quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Contadores e Educadores

     A cada dia percebo que a educação se torna mais importante e mais valorizada no âmbito social, pois representa a conquista da liberdade para se conectar com o mundo livre da ignorância.
      É muito interessante ouvir o que as crianças têm a dizer, tanto pra quem ouve quanto pra elas que tem a oportunidade de falarem e serem ouvidas durante a contação, o que é algo raro de encontrarem em outras atividades da escola. Elas, as crianças, estão sempre procurando por algo, e cabe a nós, educadores e contadores direcioná-las para o melhor caminho, porque acredito que ser um contador é também ser um educador.
     Muitas vezes durante uma contação as crianças se dispersam e acabam por conversar informalmente com seus colegas,  às vezes brigando com os colegas,  e, cabe a nós fazer algo a respeito. É aí que somos educadores. Ou quando fazemos nossas intervenções dialógicas ensinando um novo vocabulário ou discutindo sobre alguma passagem do texto ou sobre uma imagem e direcionando a discussão, é aí, também, que somos educadores. Ou quando nos pedem conselhos ou opiniões, e quando nós os orientamos é aí que somos educadores.
     Algo de errado está acontecendo com o nosso sistema de ensino, estamos novamente em fase de teste. As crianças de hoje não são as mesmas de 50, 20 ou 10 anos atrás, nem mesmo há 3, porque tudo avança muito rápido e, portanto, o sistema de ensino também não pode ser o mesmo. Acredito que o que fazemos é trazer um pouco de atualidade pra esse sistema, fazer algo diferente, ensinar contando e brincando! 
      A educação é o passaporte para um mundo cheio de oportunidades e poder fazer parte de uma janela que cria oportunidades como o Projeto Livros Abertos é muito gratificante! Nós, contadores, temos a responsabilidade de divulgar a leitura principalmente para aquelas crianças que dizem não gostar de ler ou que desistem frente à primeira dificuldade, mas nós não desistimos delas! :)



Avante contadores! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O livro secreto das princesas...




Levei o livro “até as princesas soltam pum”, de Ilan Brenman para as crianças na última quinta feira e foi divertidíssimo. Uma menina havia pedido pra que eu levasse um livro de princesa porque na semana anterior eu levei um de monstros, e eu atendi.
Eu já conhecia o livro, já tinha pegado uma vez no acervo e não tinha lido para as crianças, devolvi, e peguei novamente, pois estava tentando descobrir uma boa forma de ler com as crianças, já que tem bastante história e eu costumava levar livros mais curtos. Como as histórias são “separadas”, percebi que ficaria tranquilo passar para o desfecho, caso eles não quisessem ouvir mais nada.
            As crianças que conto adoram esses assuntos, elas se divertem pra caramba. Foi bom levar pra elas porque viram que eu também podia falar sobre isso e rir com elas.
            “Gente, deixa eu perguntar uma coisa pra vocês...” e fui diminuindo o tom de voz como se fosse segredo, “As princesas soltam pum?” A primeira reação era de susto, creio que pela pergunta ter vindo de mim (elas sempre brincam entre elas sobre isso, mas me deixam de fora) e depois muitas gargalhadas. Ouvi de algumas crianças “não tia, claro que não”, e de outras: “claro que sim tia, elas não são humanas? Todos os humanos soltam pum”.
            Em determinada parte do livro, o pai de Laura conta pra ela como aconteceu no baile da cinderela, conta que a princesa soltou um pum no exato momento em que o relógio marcou meia noite e o príncipe não percebeu. Questionei alguns meninos sobre o que eles fariam se isso acontecesse com eles e eles percebessem. Ouvi de um deles: “eu ia empurrar ela e falar: ‘vai fazer isso no banheiro!’”
            Particularmente eu adoro as ilustrações desse livro! São lindas! Feitas pelo Ionit Zilberman. Adorei ver a capa do “livro secreto das princesas” e creio que passei isso para eles, parece realmente que estamos com outro livro em mãos, e a partir dessa página, estamos em contato não com o livro “até as princesas soltam pum”, mas sim com o “livro secreto das princesas”, aquele que aparenta ter mais de 200 anos e estava na estante da biblioteca do pai de Laura...
            As histórias que tem lá não foram colocadas nos filmes, nem nos livros oficiais da cinderela, branca de neve ou pequena sereia... Ficou tudo guardado somente nesse livro secreto.
Xiiiiii, eu e as crianças estamos guardando esse segredo, vê se não vai sair espalhando, hein?!


            Por Priscila Santos

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Diário do contador - Raquel Freire


Às vezes caímos na rotina...


e a pior de todas não é das tarefas (essas são importantes para nossa organização e tudo mais) o problema é a rotina de pensamentos, essa que prende a gente no que pensar, sobre o que pensar, quando pensar! E sair dela é meio difícil, porque você primeiro sai e depois percebe o que aconteceu.
Tudo começou quando eu estava no banheiro da escola e no cantinho achei um papel velho, sujo, esquecido... Eu o vi e não podia deixá-lo mais tempo no esquecimento, portanto comecei a ler e me surpreendi, era um pedido de socorro! A história que ele trazia era bem aterrorizante, tinha uma bruxa deformada, crianças feitas prisioneiras em tubulações de esgoto, vingança...Vi que eu precisava  contar para as crianças, claro que fiquei um pouco receosa se seria “pesado” mas depois de conversar com os outros membros do Livros Abertos chegamos ao consenso de que seria tranqüilo. Sem contar que não poderíamos ser negligentes àquele grito de socorro.
Assim, na segunda-feira fui à escola preparada, levei uma colcha para cobrir a mesa, uma lanterna e um isqueiro. Vocês entenderão o porquê dos elementos, mas vale dizer que todos são necessários para criar o “clima” de terror. Primeiramente, alertei as crianças de que teríamos uma história de terror e quem não gostasse poderia ir para outra contação. Os corajosos que me seguiram, foram para debaixo da mesa, conversamos sobre como imaginávamos aquela escola muitos anos antes. Mostrei a carta que havia achado no banheiro e comecei a ler com a lanterna iluminando meu rosto.

http://tracosetrocos.wordpress.com

A história resumidamente é sobre algumas crianças que pregaram uma peça na cozinheira e como castigo da mesma, que era uma bruxa, foram condenadas a viver nos encanamentos das privadas. Arrependida em seu leito de morte a cozinheira Tereza, também conhecida como Bruxa Cereja devido a sua aparência causada por queimaduras em sua cabeça, possibilitou que as crianças pudessem pedir ajuda (aí que entra a carta) mas para que elas fossem libertadas seria necessário que realizássemos um ritual. Existia uma observação na carta que pedia que fosse queimado o final, ao passarmos o isqueiro surgiram algumas letras completando um “Por Favor” do além. Perguntei se todos concordavam em realizarmos o ritual e, assim, libertar as crianças, elas aceitaram. Fomos para o banheiro e seguimos à risca as recomendações: dar descarga ao mesmo tempo e repetir as palavras:

Cereja
Cereja
Antes Tereza
Liberte
Liberte
As crianças fedidas
Mas arrependidas

Ao final um som fantasmagórico preencheu o silêncio do banheiro. 




Bem...foi assim minha última contação graças à um achado mágico, mas não o papel! E sim minha vontade de não estacionar no mais cômodo, a vontade de buscar inovar nas histórias e tornar as semanas mais divertidas e memoráveis. Se você, por um acaso, estiver um pouco cansado ou entediado sugiro que olhe bem nos cantos esquecidos pode ser que encontre um pedido de socorro. =)

PS: Obrigada por todos que apoiaram em especial aos que ajudaram na gravação de “fantasmas no banheiro” (Gustavo, Thais e Matheus)  a sonoplastia foi essencial! ;) 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Qual sua (Hi)Estória?



Então você se pergunta: e se minha vida fosse um filme? Com certeza fantasiar sobre esse assunto 99% dos humanos, e alguns macacos, já fizeram, quem não gostaria de juntamente com Ferris Bueller ter um dia de folga e curtir a vida adoidado? Se você é do tipo aventureiro que tal andar a Europa atrás do amor da sua vida com o mínimo de dinheiro como o pessoal de Euro Trip.
"Se você não curtir de vez em quando..."

Você escolhe o gênero, escolhe se é o mocinho ou o bandido, escolhe se vai ter final feliz. Alguns querem ser hollywoodianos, outros pensam em ser Europeu e quem sabe um toque de bollywood. Não é incomum nos imaginarmos em filmes, já que a vida real, na maioria das vezes, não esta recheada de perseguições policiais e invasões alienígenas.

Mas que tal agora fazer esse pequeno exercício imaginativo de se inserir dentro de um livro? E se a sua vida fosse um livro, que livro seria? “Mas João e as autobiografias?” Se você tiver uma publicada, eu acho ótimo, mas vamos dar um passo de fé e ir atrás daquilo que escapa do nosso âmbito real. Talvez uma personagem dos livros de Tolkien seja mais apropriado para você que quer andar a cavalo pela Terra Média e ser condecorado cavaleiro de Rohan. Ser o próprio Rei Arthur e com seus cavaleiros proteger o reino da Britania.

Acredito que livros são mais pessoais, e por isso diferente dos filmes nesse quesito, pois diferente de filmes que costumam durar uma ou duas horas, o livro esta na suas mãos por semanas, e anda na sua bolsa, mochila, pasta, em baixo do braço. Um tempo de qualidade e um exercício imaginativo muito maior acontece, e quando a leitura realmente “clica” com você, é bem difícil não confabular, imaginar como a estória seria se você estivesse lá.

Ja vivi muitas vidas.

Já fiz isso em As vantagens de Ser Invisível, O Grande Gatsby, Will Grayson Will Grayson, Jogos Vorazes e a lista continua. Esse efeito que a leitura causa pode não ser geral para todos, e ter a sua vida como um livro não tanto glamorosa quanto de um filme. Uma saída que adotei foi criar um livro de memorias. Funciona como uma autobiografia, e eu escrevo o que me der na telha, coisas sobre mim e outras pessoas, coisas, ideias, fatos, suposições, etc.
Quer que a sua vida seja um Filme/Livro/Novela/Seriado/Minissérie? Meu conselho é: Faça um.

BoscoJoao =D


domingo, 1 de setembro de 2013

Leitura dos Mediadores: "Jardim de Inverno".

 Férias, recesso e fim de semana representam aquele tempinho livre que eu tenho para colocar em dia as minhas leituras. Não as leituras científicas ou técnicas, mas as minhas leituras pessoais, aquelas que me proporcionam lazer.
 Entre os livros que li durante o último recesso da Universidade, um mexeu comigo em especial. Chama-se “Jardim de Inverno” da autora Kristin Hannah. “Jardim de Inverno” é um drama que fala da busca de duas filhas pelo verdadeiro encontro com sua fria mãe da qual pouco sabem, apesar de terem convivido com ela a vida inteira.  Nessa busca, elas entram em contato com a verdadeira história da mãe. É um livro que fala de guerra, de perda, reencontro e amor.      Uma leitura cheia de surpresas e que me causou grandes emoções em muitos momentos. Deixo aqui como dica pra quem gosta desse gênero e se você ler, compartilhe seus comentários...



Isabella Brandão

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Capítulo 90


Você é um leitor? Perguntinha sem vergonha essa, né?! Na maioria das vezes a resposta deixa a gente meio desapontado. Dizer que sim pode soar meio pretensioso, e você raramente está satisfeito com o seu nível de leitura. Dizer que não é deixar de levar em conta todas as suas leituras passadas, e isso parece um pouco radical.
O porquê dessa pergunta vem para eu realmente introduzir o assunto desse texto, que é: que tipo de leitura você gosta de fazer? Pergunto isso para começar a refletir, não no gênero que você gosta de ler, seja ele qual for, mas se você enxerga algumas oportunidades das quais eu, particularmente, gosto.

Adivinha quem esta tendo uma viagem mais divertida.
Sabe aquele tipo de gente que fica atrás de você vendo tudo que você faz quando está em frente ao computador (típico problema de cidadão do primeiro mundo! rs)? Pois é, eu sou esse tipo de gente quando alguém tem um livro! Não me entendam mal, eu não fico constrangendo ninguém, é que quando eu estou no metrô ou nalguma fila, e alguém esta lendo perto de mim, minha curiosidade pela leitura dele cresce por uma razão desconhecida. Então, bem disfarçadamente, eu dou uma esticadinha no pescoço e começo a ler a exata página em que ele está.

Chamo isso de uma leitura de oportunidade. De forma alguma eu tenho intenção de dizer que li tal livro ou criticar a leitura da pessoa, mesmo porque depois eu raramente lembro-me do fragmento do texto da página, sei lá qual, em que a pessoa estava naquele dia. Mas eu sinto que o gosto literário diz muito a respeito de quem você é, ou do que você se identifica. É como conhecer um pouco esse estranho sem dizer nada.

Já li algumas cartas do Nelson Mandela que um provável funcionário publico/administrador estava lendo, um livro de dez dicas de como estimular as pessoas no ambiente de trabalho, trechos de 50 Tons de Cinza que uma mulher estava lendo, que eu achei bem típico, pois esta é uma leitura que muitas mulheres atualmente estão fazendo, já li diversos quadrinhos, algumas paginas de José Saramago, outras de Carl Sagan e, bem recentemente, um senhor de aproximadamente cinquenta anos estava lendo um livro sobre magos arcanos. Eu ainda acredito que o livro era do neto dele de 13 anos, porque não é bem essa a faixa etária que esse livro geralmente atende. Sem preconceitos, claro.

Por favor, não vá ficar grudado(a) nas costas de alguém com um livro pra ler o que ele(a) esta lendo por que eu disse não, hein! Você pode acabar fazendo papel de maluco(a) com isso. Mas fica a reflexão de oportunidade... Vai que você pega alguma dica de leitura com essa observação, ou dá aquela cantada no(a) gatinha(o) só por que você já leu o Game Of Thrones que está na mão dele(a) e está doido(a) prá contar o final do livro, só prá começar uma conversa descontraída?!

O bom da leitura é que basta ter um coração aberto pra apreciá-la, faço essa leitura oportunista por curiosidade e quem sabe um dia ver aquela garota com um livro que seja o volume completo e na língua original com as notas do autor, ela pode ser a escolhida. 

Mas de uma coisa eu sei, o garoto que estava na última cadeira do ônibus da L2 norte, que estava no capítulo 90 do novo livro do Dan Brown, Inferno, eu estava gostando muito de sua leitura! Fica a dica, se não pode ser o stalker, seja o leitor.


BoscoJoao ;)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Bem mais que um "brincar de boneca"!


Olá a todos e todas! Como estávamos de férias da faculdade, fui viajar pelo meu Goiás. Passei uns dias na fazenda de uma amiga em Aruanã, por onde o Rio Araguaia faz atalho. Lá perto tem umas aldeias indígenas do povo Karajá chamadas Buridina e Bdè-Burè. Não cheguei a conhecer pessoalmente, porém, fiquei numa baita curiosidade. Na casa onde fiquei tinha um boneca grávida muito linda, parecida com a da foto ao lado, que foi produzida pelas mulheres dessas aldeias. Minha amiga me contou que as mães dão às suas filhas para elas brincarem e ao mesmo tempo aprenderem sobre “coisas da vida”, como de onde vem os bebês (lembrei-me da conversa que tivemos em sala, sobre a aluna que também teve essa dúvida e perguntou à uma das contadoras).



Pesquisei mais a respeito quando voltei para Brasília e descobri que há bem mais peças de bonecas do que eu pensava. 
Vou reproduzir alguns dos textos que achei: 

"Aos cinco anos de idade, a menina Karajá ganha uma família de bonecas de cerâmica. Em uma sociedade ocidental, o conjunto seria como o 'primeiro material didático'. Mas para os Karajá, esses artefatos vão além disso e preparam a criança para realizar a passagem do mundo infantil para o adulto, transmitindo os valores e costumes da tribo."

"Dependendo da ceramista, pode representar o modelo da família nuclear, com cinco a seis peças, ou ser mais completa, com um elenco maior de onze ou mais figuras, representando a tipologia da família extensa, composta pelos avós maternos, pais, irmãos e outras crianças da comunidade. Algumas cestas podem vir acompanhadas de bonecas industrializadas de plástico que representam os não indígenas (Tori). Os brinquedos acompanham as meninas até a fase de transição para a idade adulta, caracterizada pela menarca."

A antropóloga Sandra Lacerda Campos da USP foi quem percebeu o papel simbólico dessas bonecas na sociedade Karajá, e de que forma a organização cultural e a cosmologia é transmitida às crianças por meio desses artefatos. 
Campos explica que "a partir da análise de uma família de bonecas é possível perceber nove fases da vida de um indivíduo Karajá, seis delas apenas na infância: a criança recém nascida; o bebê de colo; quando pode sentar-se; engatinhar, andar e quando entra na 'idade escolar'. O recém nascido, por exemplo, recebe um banho de urucum para extrair o cheiro do parto. Esse costume é ensinado para as crianças porque no conjunto de bonecas, há uma pequena que é toda vermelha”, esclarece a antropóloga. Além disso, na pintura corporal Karajá são representadas todas as informações sobre o indivíduo: idade, estado civil, função na tribo e talento. "As crianças aprendem a identificar todas essas informações na iconografia das bonecas - diz Campos - É possível identificar quais mulheres são artesãs e/ou dançarinas, por exemplo". Entre as bonecas, também há representação de indivíduos velhos, arqueados ou com os seios caídos. Segundo Campos, os Karajá também preparam as crianças para a velhice mostrando que essa é apenas mais uma fase da vida."


Uma das reportagens que encontrei sobre o tema foi no site da Casa da Cultura da América Latina aqui da UnB, que fica no Setor Comercial Sul. Não sei quando ela foi escrita, mas lá diz que eles possuem um conjunto de 9 bonecas. Para quem ficou curioso e quiser ir lá conferir, depois nos conte o que achou. Segue o link: http://www.casadacultura.unb.br/?page_id=6388


Por Natália Honorato

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Seja um Mediador!


Hoje é um dia diferente! 
Por quê?
Porque você não será um leitor passivo de nosso blog, ou somente um observador. A partir de hoje você pode fazer parte da nossa equipe de mediadores de leitura!

Se tiver interesse, ou quiser mais informações, mande um e-mail para: 

 livrosabertos01@gmail.com


Oportunidade única de conhecer, aprender e ampliar o olhar sob os livros que lê, compartilhe esse prazer!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ao escolher um livro...

Às vezes ficamos tanto tempo sem nos dedicarmos a leituras livres e descompromissadas, que quando temos essa oportunidade ficamos sem saber o que ler. Iniciar um romance? Ler crônicas que são rápidas? Escolher um bom livro de poesias e aproveitar algumas reflexões sutis?
Na verdade, eu tenho algumas preferências, que dependem do momento, do tempo disponível e do local. Se as minhas férias são grandes prefiro iniciar um livro com narrativa extensa, porque não consigo continuar um livro desse tipo se ele tiver sido abandonado por mais de três semanas. Uma mania bem esquisita, na verdade, é que inicio novamente o livro se o prazo de continuação expirou.
Quando estou no meio do semestre prefiro as crônicas, porque são essas que eu leio em pé no metrô, no intervalo de uma aula para outra, um pouco antes de dormir ou minutos antes de sair de casa. Na verdade, sempre tenho um livro de crônicas por perto. Atualmente levo comigo “Terra de Ninguém” de Contardo Calligaris. Um livro que apesar de permitir uma leitura fluida, gera algumas reflexões profundas sobre aspectos diversos desde a venda do quarto livro da saga Harry Potter até às guerras que envolvem os EUA.
Para um feriado prolongado, prefiro um livro de poesias; porque para essas eu realmente preciso de um tempo muito particular. É o tipo de texto que eu necessito da casa em silêncio e das cortinas da sala fechadas.
Com todas essas peculiaridades de escolha, fico pensando se as crianças para as quais faço leitura dialógica também não precisam desse momento de escolha. Talvez a leitura dialógica não seja o momento exato para fazer isso, visto que lidamos com um grupo. Mas talvez seja possível permitir a variação de textos, se for de interesse das crianças. Contadores que utilizam um livro com uma narrativa extensa podem intercalar alguns contos/fábulas curtas entre as contações.
Acredito que isso seria melhor aplicado se pudéssemos nos dedicar mais tempo à contação e fazer quem sabe duas visitas à escola em uma semana, sendo que o decorrer de uma semana inteira já cria uma ansiedade para o próximo capítulo ou episódio. Imagina se fossem duas! As crianças poderiam recorrer ao desinteresse como acontece comigo quando abandono um livro por muito tempo.
Talvez uma saída alternativa fosse a parceria com os/as professores/as a fim de que eles também fizessem contação dialógica com tipos variados de texto, dessa forma esse tipo de contação poderia tanto estar presente mais vezes na semana das crianças como poderia ser trabalhada com diferentes tipos de narrativa.
De qualquer forma, essas são apenas ideias; porque a maioria das vezes, quando estou na posição de leitora, penso nas crianças com as quais faço a leitura dialógica. Assim como quando planejo as intervenções que serão tentadas na contação.


Nathália Oliveira

domingo, 11 de agosto de 2013

Um novo elemento

   Dar continuidade a um projeto com certeza tem seus méritos, mas não é disso que pretendo falar. Vou falar da forma boa como eu fui recepcionado no projeto. Tudo foi tão fácil que até parece estranho, principalmente a aceitação das crianças. Sem entender direito como elas conseguiam se interessar de forma tão sincera pelas leituras e gostar também tão facilmente de mim a minha resposta foi que aquela seria a retribuição da dedicação que elas sentem da gente e das nossas sinceras intenções de cultivar aquele momento de leitura, afinal a turma que estou agora já vivencia esta experiência há mais de um ano. Lembro que em uma das reuniões já falamos da importância disso, essa continuidade. Eu não tinha problemas com isso, mas na minha segunda contação tive uma surpresa que mudou esse meu modo de pensar e me fez surgir uma outra possível resposta. Explico. No começo ainda, chegou na turma um aluno novo, eu quando criança troquei de escola e sei como as vezes é difícil ser um aluno novo principalmente em uma escola em que todos já se conhecem e estudavam juntos, como é o caso dessa. Assim que cheguei na turma todo mundo já começou a falar que tinha um novo aluno, que eu devia chamar ele primeiro, pois bem, chamei ele juntamente com alguns outros alunos da turma, queria que ele se sentisse a vontade. Me apresentei, perguntei quem era ele e apresentei um pouco o projeto Livros Abertos e qual é a nossa proposta, falei do livro de Sherlock Holmes e retomei brevemente o que já tinha sido contado daí continuei a leitura. Acabou o tempo do grupo e enquanto ia acompanhando eles de volta para a sala perguntei o que ele tinha achado, disse que gostou. 

   O quanto ele tinha gostado e entendido qual era a proposta eu realmente não saberia dizer com certeza, afinal provavelmente essa tenha sido a primeira vez em que ele foi tirado da sala de aula para ouvir, e se quisesse, discutir sobre uma estória de um livro. Eu mesmo saí com a sensação de que podia ter sido mais legal, sei lá que talvez o trecho contado nem tenha sido bom mas enfim até a próxima semana ele assim como todos os outros deveriam esperar o prosseguir da trama.
   Aí nessa experiência é que estava a novidade! Pensei eu. Pois se para todos os outros eu estava dando continuidade nas mediações com ele eu começava do zero. O que aconteceu nas semanas seguintes foi que ele sempre se demonstrou empolgado e é um dos mais participativos. Daí que pensei que não teve muita diferença do envolvimento dele que não conhecia o projeto com o dos demais e isso é uma das coisas boas de uma criança. Eles tem essa capacidade de mergulhar de cabeça  nas coisas. Sem aquele receio ou desconfiança que os adultos vão construindo para se protegerem e as vezes nos impedem de vivenciar coisas novas ou conhecer outras pessoas. Pelo menos com as crianças que tenho contado posso ver nos olhos delas aquela confiança súbita mesmo por aquilo que lhes é estranho o que muitas vezes preocupa os pais. Obviamente tudo deve ser ponderado mas a cada vez que falo e ouço elas me sinto revigorado para buscar em mim aquele lugar onde a esperança é viva, e, dalí, sair dos livros, ir para a vida real e tentar olhar o mundo com a empolgação que vejo nelas. Vi em uma propaganda de um banco que dizia: ler um livro para uma criança... #issomudaomundo!

   Muda mesmo, mas não do jeito que se espera é uma mudança recíproca.

   Gabriel