segunda-feira, 3 de abril de 2017

Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley

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Sabe quantos anos tinha Mary Shelley quando começou a escrever Frankenstein? Dezoito. Ao redor da fogueira, ela e seus amigos se divertiam contando histórias assustadoras, Num dado momento, surgiu o desafio: que cada um dos amigos escrevesse sua própria história de terror. Dois anos depois, Mary Shelley publicava Frankenstein ou o Prometeu Moderno. Nenhum dos amigos levou o desafio até o fim.

Numa inversão universalmente conhecida, as pessoas costumam dar o nome de Frankenstein à criatura, quando se trata, na verdade, do nome do criador. Quem não leu, geralmente, custa a aceitar essa informação: "Frankenstein só pode ser o nome do monstro". Talvez seja justo. Afinal, o que criamos é também um pedaço de nós. O tormento da criatura é o tormento de criador, Viktor Frankenstein.  O desejo da criatura de ser aceita reflete, em outro nível, a ambição de Viktor, que deseja ser reconhecido como um cientista brilhante que foi além de todos os limites e tornou-se capaz, como Prometeu, de dar a centelha da vida.

Acontece que esse Adão moderno é imediatamente rechaçado por seu criador. Não é rechaçado por nenhum ato indesejável, nem por uma falha moral ou de caráter, e sim por ser feio, repugnante, assustador.  Frankenstein, covardemente, abandona sua criatura e sente alívio ao imaginar ter se livrado desse filho que o constrangia. Esse filho que não saiu como ele imaginou, que não refletia suficientemente sua grandeza. Esse filho que não recebeu do pai aquilo que é o símbolo de aceitação, de reconhecimento, de responsabilidade: um nome próprio.

O filho sem nome busca, pois,  o amor. Nada mais. Vaga pelo mundo com a esperança de que alguém possa adotá-lo como seu. Quer pertencer. Mas ninguém o quer. Seus gestos de aproximação são interpretados como ameaças, suas tentativas de fazer-se ouvir, recebidas com terror e violência. Desesperado, acaba tornando-se o que o relegaram a ser: um monstro.

Soa familiar? Deu para ver como essa história, longe de ser apenas uma história assustadora, fala com a alma jovem e como toda(o)s nós?


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A obra foi escrita em uma época em que o conceito de adolescência ainda não estava consolidada. Já carrega, no entanto, todos os ecos do Sturm Und Drang que caracterizam nossa concepção de juventude até o dia de hoje.  A paixão da juventude é refletida tanto na ambição e vontade de saber desmesuradas de Viktor Frankenstein, quanto na desolação e no desespero que se instalam no coração do monstro. Não é à toa que um dos livros lidos pelo monstro ao tentar compreender a humanidade é justamente Os Sofrimentos do Jovem Werther de Goethe, ícone fundante da visão romântica da juventude como uma fase de paixão, fogo e tormento.

Por tudo isso e por ser simplesmente uma obra prima de ficção científica, terror e romance (tudo ao mesmo tempo),  Frankenstein ou o Prometeu Moderno, escrito há exatos 199 anos atrás por uma adolescente inquieta e genial, com certeza tocará o coração de jovens deste milênio. O Livros Abertos recomenda!


Escrito por: Eileen Pfeiffer

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