O tema do livro dessa semana gerou reações
nas crianças que me fizeram refletir. Algo tão humano e natural é, para elas,
sinal de fraqueza, imaturidade e covardia. O livro “Alguns Medos e Seus Segredos”
de Ana Maria Machado aborda o medo de uma maneira hilária e fluida. Segundo a
autora “Todo mundo tem seu medo, cada um tem seu
segredo. Quem parece sempre forte, no fundo é meio sem sorte: tem que agüentar
bem sozinho, sem ajuda, nem carinho”. Mesmo lendo uma historia mostrando a
perspectiva de que todos sentimos medo as crianças negaram o tempo todo que o
sentiam. “Tia eu não sinto medo”, “Nem eu tia, eu também não tenho medo de
nada”. Revelei a elas que eu sinto medo de muitas coisas dentre elas de
cachorro e de ladrão, mesmo assim, continuaram afirmando que não sentem medo de
nada. Sai da contação pensativa, então me lembrei de aspectos da realidade das
crianças e jovens que provavelmente estão relacionadas a essa negação do medo. Elas são levadas a interiorizar seus medos,
não demonstrar suas “fraquezas” até porque, para a sociedade, não são mais bebês,
e gente grande não tem medo de nada. Principalmente os meninos, os que mais
faziam questão de demonstrar sua “coragem” durante a contação, são bombardeados
com frases do tipo: “Homem que é homem não tem medo”. “Desse tamanho e ainda
sente medo do escuro?”. “Você não pode sentir medo, é o homem da casa, tem que
cuidar das suas irmãs”. Esconder o medo é comum, até adultos negam temer, porém,
tal atitude, nem sempre traz benefícios.

4 comentários:
Larissa,
isso também já aconteceu comigo mais de uma vez, quando eu fui falar sobre medo eles negaram. Aconteceu que no começo alguns falaram que tinham medo e depois que os outros diziam que não eles mudavam a resposta.
Pela idade, é provável que já foram socialmente punidas as manifestações de medo de bruxa, monstro, e coisas do tipo. Por outro lado, também é comum evitar falar sobre fontes reais de medo, como morte, etc.
Talvez se interessem por este estudo:
Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/2040498-estrutura-primitiva-da-representa%C3%A7%C3%A3o-social/#ixzz1dKswUtVX
RESUMO
Os autores pretendem identificar em dois grupos distintos de crianças com sete a dez anos, que medos estas identificam e que intensidade estes têm para as mesmas. Assim, os autores reuniram um grupo de crianças proveniente de um orfanato e outro grupo proveniente de uma escola particular e, através de uma entrevista, as crianças expressavam-se livremente relativamente à palavra medo. Esta fase do estudo permitiu aos autores o acesso ao campo das representações das crianças. Numa segunda fase deste estudo, e de novo com dois grupos semelhantes, os autores solicitaram que as crianças classificassem livremente as categorias resultantes da primeira fase do estudo. Os resultados deste estudo apontam claramente para a existência de três regiões distintas de medo, sendo estas: a) Seres imaginários (bruxa, monstro, fantasma, etc.); b) Animais (barata, morcego, rato, etc.), e c) Vida real (doença, assaltante, morte, etc.). Apesar de, em ambos os grupos de crianças envolvidos, se identificarem as mesmas regiões de medos, a intensidade dos mesmos difere consoante a origem social das crianças. Ou seja, Roazzi et al (2001) identifica que em ambos os grupos envolvidos, a estrutura dos medos é semelhante, no entanto, a intensidade destes medos reflecte a origem social das crianças, p. 69. Por outras palavras, apesar de os medos das crianças estarem estruturados nas mesmas regiões, as crianças oriundas do orfanato mostravam uma maior intensidade a medos relacionados com vida real (Arma, Assaltante…) do que as crianças provenientes da escola particular. Para além deste aspecto, o estudo também evidencia que a dispersão de idades pelas respectivas regiões sugere que os medos das crianças progridem do imaginário para o real. Assim, com idades menores, é mais provável que os medos das crianças se situem em figuras imaginárias (fantasma, bruxa…) enquanto ao crescer, o foco do medo das crianças intensifica-se em aspectos mais reais como animais ou situações de vida real
Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/2040498-estrutura-primitiva-da-representa%C3%A7%C3%A3o-social/#ixzz1dKswUtVX
Eu vou ler esse livro!! Valeu a dica!!!
Postar um comentário