

Na
primeira parte do livro, Postman se atém à Invenção
da Infância, partindo dos gregos e indo até o final do século XIX. Na
Grécia, a infância não era considerada uma etapa especial, e por isso se
prestava pouca atenção às crianças. Isso se reflete nas palavras que se
utilizava para designar uma criança ou um jovem: pode-se dizer que elas são
ambíguas, usadas para se referir a qualquer um que esteja entre a infância e a
velhice. Entretanto, a educação era extremamente valorizada entre eles – apesar
de a noção de escola tida pelos gregos ser diferente da que se tem nos dias
atuais. O fato é que a infância não foi inventada na Grécia, mas essa cultura
nos possibilitou um presságio do que ela viria a ser quando os romanos a
criassem.
Os
romanos, por sua vez, tiveram um olhar um pouco diferente em relação à
infância. Foi quando se estabeleceu uma conexão entre o crescimento da criança
e a noção de vergonha; momento esse em que os romanos acharam necessário
proteger a criança, por exemplo, dos segredos do mundo dos adultos. Tais ideias
viriam a se perder na Idade Média juntamente com o conceito de infância, em que
a criança – aos sete anos de idade – passava a ser um adulto por já conseguir
ler, ter acesso a esse conteúdo. Esse fato é muito importante, pois um mundo
novo de possibilidades é aberto por meio da leitura.
Segundo
Postman, o início do desaparecimento da infância ocorreu com o advento do
telégrafo, em que parte do mundo dos adultos – antes segregado – ficou
disponível em apenas um clique. Como o próprio autor diz “o telégrafo iniciou o processo de tornar a informação incontrolável”.
Assim, as crianças passaram a ter acesso a um tipo especial de informação,
antes apenas acessível aos adultos. Essa
tendência se consolidou com o surgimento da televisão e a democratização ao seu
acesso: “a hierarquia da informação
desmorona” (Postman, 2005, p. 92).

Essa
revelação rápida e igualitária também surge com a internet. As crianças são
constantemente sobrecarregadas com o excesso de informação vindo dos meios de
comunicação e de outros eletrônicos (vídeo-games; bonecos de ação; bonecas que
falam, andam). O excesso de estímulos visuais e sonoros não é de todo
acompanhado por um progresso no desenvolvimento infantil. Isso pode ser visto
no contexto da leitura dialógica, em que a criança é convidada todo momento a
pensar sobre a estória. Certa vez durante a leitura de Peter Pan, um contador
pediu para que as crianças fechassem os olhos e imaginassem a sua própria Terra
do Nunca, o lar da personagem. Quando perguntadas sobre o que estavam vendo,
muitas verbalizaram um “Não sei, tia! Tá tudo escuro!”.

2 comentários:
Obrigada pelo texto, gostei muito! Muito expressivas suas frases finais.
Obrigada! Estava inspirada no dia em que escrevi, indignada com o que vem acontecendo com a infância. Acho que por isso consegui me expressar dessa forma! =D
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