crianças não são miniadultos
Quando perguntei às crianças se elas gostavam de dormir cedo elas responderam: Não!!!! E outras: Sim!!!(em casos excepcionais). Todas interagiram com a história de maneira surpreendente, a cada virada de página, novas imagens e mais diálogo. Não era possível virar a página sem que fossem feitos comentários e que contassem casos da vida cotidiana, do tipo: "Meu irmão não dorme cedo, mas eu também não durmo". 
Concluí que não se pode pensar a criança como alguém de "outro mundo"! Ocorre que, assim como nós, elas também possuem uma forma de perceber e interpretar a vida.
Daqui a 5 anos serão outras interpretações e mais experiências, principalmente quanto melhor for o estímulo e a atenção dadas pela escola e a família.Acredito que cabe a nós contadores, observarmos o que acontece na roda sem esperar reações específicas, e estarmos abertos às suas formas de ver o mundo.  Desta maneira teremos acesso à riqueza de suas contribuições e muitas surpresas agradáveis.

domingo, 13 de maio de 2012

Uma ótima surpresa



Para ler neste fim-de-semana, peguei ao acaso um dos livros do maravilhoso acervo que obtivemos com apoio do FNDE. O livro chama-se "Diário Absolutamente Verdadeiro de um Indio de Meio-Expediente". O título não me chamou a atenção mas ao folhear um pouco, logo me encantei com as ilustrações. A partir de então, foi começar a ler e não parar mais, madrugada adentro. Gente, simplesmente não dá para largar.O romance conta a história de Arnold Spirit Junior, um adolescente nativo norte-americano que mora em uma das reservas mais miseráveis do país. Arnold conta sua história na primeira pessoa e sua narrativa é complementada por maravilhosas ilustrações de Ellen Forney que, na história, são de autoria do próprio personagem. Arnold tem hidrocefalia e precisa usar os óculos toscos distribuídos aos índios, vive na mais absoluta pobreza e em sua reserva reina o alcoolismo e o total desânimo com a vida. Vive apanhando dos meninos da reserva devido ao fato de ser "cabeção" (literal e figurativamente, pois Arnold é inteligentíssimo, o que também incomoda alguns professores e colegas da escola na reserva).  Seu único amigo, o valentão Rowdy, é vítima constante das surras de seu pai e acaba repetindo esse comportamento com todos que o rodeiam, com exceção, misteriosamente, de Arnold, por quem nutre um sentimento de proteção. 


Uma das ilustrações de Ellen Forney


Isso até o dia em que Arnold, incentivado por um professor a procurar melhores condições de educação, resolve mudar-se para uma escola fora da reserva em que o único índio além dele é o da figura da logomarca da escola. Visto como traidor de seu povo e bajulador dos brancos, Arnold passa a ser odiado até pelo seu melhor amigo na reserva e, ao mesmo tempo, a ser desprezado entre os colegas de sua nova escola. Estrangeiro em duas terras, Arnold questiona-se sobre sua identidade e descobre aos poucos que muitas de suas idéias pré-concebidas precisam ser revistas. Mas se você já está se perguntando por que eu teria gostado de algo tão concreto, deprimente e sem poesia, é porque eu não tenho como transmitir aqui o fabuloso senso de humor e do ridículo, a sensibilidade, a fina ironia e o absoluto encantamento poético produzido pela narrativa em primeira pessoa de Arnold. As ilustrações fazem parte orgânica desta jornada de auto-conhecimento deste "índio de meio-expediente" que aprende, em meio a tanta dor mas sem jamais perder o humor, a reencontrar a força de suas raízes e o orgulho de ser quem é. 



Sherman Alexie
A obra, publicada no Brasil pela Editora Galera e com uma bela   tradução de Maria Alice Máximo, é indicado para adolescentes, jovens e adultos, eu diria que mais ou menos a partir dos 15 anos (claro que isso é muito relativo, mas é um parâmetro, devido aos temas tratados).  O autor, Sherman Alexie, ganhou vários prêmios pela obra e afirma que o livro é, em grande medida, autobiográfico. A história não esconde as dimensões dos problemas sociais das reservas indígenas (muitas das quais muito semelhantes em nosso pais), questões de violência doméstica e bullying entre adolescentes, além de tratar com honestidade os conflitos da adolescência, incluindo a sexualidade. 
Talvez por isso tenha sido banido de algumas bibliotecas nos Estados Unidos, tendo sido considerado "impróprio" (??). Porém, em um dos casos, o livro, ao ser censurado, estava com os dez exemplares emprestados e todos já reservados, mostrando a popularidade da obra entre os jovens. Em outro caso, os censores resolveram sentar-se e realmente ler o livro e decidiram que ele é sensacional, desistindo da proibição! São as loucuras da censura e da hipocrisia.
Recomendo fortemente! 

terça-feira, 1 de maio de 2012

A leitura proibida





Vocês sabiam que, nas fábricas de charutos cubanos, em meados do Sec. XIX, por algum (curto) tempo foi comum que os charuteiros contratassem um dos operários para ler para eles? Os trabalhadores escolhiam juntos as leituras do dia e ouviam, na voz do “Lector”, cujo serviço pagavam do próprio bolso, as notícias e reportagens do dia. Depois se deliciavam com obras históricas, poemas, contos e romances, como as aventuras do Conde Monte Cristo, de Alexandre Dumas (um dos favoritos dos trabalhadores, que levou inclusive à homenagem do personagem na marca de charutos Monte Cristo). Mas a prática teve vida curta, pois foi logo considerada "subversiva" e terminantemente banida. Impressiona a ênfase do decreto governamental e a caracterização criminosa dessa prática de leitura coletiva:
"1. É proibido distrair os trabalhadores das fábricas de tabaco, oficinas e fábricas de todo tipo com a leitura de livros e jornais, ou com discussões estranhas ao trabalho em que estão empenhados. 2. A polícia deve exercer vigilância constante para fazer cumprir este decreto e colocar à disposição de minha autoridade os donos de fábricas, representantes ou gerentes que desobedeçam a esta ordem, de modo que possam ser julgados pela lei, segundo a gravidade do caso."[1]



Dá o que pensar...

[1] Decreto de 1866 do governo cubano. Citado em:
Manguel, A. (1999). Uma História da Leitura. São Paulo: Companhia das Letras. Aproveito para recomendar a todos este belíssimo conjunto de ensaios sobre a leitura e sua(s) história(s).




Gerivaldo Neiva - Juiz de Direito: Dia do trabalho ou dia do trabalhador?

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